
O que é “servir a Deus”?
Introdução
Todo o povo de Israel deve ficar bem certo de que este Jesus que vocês crucificaram é aquele que Deus tornou Senhor e Messias. Quando ouviram isso, todos ficaram muito aflitos e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: — Irmãos, o que devemos fazer? Pedro respondeu: — Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo. (Atos 2:36-38, NTLH)
Este apelo – “Irmãos, o que devemos fazer?” – vem do primeiro século da Era Cristã. Foi feito por pessoas que tinham ouvido Pedro deixar claro que a estrutura de autoridade religiosa que eles encaravam como representante de Deus tinha não só se oposto ao homem que falava a verdade de Deus, mas por fim aprovado sua eliminação. Eles eram agora incentivados a rejeitar a ação daquele corpo governante religioso, a ação que tinham apoiado e da qual se haviam tornado cúmplices, e a serem batizados exatamente em nome daquele que tinha sido violentamente eliminado.1
Não vivemos hoje as circunstâncias históricas daquelas pessoas. Não tivemos entre nós o próprio Messias, e nenhuma estrutura de autoridade religiosa pode hoje declará-lo rejeitado do modo exato que fez o Sinédrio do tempo de Jesus. Apesar disso, todos nós estamos em posição de mostrar pessoalmente que rejeitamos a ação que na época se tomou contra ele, e que nele depositamos agora plena fé como nossa esperança de vida dada por Deus. Iguais a Pedro e aos outros apóstolos, podemos dizer as palavras que eles disseram aos líderes religiosos do seu povo: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens.”2 Podemos mostrar que aceitamos o Filho dele como nosso único Cabeça, designado por Deus, o Condutor de nossas vidas. A questão é: Como vamos fazer isto? Naquelas palavras do primeiro século: “Irmãos, o que devemos fazer?”
Servir a Deus ― o que está envolvido?
Se lermos o relato que acompanha estas palavras, bem como o resto das Escrituras Cristãs, veremos que não apresentam o cristianismo como modo de vida e adoração voltada para instituições ou edifícios; não é definido por credos ou códigos de lei. Tampouco se centraliza em atividades específicas encaradas de modo especial e distinto como devotas e religiosas, que tenham, aos olhos de Deus, maior mérito do que outras atividades que não são assim classificadas. É uma maneira de agir que abrange toda a vida e todas as atividades da vida. Lendo as palavras do Filho de Deus e os escritos de seus apóstolos, constatamos que não é uma questão de pertencer a um sistema religioso, praticando certos atos religiosos em certas ocasiões e certos locais, mas aquilo que somos como pessoas em nossa vida diária é que mostra se somos seus seguidores ou não. Só por isto ser verdade é que seu apóstolo pôde dizer: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome [como representante do, Living Bible] do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” Ele pôde mesmo dizer àqueles que então eram escravos: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança.”3
Creio que por não perceberem isto é que muitos que se desligaram de uma organização religiosa autoritária, legalista e voltada para obras (e destas há várias) sentem-se muitas vezes perdidos quanto a como encarar a questão de servir a Deus em sua nova condição de liberdade. Em 1976, como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, fui designado para elaborar matéria sobre o assunto do “serviço sagrado”. Os artigos resultantes foram intitulados “Apreço do Tesouro do Serviço Sagrado” e “Preste Serviço Sagrado Noite e Dia”.4 Em grande parte, a matéria analisava o significado do termo grego latreuo, traduzido como “prestar serviço sagrado” na Tradução do Novo Mundo (geralmente “servir” ou “adorar” em outras traduções). Ambos os artigos apresentavam evidência bíblica de que servir a Deus não é algo restrito a determinadas atividades, tais como pregar ou assistir reuniões, algo que se deve praticar em certas ocasiões específicas especiais, em certos locais ou de maneiras especiais, mas é todo-abrangente, algo para se viver, um serviço que ocupa toda a vida. Mostravam que as Escrituras falam de “sacrifícios a Deus” que incluem não só o “sacrifício de lábios que fazem declaração pública do seu nome”, mas também “fazer o bem e partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios.”5 Este parágrafo é típico (página 338):

De acordo com isto, após afirmar que “há muitas coisas envolvidas, mas nosso objetivo, nosso alvo e nossa motivação de coração são fatores-chaves para sabermos se o que fazemos realmente é ‘serviço sagrado’ ou não”, o segundo artigo de A Sentinela mostrou que grande parte do serviço sagrado dos pais envolvia seus filhos, “uma herança da parte de Jeová” e “santos” para Ele.6 O cuidado dos pais com os filhos era um dos aspectos “noite e dia” do seu serviço sagrado. Os cônjuges prestam serviço sagrado mantendo o casamento honroso, na relação entre ambos, trabalhando para o êxito de seu casamento.7 Uma dona de casa pode trabalhar no lar como “para o Senhor” e contribuir para que outros apreciem as boas novas pela qualidade de sua vida doméstica, sua hospitalidade, sua bondade e por ser boa vizinha.8 Os homens podem promover e trazer crédito às boas novas pelo modo como realizam seu trabalho diário, pondo o coração no que fazem “como para o Senhor e não para homens”.9 Quando se faz algo com esse espírito, como pode isso ser outra coisa senão servir a Deus?
Muitos acharam esta informação revigorante, dizendo que ela deu maior sentido às suas vidas e os fez sentir que há outras coisas que contam, além do “serviço de campo” e da assistência às reuniões. Porém, nem todos gostaram. Após algum tempo, alguns superintendentes viajantes, cuja tarefa principal era (e é) incentivar o “serviço de campo”, queixaram-se ao Departamento de Serviço de que a perspectiva apresentada prejudicava a promoção desta atividade. Colocar outros aspectos da vida em pé de igualdade com o “serviço de campo” diminuía a importância do trabalho deles e tirava-lhes parte da força quando pediam ‘mais horas no campo’. Pessoalmente, eu não soube de outros que expressaram objeções.
Em 1980, pouco depois de minha renúncia ao Corpo Governante, outra série de artigos veio na Sentinela (em inglês) de 15 de agosto [em português: 15 de fevereiro de 1981], destinada a reaplicar a expressão “serviço sagrado” apenas a coisas como serviço de campo e assistência às reuniões. Estes artigos frisavam o fato, e na verdade nele baseavam muito da argumentação, de que para os judeus da época pré-cristã “o serviço sagrado sempre se relacionava com a adoração em obediência ao pacto da Lei” e “não se referia às coisas quotidianas do povo.”10 Argumentava que já que outros, além das Testemunhas de Jeová, comem, trabalham, limpam suas casas e obedecem às autoridades, como era possível que fazer essas coisas fosse considerado prestação deste tipo de serviço a Deus? Não, só atividades “especiais”, “fora do comum”, tais como divulgar a mensagem das publicações das Testemunhas de Jeová e assistir às reuniões em que elas são estudadas, mereciam ser consideradas como serviço sagrado a Deus. Desprezava qualquer ideia de que a motivação pudesse fazer alguma diferença e conferir valor espiritual a ações de natureza comum de modo a transformá-las em serviço sagrado a Deus, fazendo dessas atividades uma expressão de nossa adoração a Deus.
A seção “Perguntas dos Leitores” da mesma edição apoiou-se nesta argumentação da comparação com o serviço dos israelitas sob o antigo pacto da Lei. Procurou também descartar a idéia de que quando um homem trabalha, cuida da família e do lar, ou de atividades similares, ele esteja prestando um “serviço sagrado” a Deus. Não, tem de ser “algo fora do comum”. De fato, o artigo trazia uma lista autorizada deste tipo de atividades. As principais eram: pregação (“serviço de campo”), assistência às reuniões, estudo familiar e consideração do texto diário da organização, serviço de pioneiro e missionário, serviço de Betel (na sede mundial ou numa filial), serviço de superintendente viajante, ancião ou servo ministerial. Assim, por definição, se um pai dirige um estudo bíblico formal com a esposa e os filhos (e isto sempre é feito com o uso de uma publicação das Testemunhas de Jeová), isto é serviço sagrado, serviço a Deus (pode também incluir a hora gasta em seu “relatório de serviço de campo”). Se o pai gasta tempo informalmente em simplesmente conversar com o filho sobre sua vida e atividades diárias ― examinar o que pensa, deixar que expresse suas ideias, sentimentos e interesses, ajudá-lo em seus problemas escolares ou a desenvolver uma atitude saudável para com a vida, ou ensinar-lhe habilidades que o preparem para a vida adulta como cristão responsável ― isto não é considerado parte do “serviço sagrado” a Deus. Este conceito estrito é, sem dúvida, uma das principais razões do inegável fraco desempenho das Testemunhas de Jeová quanto a fazer os jovens permanecerem na organização depois de adultos. Recordo que quando fui enviado a Belize, país da América Central, na década de 1970, um dos representantes da organização ali me informou, por sua iniciativa, que de todos os rapazes que tinham sido criados como Testemunhas naquele país, nenhum tinha continuado na organização. Embora este seja um caso extremo, o fato é que em todos os países o número de jovens que deixam a organização quando atingem a idade adulta é atipicamente elevado.
O efeito destes decretos organizacionais sobre a perspectiva mental das Testemunhas ― definindo ‘o que é e o que não é serviço sagrado a Deus’ ― é ilustrado pelo que ocorreu quando os artigos acima mencionados foram estudados no Salão do Reino em Gadsden, Alabama. No final do estudo, o ancião que dirigia o estudo de A Sentinela, Tim Gregerson, perguntou à assistência: “Suponhamos que haja na congregação uma irmã cujo marido morreu e esteja passando por um período difícil, e um de nós vai ajudá-la com seus problemas. Seria isso ‘serviço sagrado’?” No início não houve resposta, mas finalmente uma pessoa se ofereceu para responder e disse: “Não, isso não seria serviço sagrado.” Tim então destacou que os artigos tinham enfatizado o aspecto religioso da “adoração” envolvido no “serviço sagrado” e aí recordou à assistência as palavras do discípulo Tiago:
A forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação, e manter-se sem mancha do mundo.11
Ele afirmou então que Tiago descreve especificamente o cuidar desta irmã viúva como “adoração”, de modo que isto certamente era “serviço sagrado”.12 Estando presente, chamei também a atenção para a referência a “serviço sagrado” no capítulo 13 de Hebreus, que inclui fazer o bem e mostrar bondade para com outros como “sacrifícios” que o cristão oferece num altar espiritual. Típica, porém, do efeito desta matéria sobre muitas Testemunhas, foi a declaração de outro ancião, Dan Gregerson.13 Após ouvir a evidência bíblica já mencionada, ele mostrou-se insatisfeito e disse: “Gostaria de chamar a atenção dos irmãos para a “Pergunta dos Leitores” no final desta revista, e ali a Sentinela mostra exatamente o que é realmente ‘serviço sagrado’”. Não refutou biblicamente o que fora dito, mas para ele o fator decisivo era claramente aquilo que a revista A Sentinela dizia.
De fato, embora não a colocasse na lista de ações definidas como “serviço sagrado”, a “Perguntas dos Leitores” fez breve menção da declaração de Hebreus sobre ‘fazer o bem e partilhar coisas com outros’, dizendo que isso incluía prestar assistência quando “nossos irmãos [Testemunhas] estão padecendo necessidades, sofrem calamidade ou estão em apuros.”14 Mas, assim como A Sentinela limitava arbitrariamente a oferta de “sacrifício de louvor” a Deus à “pregação pública”, também se restringia ‘fazer o bem’ e ‘partilhar coisas boas’ às limitações acima, como se aplicando apenas ao socorro prestado às co-Testemunhas, não a outros.
Todavia, a própria Bíblia não impõe esses limites ao significado da expressão ampla “fazer o bem”. Tampouco o faz com relação à referência igualmente não específica sobre “partilhar com outros”.15 De novo, o efeito desta definição “autorizada” que limita a expressão apostólica apenas à ajuda especial ou emergencial aos de sua própria religião, contribui para que muitas Testemunhas manifestem uma atitude muito indiferente, às vezes mesmo fria e distante, para com vizinhos e pessoas de sua comunidade, atitude bem semelhante à do sacerdote e do levita na parábola que Jesus deu em resposta à pergunta: “Quem é o meu próximo?” Aquelas pessoas religiosas, ativas no “serviço sagrado”, tinham coisas mais importantes a fazer que se preocupar com um próximo em dificuldades, e foi um samaritano, um homem de uma religião diferente, que veio em socorro da pessoa em dificuldade, que mostrou ser o verdadeiro próximo.16 A atitude estrita anunciada não se harmoniza com o ensino de Jesus:
Sede filhos de vosso Pai celestial, que faz seu sol levantar-se tanto sobre os maus como sobre os bons, e envia a chuva sobre os honestos e os desonestos. Se amais apenas os que vos amam, que recompensa podeis esperar? Certamente que os cobradores de impostos fazem isso também. E se cumprimentais apenas os vossos irmãos, que há nisso de extraordinário? Até os pagãos fazem isso. Não deve haver limites à vossa bondade, assim como a bondade de vosso Pai celestial não conhece medidas.17
A matéria da Sentinela de 1981 empenha-se toda em pôr o serviço a Deus numa categoria separada das atividades da vida. Tenta estabelecer diferença entre “serviço” e “serviço sagrado” a Deus, restringindo o último a ações de natureza bem distintiva e incomum. É verdade que o termo específico em questão (latreuo) só é usado nas Escrituras com referência a “serviço a Deus (ou a um deus ou deuses).”18 Para os pagãos, esse serviço envolvia coisas feitas nos templos, em edifícios especiais, rituais especiais e ofertas especiais a seus deuses. Para o povo judeu, aplicava-se geralmente a atos realizados em cumprimento do pacto da Lei, incluindo cerimônias, sacrifícios, festividades sagradas e serviço sacerdotal. Tudo isto é evidente. A coisa notável no cristianismo, porém, é exatamente o fato de que o serviço a Deus é muito mais amplo, muito mais abrangente, e não se limita a atividades realizadas em certos edifícios ou de formas prescritas, que afetam apenas parte da vida da pessoa.
O autor dos artigos da Sentinela de 1981 está certo quando diz que, “para os judeus, o serviço sagrado sempre se relacionava com a adoração em obediência ao pacto da Lei.” Está errado quando afirma que isto descarta sua aplicação a “esses atos básicos e essenciais da vida humana.” Enquanto a “obediência ao pacto da Lei” realmente incluía algumas das atividades “fora do comum”, distintas das atividades quotidianas, a obediência àquele pacto da Lei também incluía muitas coisas que eram parte da vida diária dos israelitas. O pacto da Lei não prescrevia simplesmente sacrifícios periódicos de animais, jejuns, festividades sagradas e cerimônias, mas requeria também a prática diária de imparcialidade, justiça, retidão, honestidade e compaixão nos tratos quotidianos entre eles. Suas leis requeriam a bondade não só para com co-israelitas, mas também para com escravos e residentes estrangeiros, e até a consideração para com animais e pássaros.19 Todavia, os israelitas comumente minimizavam estes fatores em favor dos aspectos mais cerimoniais e distintamente religiosos, orgulhando-se deles como prova de sua devoção a Deus, em vez daqueles ligados aos aspectos diários da vida. O artigo da Sentinela segue linha semelhante, mostra o mesmo ponto de vista equivocado.
Diante do fato de que os apóstolos de Jesus Cristo de fato falaram de “atos básicos e essenciais da vida humana” como “feitos para com o Senhor” e “feitos para a glória de Deus”, o escritor de A Sentinela se apóia numa distinção errônea entre serviço a Deus e serviço sagrado a Deus. Como pode o serviço a Deus ser outra coisa senão sagrado? É como se Deus atribuísse um prêmio, um valor maior, aos atos especiais em vez dos atos diários, ao incomum em vez do costumeiro. Jeová, ao repreender Israel, mostrou claramente que não é assim. Mostrou que a prática diária da misericórdia, compaixão e justiça era sempre de maior valor para ele que os atos especiais que os israelitas achavam distintamente “sagrados”. Conforme Ele disse:
Pois, agrado-me da benevolência e não do sacrifício; e do conhecimento de Deus antes do que de holocaustos.20
Quanto a este “conhecimento de Deus”, através de seu profeta Jeremias, Jeová pergunta ao filho do rei Josias:
Quanto a teu pai, acaso ele não comeu e bebeu, e executou o juízo e a justiça? Neste caso ia-lhe bem. Ele pleiteou a demanda judicial do atribulado e do pobre. Neste caso ia bem. “Não era este o caso de conhecer-me?” é a pronunciação de Jeová.21
Assim como as pessoas clamaram em Pentecostes, “Irmãos, o que devemos fazer?”, também os israelitas perguntaram como prestar serviço aceitável a Deus. Por meio de seu profeta Miquéias, Jeová apresentou a pergunta deles e resumiu a questão deste modo:
Com que eu poderia comparecer diante do SENHOR [Jeová] e curvar-me perante o Deus exaltado? Deveria oferecer holocaustos de bezerros de um ano? Ficaria o SENHOR [Jeová] satisfeito com milhares de carneiros, com dez mil ribeiros de azeite? Devo oferecer o meu filho mais velho por causa da minha transgressão, o fruto do meu corpo por causa do pecado que eu cometi?
Ele mostrou a você, ó homem, o que é bom e o que o SENHOR [Jeová] exige: pratique a justiça, ame a fidelidade e ande humildemente com o seu Deus.22
O escritor da revista A Sentinela minimiza a importância da motivação como algo capaz de converter atos corriqueiros em serviço sagrado a Deus. Pode-se, todavia, ver a importância da motivação mesmo naqueles tempos pré-cristãos, do pacto da Lei, pois foi precisamente a falta da motivação correta de coração (evidenciada por seus tratos injustos e desamorosos com outros na sua vida diária) que fez Deus “detestar” os próprios atos de “serviço sagrado” ― sacrifícios, observância de dias santos, festividades e jejuns ― realizados pela maioria da nação judaica.23 Isto ocorreu apesar de aqueles serem atos especiais, “fora do comum”, relacionados com a “adoração em obediência ao pacto da Lei”, como diz o artigo da Sentinela. Jeová deixou claro que sem a motivação correta na vida diária e no curso diário das atividades, todos os sacrifícios, festividades e outros serviços perdiam todo o sentido ou valor.
O novo pacto resulta em a lei de Deus ser escrita nos corações, e essa lei não é um código, mas é a lei do amor e a lei da fé, fatores que devem exercer, e de fato exercem, um papel na vida como um todo, e não só durante épocas especiais. É isto que habilita, não só pessoas de uma classe especial sacerdotal, mas qualquer pessoa a oferecer a ‘si mesma em sacrifício vivo em serviço a Deus’, de modo que toda a sua vida seja de adoração a Deus.24 Deve ser óbvio que a abrangência da oferta não dá margem a que o “sacrifício vivo” seja algo que a pessoa liga ou ativa, em certas épocas em certas atividades, e desliga ou desativa, em todas as outras épocas e em todas as outras atividades. Basta ler o restante de Romanos capítulo 12 para entender que, depois do incentivo do apóstolo a seus irmãos para ‘se oferecerem como sacrifício vivo’, ele considera um espectro bem amplo de atividades. As relações pessoais com outros, expressões de afeição e humildade, hospitalidade e bondade, vivendo em paz com “todos os homens”, não só dentro da comunidade cristã, mas fora dela, fazem todos parte deste “sacrifício vivo”. Quando oferecem todo o seu ser, estão dando não só certas horas, mas suas vidas inteiras a Deus. Em tudo isto mostram que não ‘se conformam ao mundo’ mas dão em sua vida diária e em seus tratos com outros, exemplo dos padrões e princípios ensinados pelo Filho de Deus. Como prova de que a insistência da Sentinela de 1981 na aplicação muito estrita do termo grego latreuo não tem fundamento do ponto de vista lexicográfico, The New International Dictionary of New Testament Theology, comenta deste modo o uso de latreuo pelo apóstolo em Romanos 12:1:
Envolve a dedicação da pessoa inteira a Deus de um modo que é racional, abrangendo toda a mente, e prático, alcançando os aspectos práticos da vida diária na igreja e no mundo.25
Em parte alguma o apóstolo alista “serviço de campo”, assistir a reuniões, servir numa sede religiosa institucional ou qualquer uma de tais atividades como aquela que define que alguém está oferecendo este “sacrifício vivo”. O conceito de serviço a Deus, de adoração, em que insiste a liderança das Testemunhas de Jeová, na realidade nada mais é que a regressão a um ponto de vista pré-cristão, não meramente ao tempo do pacto da Lei, mas a um conceito nocivo típico de uma atitude voltada para a Lei, voltada para obras. Este diminui o papel do coração ― e toda a sua espontaneidade ― pela ênfase às formas e funções prescritas e regulamentadas como o critério para determinar o que se classifica ou não como “serviço a Deus”. Retrocede ao tempo anterior à introdução da “liberdade pela qual Cristo nos libertou”. Entre as religiões atuais, a organização das Testemunhas de Jeová não é a única a fazer isso.
Foi um conceito similar, distorcido e anacrônico, do que envolvia o serviço cristão a Deus que, nos séculos seguintes ao período apostólico, levou à idéia de que participar na “adoração” significava “ir à igreja”, e isso elevou o que se fazia “na igreja” a um nível espiritual superior ao que o crente podia fazer fora da “igreja”. Em conseqüência, os edifícios onde se realizavam os “serviços da igreja” assumiram um caráter sagrado especial. Isso gerou o conceito de que o homem que era sacerdote ou ministro vivia uma vida espiritual de nível mais elevado e maior mérito espiritual do que a alcançada pelo homem comum, como o pai de família que por meio de seu trabalho mantinha a família. O sacerdote ou ministro era proeminentemente “um homem de Deus”. Os outros eram do laikos (que significa “do laos ou povo”), e assim se criou a divisão clero-leigos. Este mesmo conceito eventualmente exaltou o celibato, praticado por sacerdotes, monges e freiras, como condição espiritual superior, e “indiretamente depreciou o casamento… como uma condição imperfeita, de segunda classe.” Embora a Reforma corrigisse algumas das distorções neste respeito, muito disso ainda permanece hoje.26
Uma transição difícil
Em grande parte, a carta bíblica aos Hebreus foi escrita para ajudar as pessoas a ajustar-se a uma perspectiva nova e superior. Para aqueles a quem a carta se dirigia, o cristianismo representava uma mudança notável e difícil. Exigia que abandonassem muitos conceitos estereotipados que ao longo da vida tinham dominado suas mentes com relação a adorar a Deus. Creio que entre os cristãos professos, mesmo hoje, a maioria se restringe pelos vestígios da mesma atitude que bloqueava, àqueles a quem a carta foi escrita, o apreço pela superioridade do cristianismo. Muitos passam hoje por um conflito comparável ao vivido no primeiro século, e sentem igual falta de confiança quanto ao rumo que tomam. Estão inseguros quanto aos valores que devem guiar suas decisões com relação ao modo pelo qual buscam servir a Deus. Embora as circunstâncias atuais difiram em sua origem histórica, creio que grande parte do problema enfrentado por muitos vem da falta de compreensão da lição essencial vista nessa carta do primeiro século. As pessoas podem, pelo menos, obter consolo em saber que qualquer que seja o conflito que agora estejam enfrentando, este de modo algum é maior que o daqueles a quem foi dirigida a carta aos Hebreus. Em sua introdução à carta aos Hebreus, The Expositor’s Greek Testament faz estas observações perspicazes:
O objetivo do escritor… era revelar o verdadeiro significado de Cristo e Sua obra, e assim remover os escrúpulos, hesitações e suspeitas que assustavam a mente do cristão judaico, embaraçando-lhe a fé, reduzindo-lhe o usufruto e rebaixando-lhe a vitalidade… Uma transição de igual importância e cercada de tanta obscuridade que os homens raramente, se é que tanto, foram chamados a fazer… Tendo se criado numa religião de que estava persuadido ser de autoridade divina, o judeu era agora convocado a considerar grande parte de sua crença e adoração como antiquada. Acostumado a orgulhar-se de uma história assinalada em várias etapas por visitas angélicas, vozes divinas e intervenções milagrosas, ele agora é convidado a transferir sua fé das instituições e costumes veneráveis para uma Pessoa, Pessoa esta cuja glória terrena só é sugerida por sua ausência e na qual aqueles aparentemente mais qualificados nada poderiam descobrir senão a impostura que lhe valeu a morte como malfeitor.
Estimando com extraordinário entusiasmo, como sua herança exclusiva, o Templo com todas as suas conotações sagradas, seu Deus que ali habita, seu altar, seu augusto sacerdócio e todo o seu sistema de ordenanças, ele ainda está obcecado pelo recém-nascido instinto cristão de que falta algo vital em todos estes arranjos e de que para ele estes são irrelevantes e obsoletos…
Para o judeu, em resumo, Cristo deve ter criado tantos problemas quanto os que resolveu… muitos cristãos judeus devem ter passado esses primeiros dias em penosa inquietação, levados a confiar em Jesus por tudo o que sabiam de Sua santidade e verdade e, no entanto, dolorosamente perplexos e estorvados em obter a confiança perfeita pela inesperada espiritualidade da nova religião, pelo desprezo de seus ex-companheiros de religião, pelo abandono forçado de todos os adornos e glórias exteriores, e pela aparente impossibilidade de encaixar num todo consistente o esplendor do antigo e a simplicidade do novo.27
“O esplendor do antigo e a simplicidade do novo…” A verdade é que no antigo havia muito para atrair os sentidos — a vista, o som e o tato — coisas de natureza visível e tangível, que impressionavam e atemorizavam. A grandeza e beleza do templo, o tamanho de sua equipe de servidores, os trajes cerimoniais e a atividade dos sacerdotes e levitas quando atuavam em mediação entre o povo e Deus perante seu altar, o som do coral de cantores levitas, a sensação de ir a um lugar onde se acreditava que a presença de Deus era especialmente evidente, de estar assim em comunhão com Ele por meio de oferendas visíveis e tangíveis, acorrer a este local junto com milhares de outros três vezes por ano para as festividades sagradas — simplesmente não havia nada disto na nova fé cristã. Seus seguidores não tinham um só edifício próprio dedicado a fins religiosos, reuniam-se nos lares, não tinham assembléias festivas três vezes por ano, classe ou paramentos sacerdotais, ritos cerimoniais, nem altar visível nem sacrifícios materiais, nem, de fato, símbolos distintivos de qualquer espécie, pois mesmo na celebração da ceia do Senhor as coisas usadas para representar o corpo e o sangue de seu Senhor (e tudo que estava implícito nestas oferendas) eram simples pão e vinho, artigos básicos de mesa. A aparente “simplicidade do novo…”
Por que é uma transição difícil ainda hoje
No primeiro século muitos obviamente fizeram a transição necessária e aprenderam que servir e adorar a Deus não consistia nem dependia de freqüentar algum lugar especial, um edifício “sagrado”, e nem obtinham algum mérito por isso. Nem o ato de reunir-se com outros era visto como distintamente “religioso”, isto é, algo acima dos outros aspectos da vida deles. Passaram a entender que suas reuniões visavam à edificação mútua e à expressão do amor fraternal, a encorajarem-se uns aos outros, a manifestarem apreço uns pelos outros como membros de uma relação familiar debaixo do Filho de Deus, e não a prover-lhes um sentimento especial de “religiosidade” ou a sensação de estar “religiosamente limpos” por meio do ato de reunir-se.
Qualquer que tenha sido o progresso neste respeito nos tempos apostólicos, os professos cristãos, nos períodos seguintes, retornaram de modo gradual mas constante, a muito do que era antigo.Voltaram em grande parte àquilo que atrai os sentidos físicos. Ao longo dos séculos, regrediram aos edifícios sagrados, altares visíveis, uma classe separada de “servos de Deus” especiais (sacerdotes ou ministros) vestidos de modo distinto e a muitas coisas similares que impressionam os olhos, apelam aos ouvidos e podem ser tocadas. Sob a influência sedutora destas coisas, o entendimento era, muitas vezes, suplantado pelo mero sentimento emocional. A ceia do Senhor, caracterizada de início pela intimidade informal e a associação cordial numa expressão de fé compartilhada, convertia-se frequentemente numa observância amplamente cerimonial, em que o participante ia a uma autoridade da igreja que, à moda sacerdotal, administrava-lhe o “sacramento”. O povo, os leigos, sentia-se “acomodado” em sua relação com Deus em virtude de sua regularidade nos serviços religiosos, ou por cumprir certos atos religiosos de modo regular. Isto, junto com o conhecimento de que faziam, coletivamente, parte de um grande sistema religioso, dava-lhes uma sensação de segurança e justiça. Deixavam de apreciar o excelente valor espiritual do que era novo por causa de sua “simplicidade” e mostravam preferência por uma glória exterior igual à das coisas antigas. E, apesar de afirmarem destacar-se muito de “outras religiões”, creio que as Testemunhas de Jeová manifestam muitas destas mesmas evidências de retorno a coisas antigas.
Os que se associam com as Testemunhas de Jeová são repetidamente lembrados de que fazem parte de uma grande organização, até mesmo destacando-se que seu número ultrapassa a população de algumas nações do mundo. Ouvem com freqüência que, em certas fases da história da organização, Deus trouxe através dela revelações, “verdade revelada”, “nova luz”, assim como fazia através dos antigos profetas. Foram ensinados a viver em estrita obediência a um código de leis incrivelmente extenso, decretado por homens que afirmam fazer isso como representantes de Deus, e que comparam a rejeição a suas normas com a rebelião de Miriam e Aarão contra Moisés. Através das publicações da organização recebem um fluxo constante de estatísticas de aumento numérico; veem o tempo todo fotos de impressionantes e grandes edifícios em diferentes países, construídos ou adquiridos pela organização, lugares chamados de “Betel”, do hebraico beth el, que significa “casa de Deus”. Muitas destas estruturas igualam ou ultrapassam o terreno do templo de Jerusalém em tamanho e área. Alguns fazem peregrinações em grupo à sede internacional, a principal “Casa de Deus” (nos Estados Unidos), onde a organização tem grandes propriedades, ou visitam as instalações de Betel em seu próprio país. Ali, vêem como as equipes da “Casa de Deus”, que talvez cheguem a centenas e às vezes milhares de pessoas, empenham-se no que é oficialmente chamado de “serviço sagrado”, algo comparável, portanto, ao serviço dos trabalhadores levitas no antigo templo. O impacto sobre sua visão e mente traz uma sensação de poder, de força visível. As pessoas se sentem atraídas a isso e temem separar-se disso.


Sede Mundial das Testemunhas de Jeová – Estados Unidos da América

Filial das Testemunhas de Jeová na Grã-Bretanha

Filial das Testemunhas de Jeová no Brasil
Como no antigo Israel, as Testemunhas de Jeová comparecem a três assembléias “sagradas” (por sua própria definição) por ano, nas quais se reúnem grandes multidões que às vezes chegam aos milhares. Assistem semanalmente a reuniões distintas, sendo as principais realizadas em seus Salões do Reino, onde lhes garantem que seu comparecimento constante e fiel é um fator importante para uma condição aprovada diante de Deus. De todas as oferendas que podem fazer a Deus, nenhuma é mais enfatizada e considerada de maior valor do que levar às pessoas a mensagem das publicações da organização e inculcá-la em suas mentes; a esta é que a expressão “sacrifício de louvor” aplica-se quase exclusivamente, com grande destaque para as oferendas regulares semanais desse sacrifício em seu altar de serviço como um fator importante e decisivo para sua relação com Deus.28 E, a vasta maioria delas é atraída a tudo isto pelo constante cenário que lhes apresentam, onde todos os tipos de recompensas físicas e materiais os aguardam, num paraíso ao alcance da mão, se derem irrestrito apoio a estas atividades.
Após serem imersos nessa atmosfera por um período de tempo, qual seria o efeito sobre estas pessoas se fossem transportadas — não para o ambiente físico — mas para o tipo de vida religiosa vivida pelos primitivos cristãos? A vasta maioria consideraria a mudança tão difícil quanto foi para aqueles a quem se dirigiu a carta aos Hebreus. Achariam difícil aceitar a incrível simplicidade daquela vida religiosa, a falta de praticamente qualquer coisa impressionante em sentido físico e material, o apelo à fé que deriva sua força das coisas não-vistas e não das coisas vistas, do que é eterno e não do que é temporário, transitório. O apóstolo enfatizou a diferença, dizendo: “Estamos andando pela fé, não pela vista.”29
Creio que esta é pelo menos uma das razões pelas quais, ao deixar a organização das Testemunhas de Jeová, muitas pessoas acham que devem procurar algo que ofereça as mesmas coisas ― não as mesmas doutrinas, mas algo que tenha certa força numérica, tenha lugares especiais em que se cumpram formas distintas de serviço religioso. Muitos parecem incapazes de ter a sensação de identidade pessoal sem “pertencer” a um sistema, a uma organização com aspectos visíveis e tangíveis que a identifiquem. Acham também que devem “fazer alguma coisa”, isto é, algum tipo de atividade que seja “diferente”, distintiva. Ainda mantêm a mesma perspectiva ensinada pela Sentinela de que o serviço a Deus só é sagrado se envolver aquilo que é “fora do comum”. Não conseguem perceber que o cristianismo mudava as vidas das pessoas, não por mudar o que elas faziam normalmente no dia a dia, mas principalmente em virtude de dar um novo sentido a tudo o que faziam, uma qualidade diferente, um espírito diferente, uma motivação diferente, a todas as suas atividades.
O único essencial indispensável
Quanto àquilo de que os cristãos judeus tinham antes feito parte, e à mudança que enfrentaram, lemos este comentário:
Toda a dispensação [mosaica] [estava] envolvida com coisas visíveis, tangíveis, materiais, evanescentes… Foi uma sombra das boas coisas vindouras; e a estas coisas reais, eternas, é que Cristo apresenta os homens… Nele temos tudo que ver, não com cerimônias externas e arranjos temporais, mas com o que é espiritual; Nele entramos em contato, não com revelações imperfeitas de Deus, feitas através de símbolos e mediação humanos, mas com a própria imagem de Deus. Ele faz mediação entre Deus e o homem em virtude de sua ligação com ambos. Ele conduz os homens à verdadeira relação com Deus através de Si mesmo, cumprindo perfeitamente a vida humana em obediência à vontade de Deus… Ele é sacerdote, não em virtude daquilo que é carne, nem por um cargo herdado, mas em virtude de Sua compaixão pelos homens e Sua pureza pessoal… reunindo os homens e Deus pela entrega pura e perfeita de Si próprio a Deus.30
Todas aquelas coisas visíveis e tangíveis, e os homens e atos especiais envolvidos em seu uso, tinham na verdade sido apenas uma sombra das boas coisas vindouras. Alguns se agarraram à sombra, às coisas que atraíam os sentidos, coisas que podiam ver, ouvir e sentir, e isto os impedia de apreciar e abraçar genuinamente as realidades espirituais bem maiores e mais grandiosas prefiguradas.31 Não se aperceberam de que o objetivo comum do antigo pacto e do novo pacto era levar os homens a uma relação com Deus, e que o antigo, com todos os seus impressionantes aspectos materiais, não se destinava a realizar isto no pleno e completo sentido que o novo podia realizar.32 Contrastando os dois, o apóstolo escreve:
Se o ministério de condenação [o antigo] foi glorioso, quanto mais ainda será o ministério da justiça! Não, mesmo o que então foi tocado pela glória já não o é, diante desta glória incomparável. Pois, se o que era passageiro foi assinalado pela glória, quanto mais o será o que permanece?… O nosso objetivo não é o que se vê, mas o que não se vê; o que se vê é provisório, mas o que não se vê é eterno.33
Era preciso fé para aceitar isso, atribuir valor superior ao espiritual em vez do visível, praticar uma adoração que não impressionava os olhos, não atraía de modo especial os ouvidos, não estava sujeita ao tato, mas que apelava ao coração e ao entendimento; uma adoração que dispensava locais especiais, datas especiais, formas e funções especiais, mas que ocorria ao longo do dia, na vida diária da pessoa. Era preciso fé para aceitar que a relação pessoal com Deus por meio de seu Filho era a única coisa essencial, que todas as outras coisas são secundárias, e, se for o caso, até dispensáveis. Em nossa época é necessário o mesmo tipo de fé para fazer uma adoção similar de valores.
Notas
1 – Atos 2:22-38.
2 – Atos 5:27-29, BJ.
3 – Colossenses 3:17, 23, 24, ARA.
4 – Publicado no número de 1º de junho de 1977 de A Sentinela, páginas 332 a 342.
5 – Hebreus 13:15, 16; pode-se notar que antes, no versículo 10, o autor usa o termo latreuo quando considera o ‘servir’ prestado por se oferecer sacrifícios e oferendas no tabernáculo ou no templo, e daí contrasta isto com os sacrifícios do tipo espiritual que os cristãos oferecem num “altar” diferente.
6 – Salmo 127:3; 1 Coríntios 7:14.
7 – Confira Efésios 5:21-29.
8 – Tito 2:4, 5; confira Provérbios 31:10-31; Atos 9:36-41.
9 – Colossenses 3:17, 23, ARA.
10 – A Sentinela, 15 de fevereiro de 1981, páginas 22 e 24.
11 – Tiago 1:27, NM.
12 – Tim Gregerson, na época, era “pioneiro” havia alguns anos e continuou ainda por algum tempo. Logo, não era alguém “falto de zelo para com o serviço sagrado”.
13 – Dan é tio de Tim, irmão do pai de Tim, Tom Gregerson, e também de Peter Gregerson. Veja também Crise de Consciência, capítulo 11.
14 – Hebreus 13:10-16.
15 – Embora tenham pelo menos mencionado o cuidado com as co-Testemunhas que “padecem necessidade” neste artigo sobre “serviço sagrado” e embora artigos ocasionais que falam sobre mostrar interesse e preocupação com idosos e necessitados apareçam na revista Sentinela, já vimos nos capítulos 6, 10 e 16 que na prática isto raramente recebe alguma atenção notável. Embora não seja o caso de todas, é uma verdade simples que se tiver de escolher entre gastar tempo no “serviço de campo” ou em visitar estes idosos, doentes ou necessitados, a maioria das Testemunhas e a maioria dos anciãos sentir-se-ão pressionados a optar pelo “serviço de campo”, especialmente se suas “horas” estiverem um pouco baixas. Tais visitas podem até ser incluídas como “serviço sagrado”, mas não é um serviço que possa ser incluído no relatório. Isto não devia fazer diferença, mas claramente faz, como disse francamente a carta de Karl Adams para Nathan Knorr. (Veja o capítulo 6 deste livro.)
16 – Lucas 10:29-37; confira 17:15-19.
17 – Mateus 5:45-48, NEB.
18 – Veja o Theological Dictionary of the New Testament (Edição Resumida), páginas 503, 504.
19 – Levítico 19:9, 10, 13-15, 17, 18, 32-37; 23:22; 25:35-43; Deuteronômio 15:7-11; 16:18-20; 22:1-4, 6-8; 24:10-15, 17-22; 25:4.
20 – Oséias 6:6; confira Mateus 12:7.
21 – Jeremias 22:15, 16.
22 – Miquéias 6:6-8, NVI.
23 – Isaías 1:11-17; Amós 5:11-15, 21-24.
24 – Romanos 12:1, TEB.
25 – Vol. I, página 885. Similarmente, o Dicionário Teológico do Novo Testamento (em inglês,Vol. IV, páginas 63, 64) citado numa nota de rodapé na Sentinela de 1o de junho de 1977 (página 338), diz sobre a forma do verbo latreuein: “O uso compreensivo de latreuin para toda a conduta do justo para com Deus é encontrado primeiro em Luc. 1:74… em Fil. 3:3, encontramos novamente latréuein num amplo sentido metafísico, no qual abrange a inteireza da existência cristã.”
26 – Estas últimas palavras citadas são de Steven Ozment em When Fathers Ruled ― Family Life in Reformation Europe (London: Harvard University Press, 1983), página 10. Pode-se mencionar aqui que durante muitas décadas a sede mundial das Testemunhas de Jeová teve um caráter monástico, sendo a vasta maioria do pessoal formada por homens solteiros, e a conservação do celibato era requisito para continuar ali (ou nos escritórios de filial). A mesma exigência aplicava-se a todas as pessoas solteiras formadas na Escola de Gileade.
27 – The Expositor’s Greek Testament, Vol., IV, páginas 237, 238.
28 – A Sentinela, 1º de fevereiro de 1983, páginas 18, 19.
29 – 2 Coríntios 5:7.
30 – The Expositor’s Greek Testament, Vol. IV, página 239.
31 – Colossenses 2:16, 17; Hebreus 9:11-14, 23-26; 10:1, 19-22; 12:18-24.
32 – Enfatizando que o objetivo básico de sua obra era levar os homens a uma relação pessoal aprovada com Deus, o apóstolo Paulo a descreveu como “o ministério da reconciliação”, e afirmou: “Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.”— 2 Coríntios 5:18-20, ARA.
33 – 2 Coríntios 3:9-11; 4:18, TEB.
Artigo extraído de Em Busca da Liberdade Cristã, Raymond Victor Franz, capítulo 18.