Entrando no Descanso de Deus

 

Gênesis 2:1-3 diz: “Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.”

Não surpreende que, incluído nos Dez Mandamentos que Deus deu a Israel por meio de Moisés, Deus exigiu que Israel guardasse o dia de sábado. O quarto mandamento dado por Deus estipulava que: “o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus.” Em Êxodo 31:16, 17 Deus disse a Moisés: "Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.”

Note que Deus disse a Israel que eles deveriam “celebrá-lo nas suas gerações por aliança perpétua” e que “entre mim [Deus] e os filhos de Israel será um sinal para sempre.” É interessante que o sábado era tanto um pacto como um sinal. O escritor da Carta aos Hebreus (4:9) diz: “Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus.” Ele então passa a explicar: “Porque aquele que entrou no seu repouso [isto é, o de Deus], ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas.” (Heb. 4:10) No versículo onze desse capítulo (depois de uma referência à desobediência e falta de fé de Israel), temos o seguinte conselho específico: “Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.”

No capítulo anterior de Hebreus, o escritor cita o Salmo 95, que diz: “Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta anos as minhas obras. Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, E não conheceram os meus caminhos. Assim jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso.” (Hebreus 3:8-11)

O escritor então pergunta: “E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade.” (Hebreus 3:18, 19) É bem óbvio que quando Deus disse sobre Israel: “Não entrarão no meu repouso”, ele os estava notificando de que não entrariam na Terra Prometida. Essa terra, o favor protetor e a bênção de Deus equivaliam a “entrar no descanso de Deus”.

Quando Deus se dirigiu à geração mais velha por meio de Moisés (Deuteronômio 30:19, 20) dizendo: “... tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao SENHOR teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a Ele...” isso significava uma relação de aliança entre Ele e os israelitas. Se eles obedecessem, teriam o favor, a proteção e a bênção de Deus. Desse modo, entrar na Terra Prometida era equivalente a entrar no descanso de Deus. Infelizmente, eles continuaram se rebelando contra Deus, por isso Ele disse: “Estes sempre erram em seu coração” e “não entrarão no meu repouso.”

Fiel à declaração de Deus, a geração mais velha morreu no deserto por falta de fé e de obediência. Eles não entraram na terra da promessa. Não entraram no descanso de Deus.

E o texto diz ainda: "Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, [Deus] não falaria depois disso de outro dia. Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas.” (Heb. 4:8-10) Aqui está a prova positiva de que a 'terra da promessa' geográfica era meramente incidental em se tratando de entrar no descanso de Deus. Outro exemplo é o de Isaías 66:8: “Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez?” Claramente, o uso da palavra 'terra' por Isaías refere-se a uma realidade espiritual, em vez de um local geográfico. Portanto, o critério verdadeiro não era onde eles estavam, e sim o que eles faziam. Para entrar no descanso de Deus, eles precisavam descansar de suas próprias obras, como Deus das suas, significando, parar de fazer suas próprias coisas e se focarem em Deus, com fé, confiança e obediência completas.

Os primeiros versículos de Hebreus capítulo 4, dizem: “Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás. Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse... assim do dia sétimo: “E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia... Visto, pois, que resta que alguns entrem nele, e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência, determina outra vez um certo dia, “hoje”, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.” Em outras palavras, o momento de entrar no descanso de Deus é “hoje” – isto é, agora, ou neste momento. É por isso que o escritor dá essa advertência específica: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.” (Heb. 3:12) Note que Deus estar descansando de Sua obra no sétimo dia e, depois dar a lei do sábado, foi como um sinal de que devemos descansar de nossas próprias obras, pois, por fazer assim, nós entramos em seu descanso – o descanso de Deus. Uma questão permanece: Como, ou de que maneira o sábado foi uma “aliança perpétua” entre Deus e os filhos de Israel? A resposta a essa pergunta tem relação com as seguintes palavras de Deus a Israel: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.” Isto significa uma relação de aliança com Deus, exigindo obediência por parte de Seu povo.Ouvir a voz de Deus” significa ouvi-lo e obedecê-lo; desistir de fazer as coisas de acordo com o nosso próprio agrado, e servir a Deus fielmente. Significa também ser obediente ao nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo, a quem Deus, nosso Pai Celestial, enviou ao mundo, e a quem Ele deu “toda a autoridade, no céu e na terra.”

Israel tinha muitas leis maravilhosas, incluindo os Dez Mandamentos, que eles falharam em obedecer, de modo que Deus falou por meio de Jeremias, dizendo: “Farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais... porque eles invalidaram a minha aliança... Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias”, diz o SENHOR: “Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” - Jer. 31:31-33

Embora tivessem uma parte da lei de Deus escrita em tábuas de pedra “pelo dedo de Deus”, Israel não tornou essas leis sua propriedade. Eles eram muito parecidos com uma pessoa que possui uma Bíblia valiosa, com capa de couro e borda dourada, mas raramente a lê – dando pouca atenção ao conteúdo dela. Por esta razão, a Nova Aliança requer que a lei de Deus seja escrita “não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações.” Deus faz essa escrita – se é isso o que desejamos. Os israelitas naturais nasceram sob a antiga aliança, e eram membros dela por nascimento. Não é assim no caso da Nova Aliança. Para ser aceito numa relação pactuada com Deus, e fazer parte da Nova Aliança, devemos permitir que Ele escreva Suas leis em nosso coração.

Em conclusão, vemos que o sábado foi dado a Israel como um sinal de que o povo de Deus deve descansar de suas próprias obras, e dessa maneira entrar no repouso de Deus. Paulo expressa isso melhor, ao declarar: “Quero dizer a vocês o seguinte: deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da natureza humana.” (Gal. 5:16, BLH) Além disso, se andarmos por espírito segue-se que permitiremos que Deus escreva em nossos corações por Espírito, trazendo-nos assim ao relacionamento da Nova Aliança com Ele e com Seu Filho amado. Se isso aconteceu para nós, podemos dizer com confiança que entramos no descanso de Deus.

Parece que a referência que Deus fez ao seu descanso (depois de ter criado as coisas) era para incutir em nós a grande importância de repousar (isto é, desistir) de nossas próprias obras, e a necessidade de entrar no descanso de Deus. Além disso, o dia de sábado foi um lembrete constante ou “sinal” da necessidade de entrar no descanso de Deus, o que significa vir a estar sob Seu cuidado protetor, e encontrar descanso completo nele. Foi por isso que Deus enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, ao mundo. Jesus deu sua vida ao mundo da humanidade para que pudéssemos voltar para Deus, e encontrar descanso completo na associação com o Pai Celestial e nosso Senhor e Rei, Cristo Jesus. O sábado é um lembrete constante, ou perpétuo, não só da necessidade de entrar no descanso de Deus, mas de que Deus nos convida a uma relação de aliança com Ele e Seu Filho. Quão gratos podemos ser de que nesta época Deus estendeu a mão para nós e atraiu-nos a Seu Filho. Mostremos gratidão por levar uma vida de fé e lealdade ao nosso Pai Celestial, e seu Filho amado, nosso Senhor e Rei, Cristo Jesus.
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(Lewis Z. Hrytzak. Traduzido e apresentado no Mentes Bereanas com permissão do autor.)