
Testemunhas de Jeová autorizadas a brindar
Introdução
Depois de muitas décadas sendo proibidas de fazer brindes, as Testemunhas de Jeová receberam autorização para isso em 2025. Antes, os líderes delas diziam que essas práticas eram uma saudação a deuses pagãos e que o tilintar das taças serviria para espantar demônios.
Essa mudança destaca vários problemas com os ensinos da liderança das Testemunhas de Jeová.
Declarações contraditórias sobre práticas pagãs
Não se segue necessariamente que uma prática deva ser evitada com base no fato de que os pagãos a praticavam. Os povos antigos praticavam muitas coisas que são comumente aceitas hoje em dia, e o que importa é como as pessoas encaram essa prática atualmente. A própria liderança das Testemunhas de Jeová sempre afirmou isso.
“A coisa importante não é o que essa prática significava centenas de anos atrás, mas sim como é encarada hoje na sua região.” – Despertai! de 22 de setembro de 2003, pág. 24
“Todavia, se o motivo de se armarem sininhos eólios não tiver nada que ver com a religião falsa, a superstição ou o demonismo,… então é simplesmente uma questão de decisão pessoal.” – A Sentinela de 1 de novembro de 1981, pág. 32
É incorreto afirmar que brindar é uma prática pagã.
As pessoas brindam antes de apreciar uma bebida porque isso contribui para o prazer comunitário, envolvendo todos os cinco sentidos: o som das taças tilintando, a aparência da cor profunda do vinho, o aroma do seu buquê, a sensação na boca e, por fim, o sabor.
A liderança das Testemunhas proibia o brinde com base no fato de que, na antiguidade, era um “rito religioso de beber aos deuses e aos mortos”.
“Visto que a Bíblia não menciona o brinde, por que as Testemunhas de Jeová evitam essa prática? … The Encyclopædia Britannica (1910), volume 13, página 121: “O costume de se brindar ‘à saúde’ dos vivos se deriva, mui provavelmente, do antigo rito religioso de se brindar aos deuses e aos mortos. Os gregos e os romanos, nas refeições, derramavam libações a seus deuses, e, em banquetes cerimoniais, brindavam a eles e aos mortos.” – A Sentinela de 15 de fevereiro de 2007, pág. 30.
Considere a primeira frase: “A Bíblia não menciona o brinde.” A Sentinela foi além das Escrituras ao apresentar a proibição disso como regra.
Observe também que a fonte afirma ser apenas ‘provável’ (não uma certeza) que os brindes eram feitos aos deuses. Outras fontes alegam que não era esse o caso. Independentemente de algumas pessoas terem brindado ou não “aos deuses e aos mortos”, esse não tem sido o motivo por séculos. Os brindes se tornaram uma prática comum depois que o excessivo medo de demônios diminuiu consideravelmente. Um dos motivos para brindar era indicar que o vinho não estava envenenado, e outro era envolver todos os cinco sentidos no prazer da bebida.
A mudança de posição
O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová afirma que seus ensinamentos são a verdade, guiados por Jeová. Mas prova o contrário cada vez que muda suas regras. Por décadas, o Corpo Governante proibiu as Testemunhas de Jeová de brindarem antes das refeições, e então, repentinamente, disse que isso não era mais um problema.
Antes inaceitável
Os brindes eram proibidos com base no argumento de que eram feitos a falsos deuses, separando as Testemunhas de Jeová dos “mundanos” destinados à destruição.
“O brinde é um costume comum em casamentos e outros eventos sociais. O International Handbook on Alcohol and Culture (Manual Internacional de Bebidas Alcoólicas e Culturas), de 1995, diz: “Brindar . . . provavelmente é um vestígio não religioso das antigas libações sacrificiais nas quais um líquido sagrado era oferecido aos deuses . . . em troca de um pedido — uma oração sintetizada nas palavras ‘vida longa’ ou ‘saúde’.”
É verdade que muitas pessoas talvez não vejam o brinde como um gesto religioso ou supersticioso. Ainda assim, o costume de erguer as taças pode ser encarado como um pedido ao “céu” — a uma força sobre-humana —, solicitando uma bênção de um modo que não se harmoniza com a Bíblia.” – Livro ‘Mantenha-se no Amor de Deus’ (2008), capítulo 13, Celebrações que desagradam a Deus.
Será correto os cristãos “erguerem um brinde” quando estão reunidos? — M. D., EUA… O cristão maduro também evitaria até mesmo imitar os rituais da religião falsa. Este proceder espiritualmente maduro agradaria a Jeová. Lembre-se, Deus avisou especificamente os israelitas para não copiarem os costumes religiosos das nações pagãs em redor deles.” – A Sentinela de 15 de julho de 1968, pág. 447.
É correto brindar ou beber à saúde de Deus, Cristo ou o Reino? — J. S., Pensilvânia … Esta prática é profundamente arraigada no paganismo. Os babilônios brindavam seus deuses e acabavam bêbados… Estes brindes de modo algum são comparáveis às ofertas de libação que Jeová Deus prescreveu para o serviço do seu templo… Ao evitarmos este costume dos brindes, junto com muitos outros costumes objecionáveis, talvez pareçamos mesquinhos às pessoas mundanas. Sejamos isso então. Mas nunca esqueça, nem por um momento, que a nossa mesquinhez cristã é a nossa salvação, assim como a liberalidade do mundo é a sua destruição. — Mat. 7:13, 14.” A Sentinela de 1º de outubro de 1953, pág. 159.
Agora aceitável
Em 2025, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová deu uma guinada completa ao tornar o brinde aceitável.

“Por isso, depois de orar sobre o assunto, o Corpo Governante decidiu que não é necessário criar uma regra sobre fazer brindes ou tocar no copo um do outro. Cada cristão deve usar os princípios que vimos nesse boletim e a sua consciência treinada pela Bíblia para tomar uma boa decisão. O que isso quer dizer? Será que estamos dizendo que podemos fazer um brinde em qualquer momento e em qualquer situação? Claro que não. Nós só estamos dizendo que não é necessário criar uma regra.” – Boletim do Corpo Governante nº 4 de 2025
“Questões de consciência” que não são de consciência
No Boletim do Corpo Governante nº 4 de 2025 afirmou-se que o brinde é uma decisão das Testemunhas de Jeová, baseada em “sua consciência treinada pela Bíblia”. Isso destaca a insignificância da consciência das Testemunhas de Jeová. O Corpo Governante cria regras sem fundamento que devem ser seguidas e, quando muda de ideia e permite uma prática proibida, a decisão de começar a praticá-la fica a critério da ‘consciência de cada um’. Em outras palavras, os seguidores não têm permissão de usar sua consciência para tomar decisões, até que o Corpo Governante diga que eles podem fazer isso.
Alto controle e persuasão religiosa
Conforme mostrado acima, nunca houve uma razão sólida para o Corpo Governante impedir as Testemunhas de Jeová de fazerem brindes. Isso indica que um grupo de líderes usa persuasão coercitiva para manipular seus seguidores.
Vale a pena revisitar o artigo de A Sentinela de 2007 que concluiu que o brinde é errado. Este artigo de A Sentinela apresentou pontos detalhados sobre por que o brinde é aceitável. Ele destacou que:
- O brinde não é proibido na Bíblia;
- É correto desejar boa saúde a alguém;
- As citações das fontes são incertas quanto a uma conexão pagã, classificando isso só como provável;
- Raízes pagãs não tornam algo inaceitável;
- Israelitas fiéis levantavam as mãos para Deus;
- O brinde não é considerado um gesto religioso nos tempos modernos.
Segue-se a citação completa do artigo de A Sentinela de 2007, destacando-se em negrito onde cada um dos pontos acima aparece no artigo:
Visto que a Bíblia não menciona o brinde, por que as Testemunhas de Jeová evitam essa prática?
Embora os detalhes variem segundo o lugar, brindar com uma taça de vinho (ou outra bebida) é um costume antigo e bem difundido. Às vezes, os que brindam erguem e tocam juntos os seus copos. A pessoa que propõe o brinde em geral pede ou deseja a alguém felicidade, saúde, vida longa ou algo assim. Outros que participam do brinde talvez expressem seu apoio por meio de palavras ou por erguer suas taças e beber um pouco do vinho. Muitos vêem nisso um inofensivo costume ou gesto de cortesia, mas há fortes razões pelas quais as Testemunhas de Jeová não participam em brindes.
Não é o caso de os cristãos não desejarem que outros sejam felizes e tenham boa saúde. Numa carta às congregações, o corpo governante do primeiro século concluiu com uma palavra que pode ser traduzida por “boa saúde para vós” ou “passem bem”. (Atos 15:29) E alguns adoradores verdadeiros disseram a reis humanos: “Viva meu senhor . . . por tempo indefinido”, ou “viva o próprio rei por tempo indefinido”. — 1 Reis 1:31; Neemias 2:3.
Mas qual é a origem do costume de brindar? A Sentinela de 15 de julho de 1968 citou a The Encyclopædia Britannica (1910), volume 13, página 121: “O costume de se brindar ‘à saúde’ dos vivos se deriva, mui provavelmente, do antigo rito religioso de se brindar aos deuses e aos mortos. Os gregos e os romanos, nas refeições, derramavam libações a seus deuses, e, em banquetes cerimoniais, brindavam a eles e aos mortos.” A enciclopédia acrescenta: “Intimamente associado com estes costumes semi-sacrificiais tem de estar o brinde à saúde dos homens vivos.”
Isso ainda é válido? O International Handbook on Alcohol and Culture (Manual Internacional de Bebidas Alcoólicas e Culturas) de 1995 diz: “[Brindar] provavelmente é um vestígio não religioso das antigas libações sacrificiais nas quais um líquido sagrado era oferecido aos deuses: sangue ou vinho em troca de um pedido, uma oração sintetizada nas palavras ‘vida longa’ ou ‘saúde’.”
É verdade que o fato de um objeto, padrão ou costume ter raízes ou similaridades com antigas religiões falsas não significa necessariamente que sejam inadequados a um adorador verdadeiro. Veja o caso da romã. Uma respeitada enciclopédia bíblica diz: “A romã parece também ter sido usada como símbolo sagrado em religiões pagãs.” Mesmo assim, Deus mandou fazer bordados de romãs na bainha da veste do sumo sacerdote e figuras desses frutos decoravam as colunas de cobre do templo de Salomão. (Êxodo 28:33; 2 Reis 25:17) Além disso, a aliança de casamento já teve significado religioso. No entanto, a maioria das pessoas hoje considera as alianças apenas como sinal de que a pessoa é casada.
Que dizer do uso de vinho em cerimônias religiosas? Por exemplo, certa vez os moradores de Siquém que adoravam Baal ‘entraram na casa de seu deus, comeram, beberam e invocaram o mal sobre Abimeleque’, filho de Gideão. (Juízes 9:22-28) Você acha que uma pessoa leal a Jeová teria se juntado àquela gente para beber, talvez invocando ajuda sobrenatural contra Abimeleque? Ao descrever um tempo em que muitos em Israel se revoltaram contra Jeová, Amós disse: “Estenderam-se . . . ao lado de todo altar; e na casa de seus deuses bebem o vinho dos que foram multados.” (Amós 2:8) Será que os adoradores verdadeiros participariam nisso, quer o vinho fosse derramado em libações para os deuses, quer bebido nessas circunstâncias? (Jeremias 7:18) Ou ergueriam sua taça de vinho pedindo ajuda divina ou um futuro abençoado para alguém?
É interessante que os adoradores de Jeová às vezes erguiam as mãos e pediam bons resultados. Levantavam as mãos ao Deus verdadeiro. Lemos: “Salomão começou a ficar de pé diante do altar de Jeová . . . e então estendeu as palmas das suas mãos para os céus; e prosseguiu, dizendo: ‘Ó Jeová, Deus de Israel, não há Deus igual a ti . . . e que tu mesmo ouças no lugar em que moras, nos céus, e terás de ouvir e perdoar.’” (1 Reis 8:22, 23, 30) De modo similar, “Esdras bendisse então a Jeová . . . a que todo o povo respondeu: ‘Amém! Amém!’ com a elevação das suas mãos. Inclinaram-se então e prostraram-se perante Jeová”. (Neemias 8:6; 1 Timóteo 2:8) Obviamente, os leais a Deus não erguiam as mãos para o céu pedindo bênçãos a algum deus da sorte. — Isaías 65:11.
Muitos que hoje brindam talvez não achem que estejam pedindo uma resposta ou uma bênção de algum deus, mas também não sabem explicar por que erguem as suas taças. Todavia, o fato de eles não pensarem muito no assunto não é razão para que os cristãos verdadeiros se sintam obrigados a imitar suas ações.
É do conhecimento geral que também em outros assuntos as Testemunhas de Jeová se abstêm de fazer gestos que a maioria das pessoas faz. Por exemplo, muitos fazem gestos diante de emblemas nacionais, ou bandeiras; eles não encaram tais ações como atos de adoração. Os cristãos verdadeiros não interferem nesses costumes, mas também não participam neles. Muitas Testemunhas de Jeová, ao saberem quando tais cerimônias vão ocorrer, agem com discrição para não ofender outros. Seja como for, estão decididas a não fazer gestos patrióticos, os quais não estão de acordo com a Bíblia. (Êxodo 20:4, 5; 1 João 5:21) Atualmente, muitos talvez não encarem o brinde como gesto religioso. Mesmo assim, há boas razões pelas quais os cristãos não participam em brindes, que têm origem religiosa e que, mesmo hoje, podem ser encarados como um pedido ao ‘céu’ por uma bênção, como que solicitando ajuda a uma força sobre-humana. — Êxodo 23:2. – A Sentinela de 15 de fevereiro de 2007, págs. 30, 31.
Ou seja, o artigo apresentou informações que apoiavam uma conclusão e, em seguida, chegou flagrantemente à conclusão oposta, como se o Corpo Governante estivesse testando a ingenuidade de seus seguidores. Depois de apresentar uma série de razões comprovando que o brinde é aceitável, o artigo de A Sentinela concluiu afirmando que as Testemunhas de Jeová não deveriam brindar! Este é um exemplo perturbador de quão forte pode ser o controle dos líderes religiosos sobre aqueles que os seguem. Apesar de mostrar que o brinde poderia ser aceitável, o Corpo Governante declarou, de maneira dogmática (para não dizer ilógica), que não se deveria brindar, e as Testemunhas de Jeová seguiram essa regra cegamente por mais 18 anos, até seus líderes lhes dizerem o contrário em 2025.