607 AEC ou 587 AEC?

Introdução 

“POR QUE ISSO É IMPORTANTE” – A Justificativa Apresentada Para a Escrita dos Artigos

A Sentinela de 1º de outubro de 2011, pág. 26:

Todos os cristãos concordam que a Bíblia é um livro confiável do ponto de vista histórico. Todavia, se eles tivessem de saber o “ano exato” dos principais fatos relatados na Bíblia como condição essencial para terem confiança na autenticidade dela, estariam realmente numa situação muito precária. Há eventos muito mais importantes na história do povo de Deus do que a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor II, para os quais a Bíblia simplesmente não fornece qualquer dado que permita situá-los com precisão em termos de nosso calendário moderno. E se isto é assim nos dias de hoje, a situação era pior no caso dos leitores da Bíblia que viveram em séculos anteriores. Não havia maneira de eles situarem com precisão eventos bíblicos na história, já que os conhecimentos sobre arqueologia e astronomia antiga eram bem inferiores aos nossos. No entanto, apesar de os homens tementes a Deus no passado não terem como elaborar uma cronologia correta dos eventos bíblicos na história universal, isso jamais perturbou a confiança deles na Bíblia como Palavra de Deus.

Ademais, o parágrafo acima transmite a impressão de que ninguém sabe a data da destruição de Jerusalém, de maneira que a revista A Sentinela precisa explicar o assunto. Na realidade, os historiadores não só sabem que este evento ocorreu em 587/586 AC, como consideram esta data exata. E os cristãos em geral (eruditos ou não) a aceitam sem qualquer problema. A única liderança religiosa importante no mundo que faz constante esforço para contradizê-la é a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (sediada nos EUA). Por que os líderes desta organização religiosa têm tanto interesse em desacreditar essa data? Porque há muito tempo eles defendem outra data para o evento, 607 AEC. E eles têm uma poderosa razão para agirem desta maneira. [1]

O verdadeiro propósito dos artigos, então, dificilmente poderia ser ‘fortalecer a confiança na autenticidade da Palavra de Deus’. Para a fé cristã, realmente não faz qualquer diferença saber em que data ocorreu a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, seja 587 AEC ou 607 AEC. Mas esse detalhe faz uma diferença crucial para a liderança da Torre de Vigia. É por isso que, do princípio ao fim, os artigos foram escritos com o objetivo exclusivo de por em dúvida a data histórica – 587 AC – e defender a data 607 AEC.

Trecho do segundo parágrafo (página 26):

Um trecho bem curto, mas com dois problemas que são freqüentes nas publicações da organização:

1 - “cronologia amplamente aceita” x “evidências na própria Bíblia

Qualquer estudante da história antiga (incluindo os que escreveram estes números de A Sentinela) sabe que, em termos da cronologia neobabilônica, essa divergência não existe. A informação contida na Bíblia e as evidências dos historiadores estão de pleno acordo quanto à data 587 AC e ambos contradizem a data 607 AEC. [2]

2 - “as Testemunhas de Jeová defendem uma data...”.

Uma velha generalização. A maioria das Testemunhas de Jeová do mundo não defende este ensino por convicção pessoal, advinda de terem examinado cuidadosamente as evidências. Quem defende a data 607 AEC é a liderança das Testemunhas de Jeová. Essa mencionada maioria das Testemunhas se baseia unicamente nas publicações da Torre de Vigia (que refletem os conteúdos ideológicos da organização) e jamais consulta outras publicações. Dizemos “maioria”, porque algumas Testemunhas de Jeová às vezes se permitem verificar essa cronologia de maneira independente. E quando elas fazem isso, invariavelmente descobrem as falhas do ensino, chegando, por fim, a entender o motivo de sua liderança defender tanto a data 607 AEC.

Daí, essas Testemunhas se confrontam com duas alternativas: continuar ensinando que Jerusalém foi destruída em 607 AEC (junto com todos os ensinos derivados disso), mesmo sabendo que a data está errada, ou respeitar a voz de sua consciência e parar de ensinar isso. Independentemente de qual seja a decisão, cada uma dessas Testemunhas se dá conta também de que não poderá jamais divulgar abertamente suas descobertas a ninguém dentro da organização. Porque, se persistir em fazer isso, certamente enfrentará conseqüências.

 


[1] Para uma consideração da importância da data 607 AEC para a Torre de Vigia, veja a Parte 5 deste folheto.

[2] Esse tipo de afirmação enganosa é muito comum nas publicações da Torre de Vigia quando o assunto tratado é a cronologia neobabilônica. Neste mesmo número de A Sentinela aparece a seguinte frase na página 29: “A linha do tempo baseada em suas informações cronológicas [isto é, a dos historiadores] não bate com a da Bíblia.” Infelizmente, frases assim induzem muitos leitores a pensar que existe mesmo um conflito entre a Bíblia e os historiadores.