Crêem as Testemunhas de Jeová Que Só Elas Serão Salvas?

 

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Satisfaz os padrões de justiça e amor de Deus?

Segundo certa enciclopédia, existem no mundo 12 religiões principais [1] e mais de 34.000 seitas só dentro do Cristianismo. A maioria destas diz que o requisito para a salvação é adorar o Deus particular delas. As seitas extremistas ensinam que um requisito para a salvação é a pessoa ingressar nelas e seguir todas as suas regras. Se você é uma Testemunha de Jeová, imagine por um instante que a organização Torre de Vigia não seja a verdadeira religião e exista alguma outra que seja. Você acharia justo Deus destruí-lo, bem como a todas as demais Testemunhas do mundo, pelo fato de estarem na religião errada? Uma vez que a liderança da Torre de Vigia desencoraja fortemente que você faça um exame pessoal [2] de outras crenças, seria justo você morrer em breve por não ter tido a chance ou o tempo suficiente para encontrar a religião certa, em meio a tantas que existem?

 

 

Representações do “Armagedom” em Publicações da Torre de Vigia de Fins do Século 20

À esquerda: Livro Revelação – Seu Grandioso Clímax Está Próximo! (1988)

À direita: Brochura Importa-se Deus Realmente Conosco? (1992)

Será que um jovem Testemunha de Jeová que vive num país das Américas, participando livremente em diversos tipos de diversões e usufruindo todos os confortos da vida é mais merecedor da salvação do que um jovem sacerdote católico ou um missionário protestante, que leva uma vida de austeridade completa num país africano ou asiático, trabalhando zelosamente em favor da igreja dele? Deve um monge tibetano, que vive isolado do mundo e nunca viu uma Bíblia, ser destruído por Deus por levar uma vida de abstinência, que ele foi doutrinado a acreditar como sendo o caminho para alcançar a unidade com Deus?

Se ficasse comprovado, além de qualquer dúvida, que uma determinada religião ensina a verdade absoluta, faria sentido dizer que quem não acredita nessa verdade está adorando a Deus em falsidade. Se pudesse ser provado, além de dúvida, que só as pessoas dum determinado grupo religioso do mundo estão “na verdade”, faria sentido afirmar que todos os demais da humanidade estão “na mentira”. Se ficasse comprovado que quem não adora a Jeová em associação com um grupo que chama Deus por esse nome está necessariamente adorando a Satanás, faria sentido a ideia de que esta pessoa merece a destruição. Se qualquer um pudesse reconhecer facilmente que Deus está hoje atraindo suas ovelhas exclusivamente por meio dum grupo, não haveria desculpa válida para não ingressar nesse grupo e segui-lo.

O problema dos raciocínios acima é que não existe qualquer organização religiosa no mundo que ensine a verdade absoluta. As Testemunhas de Jeová certamente não a ensinam. Qualquer pessoa que examinou atenta e objetivamente a história delas sabe que seus ensinos foram mudados tão substancialmente com o decorrer dos anos, que eles simplesmente não têm o mínimo direito de alegar que possuem uma habilidade especial de entender a verdade, superior a outras pessoas ou grupos na terra. Seria completamente ilógico acharmos que Deus orientou Charles Russell a ensinar tantas idéias erradas, que os homens que o sucederam na liderança da Torre de Vigia tiveram de mudar mais tarde (sem falar que várias dessas idéias erradas continuam sendo mantidas até hoje, e com o pleno conhecimento da liderança da organização.).

Nos tempos bíblicos, Deus indicou quem Ele estava usando por meio de sinais poderosos. Ele falou diretamente a Abraão e realizou portentosos milagres por meio de Moisés e outros profetas. Os cristãos do primeiro século testemunharam Deus falar pessoalmente, desde o céu, em aprovação de seu filho e viram Jesus curar enfermos e ressuscitar mortos. Os apóstolos e outros cristãos continuaram a apresentar essas obras poderosas como evidência do apoio de Deus. As Testemunhas de Jeová nunca produziram um sinal poderoso de qualquer tipo para ajudar a identificar a sua organização como a única aprovada hoje. [3]

O principal problema de afirmar que a salvação depende de se pertencer a uma única pequena organização, é que a realidade prova que a organização Torre de Vigia não é acessível a grande parte do mundo. Boa parte do mundo não tem sequer acesso à própria Bíblia.

O mapa que segue mostra que, em termos populacionais, mais da metade do mundo não é cristão, e a chance de ser uma Testemunha de Jeová é amplamente dependente de se viver num país que foi conquistado ou convertido ao cristianismo ao longo dos últimos 2.000 anos:

 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Principais_grupos_religiosos

Veja também: http://www.mapsofwar.com/ind/history-of-religion.html

 

Ser uma Testemunha de Jeová depende principalmente de onde a pessoa nasce, e um grande número de pessoas nunca ouviram, nem jamais ouvirão falar nos nomes de Jeová ou Jesus durante a sua vida. Vivendo dentro dos seguintes países: Bangladesh, Camboja, China, Índia, Mali, Nepal, Níger, Paquistão, Tailândia e Turquia estão cerca de 3 bilhões de pessoas – quase metade da população mundial. No entanto, o Relatório Mundial das Testemunhas de Jeová para o ano de 2010 mostrou que todos estes países juntos tinham cerca de 40.000 Testemunhas de Jeová, ou seja, uma Testemunha de Jeová para cada grupo de mais de 70.000 pessoas. Estes países representam muitas religiões (muçulmanos, ateístas, budistas e hindus) e grupos étnicos (africanos, indianos, asiáticos e europeus), o que mostra que nenhum ramo da família humana possui pessoas que estão geneticamente predispostas a serem “semelhantes a cabritos”. Sendo verdade o que a Torre de Vigia ensina, em países tais como o Paquistão, Mali e Bangladesh praticamente a população inteira seria destruída, já que nesses países existe uma Testemunha para cada grupo de mais de 50.000 "pessoas mundanas". (Na verdade, no caso do populoso país de Bangladesh há uma Testemunha para cada grupo de mais de 1.000.000 de “mundanos”!) Devemos achar justo que todas essas pessoas que nunca ouviram falar de Jeová sejam destruídas no Armagedom?

Até mesmo em países predominantemente cristãos, é ilógico que Deus destruiria as pessoas pelo fato de elas entenderem a Bíblia duma maneira diferente da Torre de Vigia. Uma pessoa que lê unicamente a Bíblia em sua vida inteira, sem se basear no que diz uma revista A Sentinela, ou um livro da Torre de Vigia, jamais chegaria à maioria das conclusões particulares desta organização. E o mesmo é verdade no caso das publicações de qualquer outra organização religiosa no mundo. Mesmo a própria organização reconhece isso de certa forma. A Sentinela de 15 de julho de 1983 disse o seguinte na pág. 27:

“Onde é que aprendemos a verdade da Bíblia? Conheceríamos o caminho da verdade se não tivesse havido a ajuda da organização? Podemos realmente passar sem a orientação da organização de Deus? Não, não podemos!”

A liderança da organização entende “verdade da Bíblia” como o conjunto de ensinos da organização, desconsiderando e aparentemente não vendo nada estranho no fato de que, embora a própria Bíblia nunca tenha mudado, esses ensinos apresentados pela organização como “verdade da Bíblia” têm mudado com o decorrer dos anos e há ampla evidência de que agora mesmo estão sendo ensinadas certas idéias sem o menor respaldo bíblico.

Até que ponto é absurdo uma religião ensinar que só os seus seguidores terão a salvação? Será que isso só é absurdo no caso das seitas extremistas que surgem de tempos a tempos convencendo os seus seguidores de que só eles sobreviverão a uma catástrofe qualquer e depois chocam as pessoas com suas ações bárbaras, incluindo suicídios coletivos dos membros? Se já seria inaceitável os líderes de alguma das religiões do mundo que possui mais de 1 bilhão de seguidores (tais como o catolicismo e o islamismo) afirmarem que Deus destruirá os outros quase 6 bilhões de pessoas que não pertencem a elas, o que dizer de todas essas afirmações das publicações da Torre de Vigia, indicando que eles acreditam que Deus vai salvar aproximadamente 7 milhões de pessoas e destruir aproximadamente 7 bilhões? Por qualquer critério que se analise este assunto, não existe qualquer justiça nessa crença de que Deus só consideraria as pessoas de uma única religião como aceitáveis a Ele, independentemente do tamanho dessa religião.

Apenas uma pequena porcentagem de pessoas se convertem para outras religiões e não há um destino único para estes novos convertidos. A opção dessas pessoas quanto a para onde irão é basicamente uma questão de momento e de circunstâncias aleatórias. Uma pesquisa feita em anos recentes mostrou que cerca de 84% dos adultos norte-americanos se mantêm na mesma religião por toda a vida. Dos 16% que deixam sua religião de nascimento, o maior grupo não seguirá mais religião alguma. Alguns grupos, como os Mórmons e as Testemunhas de Jeová parecem atrair um grande número de convertidos (na verdade migrantes de outras religiões), mas são também notórios pelo grande número de pessoas que encerram definitivamente sua associação com eles. O total de mais de um bilhão e seiscentos milhões de horas de pregação das Testemunhas de Jeová no ano de 2010 resultou em apenas 294 mil batismos, dos quais provavelmente a metade se compunha de adolescentes criados dentro dessa religião. É evidente que fazer uma pessoa mudar da religião na qual foi criada para outra religião não é uma tarefa nada fácil.

No dia 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro ficou horrorizado com o desabamento das Torres Gêmeas em Nova Iorque, EUA, matando milhares de pessoas, tudo isso só por questões de divergências políticas e/ou religiosas. No entanto, por mais impressionante que tenha sido este evento, ele é irrisório em comparação com a destruição e mortandade que se espera que Deus trará em breve contra a humanidade, sendo que bilhões nessa humanidade ou nunca leram uma Bíblia ou, se leram, jamais a entenderão de acordo com certa doutrina religiosa. Se a morte sem sentido de alguns milhares de pessoas ofende o senso de justiça de qualquer pessoa normal, o que se poderia dizer quanto ao extermínio da maior parte da humanidade, que todas as Testemunhas de Jeová do mundo são ensinadas a aguardar ansiosamente?

No livro bíblico de Jonas, encontramos a seguinte declaração de Deus:

Mas Jeová disse: “Tu, da tua parte, tens pena do cabaceiro que não cultivaste nem fizeste crescer, mostrando ser apenas algo que cresceu de noite e que pereceu apenas como algo que cresceu de noite. E eu, da minha parte, não devia ter pena de Nínive, a grande cidade, em que há mais de cento e vinte mil homens que absolutamente não sabem a diferença entre a sua direita e a sua esquerda, além de [haver] muitos animais domésticos?” (Jonas 4:10, 11, Tradução do Novo Mundo)

Por que deveríamos pensar que o senso de justiça e misericórdia de Deus mudou, sendo agora inferior ao dos homens? Se Ele deixou muito claro aqui o que pensava da ideia de destruir aquelas dezenas de milhares de pessoas ‘que não sabiam a diferença entre a direita e a esquerda’, que razão temos para imaginar que o Armagedom mencionado na Bíblia nada mais é que uma destruição na qual Ele trará a morte violenta e eterna para bilhões de pessoas que nunca ouviram falar nele [4] , realizando depois – paradoxalmente – a ressurreição de bilhões que nunca o adoraram, porque também nunca tinham ouvido falar sobre Ele? Qual é exatamente a diferença entre esses dois grupos, e o que faz com que um grupo seja menos merecedor da salvação do que o outro? Não existe qualquer diferença que justifique essa desigualdade de padrões. Toda a falta de lógica envolvida neste ensino origina-se unicamente na tentativa de uma liderança religiosa de arrebanhar seguidores e mantê-los no rebanho, com base na intimidação e no desconhecimento deles dessas questões básicas.

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Fig. 1 -Livro Revelação – Seu Grandioso  Clímax Está Próximo! (1988)

Fig. 2 - Revista A Sentinela  de 15 de setembro de 1986

 

Ao longo da história, membros de muitas religiões têm acreditado que só eles pertencem à “única fé verdadeira” e o Deus do céu despreza todo o resto da humanidade. Será que esses membros acreditam que tiveram mais sorte do que os demais, por terem “encontrado a verdade”, ou mesmo por terem “nascido na verdade”? Será que eles, ou o grupo deles possui mais inteligência ou perspicácia do que todos os demais da humanidade? É a condição do coração deles tão superior assim a todos os outros, que Deus e os anjos os encaminharam para a única religião verdadeira? Novamente, a raiz desses estranhos raciocínios reside na auto-suficiência de líderes religiosos, que se valem da credulidade de seus seguidores, os quais estão, por sua vez, com o coração disposto a aceitar a ideia de que só eles merecem a salvação.



[1] Enciclopédia Mundo Cristão: Um Levantamento Comparativo de Igrejas e Religiões no Mundo Moderno, David B. Barrett e outros. - Editora da Universidade de Oxford (2001, em inglês). Segundo esta fonte, as 12 religiões principais são: Cristianismo, Islamismo, Budismo, Fé Baha’i, Confucionismo, Hinduísmo, Jainismo, Judaísmo, Xintoísmo, Siquismo, Taoísmo e Zoroastrianismo.

[2] Algumas Testemunhas imaginam e até afirmam que ‘conhecem as crenças de outras religiões’. Na verdade, os conceitos delas sobre outras crenças (principalmente no caso das Testemunhas que foram criadas na organização) são formados unicamente à base do que lêem nas publicações produzidas pela Torre de Vigia. Estas publicações refletem o conceito de uma liderança religiosa sobre as demais. São muito poucas as Testemunhas de Jeová que conhecem as crenças de outras religiões em primeira mão. O estudo de assuntos tais como Religião Comparada, é fortemente desencorajado pela liderança da Torre de Vigia.

[3] A Sentinela de 1º de junho de 2001, pág. 16: “Será que é presunção da parte das Testemunhas de Jeová dizer que só elas têm o apoio de Deus? Na realidade, não mais do que quando os israelitas no Egito afirmavam ter o apoio de Deus apesar do que os egípcios criam, ou quando os cristãos do primeiro século afirmavam que eles tinham o apoio de Deus, e não os religiosos judeus.” O que o escritor dessa argumentação aparentemente esqueceu foi que nos exemplos mencionados (os israelitas no Egito e os cristãos do primeiro século), não era apenas uma mera ‘afirmação’ deles. Em ambos os casos a Bíblia registra que ocorreram muitos sinais portentosos, indicando que eles tinham realmente o apoio de Deus. E as pessoas que não professavam a religião deles, incluindo os opositores, viram os sinais, e não houve maneira de negá-los.

[4] Embora a organização Torre de Vigia costume afirmar que está sendo dado um “testemunho mundial”, às vezes eles fazem algum pronunciamento indicando que esta afirmação impressionante é, na verdade, ilusória. Apesar de a situação estar muito longe disso, as publicações insistem na afirmação de que Deus em breve destruirá para sempre uma tremenda quantidade de pessoas, mesmo estando elas “em ignorância”. A Sentinela de 1º de outubro de 1993 disse na pág. 19: “Há bilhões de pessoas que não conhecem Jeová. Muitas delas em ignorância praticam coisas que a Palavra de Deus mostra serem iníquas. Se persistirem nesse proceder, estarão entre as que perecerão na grande tribulação.”