Os Tempos dos Gentios Reconsiderados - Introdução

 

O DESENGANADOR e por vezes dramático processo que levou à decisão de publicar este tratado poderia encher um livro inteiro. Todavia, por uma questão de espaço, esse contexto só pode ser abordado aqui brevemente.

As Testemunhas de Jeová são instruídas a depositar grande confiança na Sociedade Torre de Vigia* e sua liderança. Todavia, perto do fim de meus vinte e seis anos como Testemunha de Jeová ativa, os sinais indicativos de que essa confiança era enganosa tinham se acumulado. Até o final eu tinha esperado que os líderes da organização encarassem honestamente os fatos referentes à sua cronologia, ainda que esses fatos se provassem fatais para algumas das doutrinas centrais e alegações típicas de sua organização. Mas quando finalmente me dei conta de que os líderes da Sociedade — evidentemente por motivo de política organizacional ou “eclesiástica” — estavam determinados a perpetuar o que, em última análise, equivale a uma fraude contra milhões de pessoas, fazendo isto por suprimir informação que eles consideraram e continuam a considerar indesejável, parecia-me não haver outra saída a não ser publicar minhas descobertas, dando assim a todo indivíduo que se preocupa com a verdade uma oportunidade de examinar a evidência e tirar suas próprias conclusões.

Cada um de nós é responsável pelo que sabe. Se alguém tem disponível informação que outros precisam para chegar a uma correta compreensão de sua situação na vida — informação que é, além disso, sonegada de tais pessoas pelos seus líderes religiosos — então seria moralmente errado permanecer em silêncio. Torna-se obrigação desta pessoa disponibilizar tal informação para todos os que querem saber a verdade, por mais dolorosa que esta possa ser. Essa é a razão da publicação deste livro.

O papel da cronologia no ensino da Sociedade Torre de Vigia 

Poucos estão plenamente cientes do papel bem central que a cronologia desempenha nas alegações e ensinos da Sociedade Torre de Vigia. Mesmo muitas das Testemunhas de Jeová não estão completamente apercebidas da conexão indissolúvel entre a cronologia da Sociedade e a mensagem que elas pregam de porta em porta. Ao serem confrontadas com as muitas evidências contra sua cronologia, algumas Testemunhas de Jeová tendem a subestimar isto como algo que elas podem de qualquer maneira dispensar. “Afinal de contas, cronologia não é tão importante assim”, dizem elas. Muitas Testemunhas prefeririam nem mesmo discutir o assunto. Então, quão importante é, exatamente, a cronologia para a organização Torre de Vigia?

Um exame da evidência demonstra que ela constitui o próprio fundamento para as reivindicações e mensagem deste movimento religioso.

A Sociedade Torre de Vigia alega ser o “canal exclusivo” e “porta-voz” de Deus na terra. Resumindo seus ensinos mais distintivos: Ela afirma que o reino de Deus foi estabelecido no céu em 1914, que os “últimos dias” começaram naquele ano, que Cristo retornou invisivelmente naquele momento para “inspecionar” as denominações cristãs, e que ele por fim rejeitou todas, exceto a Sociedade Torre de Vigia e seus associados, a quem designou em 1919 como seu único “instrumento” na terra.

Por aproximadamente setenta anos, a Sociedade usou as palavras de Jesus em Mateus 24:34 sobre “esta geração” para ensinar claramente e de modo inflexível que a geração de 1914 não passaria de modo algum até que viesse o fim completo na “batalha do Armagedom”, quando todos os humanos vivos, exceto os membros ativos da organização Torre de Vigia, seriam destruídos para sempre. Milhares de Testemunhas de Jeová da “geração de 1914” tinham plena esperança de estarem vivas para ver e sobreviver a esse dia do juízo final e então viverem para sempre no paraíso na terra. 


 1914 – a geração que não passaria 

 

Conforme as décadas passavam, deixando 1914 cada vez mais distante no passado, esta afirmação foi se tornando mais difícil de defender. Passados 80 anos, a afirmação tornou-se praticamente absurda. Assim, na edição de 1º de novembro de 1995 da Sentinela (páginas 10 a 21), adotou-se uma nova definição da frase “esta geração”, definição esta que permitiu à organização “desligá-la” da data de 1914 como ponto de partida. Apesar desta mudança monumental, eles ainda retiveram a data 1914 — na realidade eles não puderam agir de outro modo sem desmontar seus principais ensinos referentes à “segunda presença” de Cristo, o início do “tempo do fim”, e a designação de sua organização como o único instrumento de Cristo e canal exclusivo de Deus na terra. Embora reconheçam agora que “esta geração” se define por suas características em vez de por um período cronológico (com ponto de partida específico), eles ainda encontraram uma maneira de inserir 1914 em sua nova definição. Fizeram isto por incluir na definição um fator acrescentado arbitrariamente, a saber, que a “geração” é composta por “aquelas pessoas que vêem o sinal da presença de Cristo, mas que não se corrigem”, resultando na sua destruição. Como o ensino oficial continua a ser que o “sinal da presença de Cristo” tornou-se visível a partir de e após 1914, isto permite que essa data continue como parte essencial da definição de “esta geração”.

Assim, todos estes fatores confirmam o papel altamente crucial que 1914 desempenha no ensino da Sociedade Torre de Vigia. Uma vez que, como é óbvio, a própria data não consta na Bíblia, qual é a origem dela?

Essa data é o resultado de um cálculo cronológico, segundo o qual os chamados “tempos dos gentios”, mencionados por Jesus em Lucas 21:24, constituem um período de 2.520 anos, que teve início em 607 A.E.C. e terminou em 1914 E.C.[1] Este cálculo é a verdadeira base da mensagem principal da religião. Afirma-se que até mesmo o evangelho cristão, as “boas novas” do reino (Mateus 24:14) está fortemente associado com esta cronologia. Portanto, o evangelho pregado por outros professos cristãos nunca foi o verdadeiro evangelho. A Sentinela de 1º de novembro de 1981 disse na página 17:

Compare a pessoa sincera a espécie de pregação do evangelho do Reino feita pelos sistemas religiosos da cristandade, durante todos os séculos, com a feita pelas Testemunhas de Jeová desde o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918. Não são iguais. A das Testemunhas de Jeová é realmente “evangelho”, ou “boas novas”, sobre o reino celestial de Deus, estabelecido pela entronização de seu Filho, Jesus Cristo, no fim dos Tempos dos Gentios em 1914. [o itálico é meu.]
 

De acordo com isto, A Sentinela de 1º de novembro de 1982, disse que “dentre todas as religiões do mundo, as Testemunhas de Jeová são os únicos hoje que proclamam às pessoas estas ‘boas novas’.” (Página 10) Qualquer Testemunha de Jeová que tente subestimar o papel da cronologia no ensino da Sociedade, simplesmente não percebe que está minando radicalmente a principal mensagem da religião. Essa “subestimação” não é aprovada pela liderança da Torre de Vigia. Pelo contrário, A Sentinela de 1º de abril de 1983, páginas 11 e 12, enfatizou que “o fim dos Tempos dos Gentios, na última metade de 1914, ergue-se ainda corretamente numa base histórica como uma das verdades fundamentais do Reino à qual nos temos de apegar hoje.” [2]

A dura verdade é que a Sociedade Torre de Vigia encara a rejeição da cronologia que aponta para 1914 como um pecado que tem conseqüências fatais. Afirma-se que o estabelecimento do reino de Deus no fim dos “tempos dos gentios” é “o mais importante evento de nossos tempos”, diante do qual “todos os demais eventos perdem a importância.”[3] Aqueles que rejeitam o cálculo incorrem na ira de Deus. Entre estes, estão “os clérigos da cristandade” e seus membros que, por não endossarem essa data, são acusados de terem rejeitado o reino de Deus e por isso “serão destruídos na iminente “grande tribulação.”[4] Membros das Testemunhas de Jeová que questionem ou rejeitem abertamente o cálculo, correm o risco de serem tratados de maneira muito severa. Se não se arrependerem e não mudarem de idéia, serão desassociados e classificados como “apóstatas” iníquos, que “vão, ao morrerem, . . . para a Geena”, sem qualquer esperança de uma ressurreição futura.[5] Não faz qualquer diferença se estas pessoas continuam a acreditar em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo. Quando um dos leitores de A Sentinela escreveu e perguntou, “Por que desassociaram (excomungaram) as Testemunhas de Jeová por apostasia a alguns que ainda professam crer em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo?”, a Sociedade respondeu, entre outras coisas:

A associação aprovada com as Testemunhas de Jeová requer a aceitação de toda a série dos verdadeiros ensinos da Bíblia, inclusive as crenças bíblicas singulares das Testemunhas de Jeová. O que incluem tais crenças? . . . Que 1914 marcou o fim dos Tempos dos Gentios e o estabelecimento do Reino de Deus nos céus, bem como o tempo da predita presença de Cristo. [o itálico é meu][6]
 

Portanto, nenhuma pessoa que rejeita o cálculo segundo o qual os “tempos dos gentios” terminaram em 1914 é aprovada pela Sociedade como uma das Testemunhas de Jeová. Aliás, mesmo aquele que abandona secretamente a cronologia da Sociedade e possa ainda ser oficialmente considerado como uma das Testemunhas de Jeová, na realidade já rejeitou a mensagem essencial da Sociedade Torre de Vigia e, segundo o próprio critério da organização, não faz mais realmente parte do movimento.

Como começou esta pesquisa

Não é, pois, tarefa fácil uma Testemunha de Jeová questionar a validade deste cálculo profético básico. Para muitos crentes, principalmente num sistema religioso fechado como a organização Torre de Vigia, o sistema doutrinal funciona como uma espécie de “fortaleza” dentro da qual eles podem procurar abrigo, sob a forma de segurança espiritual e emocional. Se qualquer parte dessa estrutura doutrinal é questionada, tais crentes tendem a reagir emocionalmente; adotam uma postura defensiva, sentindo que sua “fortaleza” está sob ataque e que sua segurança está ameaçada. Este mecanismo de defesa torna muito difícil para eles escutarem e examinarem objetivamente os argumentos relacionados ao assunto. Inconscientemente, sua necessidade de segurança emocional tornou-se mais importante para eles do que seu respeito pela verdade.

É extremamente difícil contornar esta atitude defensiva, tão comum entre as Testemunhas de Jeová, e encontrar mentes abertas e dispostas a escutar — ainda mais quando uma doutrina tão básica como a cronologia dos “tempos dos gentios” está sendo questionada. Pois esse questionamento abala as próprias fundações do sistema doutrinal das Testemunhas e freqüentemente faz com que Testemunhas de todos os níveis se tornem beligerantemente defensivas. Eu experimentei repetidamente essas reações desde 1977, quando apresentei pela primeira vez a informação contida neste livro ao Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

Este estudo começou em 1968. Na época eu era um “pioneiro” ou evangelista em tempo integral para as Testemunhas de Jeová. No decorrer de meu ministério, um homem a quem eu estava dirigindo um estudo bíblico desafiou-me a comprovar a data que a Sociedade Torre de Vigia tinha escolhido para a desolação de Jerusalém pelos babilônios, a saber, 607 A.E.C. Ele indicou que todos os historiadores assinalavam esse evento como tendo ocorrido cerca de vinte anos depois, em 587 ou 586 A.E.C. Eu estava bem ciente disto, mas o homem queria saber as razões porque os historiadores preferiam esta última data. Eu disse que a datação deles com certeza não passava de uma suposição, baseada em fontes e registros antigos que eram deficientes. Assim como outras Testemunhas, eu presumia que a datação que a Sociedade faz da destruição de Jerusalém em 607 A.E.C. era baseada na Bíblia e, portanto, não podia ser contradita por aquelas fontes seculares. Contudo, prometi ao homem que verificaria o assunto.

Em resultado disso, empreendi uma pesquisa que acabou sendo muito mais extensa e minuciosa do que eu esperava. Ela continuou periodicamente por vários anos, desde 1968 até o fim de 1975. Nessa ocasião, o crescente peso da evidência contra a data 607 A.E.C. forçara-me a concluir, relutantemente, que a Sociedade Torre de Vigia estava errada.

Mais tarde, por algum tempo após 1975, discuti a evidência com alguns amigos chegados, também dados à pesquisa. Como nenhum deles conseguiu refutar a evidência demonstrada pela informação que eu reunira, decidi desenvolver um tratado elaborado sistematicamente sobre toda esta questão, para enviar à sede da Sociedade Torre de Vigia, em Brooklyn, Nova Iorque.

O tratado foi preparado e enviado para o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová em 1977. Este livro, que é baseado naquele documento, foi revisado e ampliado durante o ano de 1981 e depois foi publicado numa primeira edição em 1983. Ao longo dos anos que se passaram desde 1983, foram feitas muitas novas descobertas e observações relevantes para o assunto, e as mais importantes dentre elas foram incorporadas nas duas últimas edições. Por exemplo, as sete linhas de evidência contra a data 607 A.E.C., apresentadas na primeira edição, foram agora mais que duplicadas.

Correspondência com a sede da Torre de Vigia

Em 1977 comecei a corresponder-me com o Corpo Governante a respeito da minha pesquisa. Logo se tornou muito evidente que eles não conseguiam refutar a evidência apresentada. Na verdade, eles nem sequer fizeram qualquer tentativa nesse sentido até 28 de fevereiro de 1980. Enquanto isso, porém, fui avisado repetidamente para não revelar minhas descobertas a outros. Por exemplo, numa carta do Corpo Governante, datada de 17 de janeiro de 1978, foi-me dado o seguinte aviso:

Contudo, não importa quão forte possa ser a argumentação em apoio desses pontos de vista, eles devem, por enquanto, ser encarados como sua opinião. Não é algo sobre o qual o irmão deva falar ou tentar divulgar entre outros membros da congregação.[7]
 

Em adição, numa carta datada de 15 de maio de 1980, eles disseram:

Temos certeza que o irmão compreende que não seria apropriado da sua parte começar a divulgar os seus pontos de vista e conclusões sobre cronologia que sejam diferentes daqueles publicados pela Sociedade, de modo a causar sérias questões e problemas entre os irmãos.[8]
 

Eu aceitei esse conselho, pois a impressão que me deram foi que os meus irmãos espirituais na sede da Torre de Vigia precisavam de tempo para reexaminar todo o assunto de maneira abrangente. Na primeira resposta ao meu tratado, datada de 19 de agosto de 1977, eles declararam: “Lamentamos que o volume de trabalho aqui não nos tenha permitido até agora dar a ele [ao tratado] a atenção que gostaríamos.” E na carta de 17 de janeiro de 1978, escreveram:

Ainda não tivemos a oportunidade de examinar este material, pois outros assuntos urgentes estão ocupando nossa atenção. Contudo, analisaremos este material quando tivermos a oportunidade.... Pode ter certeza de que seus pontos de vista serão examinados por irmãos responsáveis.... Na ocasião apropriada esperamos analisar o seu tratado e avaliar o que está contido nele.
 

A julgar por estas declarações e outras similares, os representantes da Torre de Vigia na sede de Brooklyn pareciam dispostos a examinar de modo honesto e objetivo a informação apresentada a eles. Todavia, em muito pouco tempo a questão tomou um rumo bem diferente.

Interrogatório e difamação

No início de agosto de 1978, Albert D. Schroeder, um membro do Corpo Governante, teve uma reunião na Europa com representantes dos escritórios das filiais européias da Torre de Vigia. Nessa reunião, ele disse à assistência que havia uma campanha em andamento, tanto dentro da organização como fora dela, para derrubar a cronologia da Sociedade a respeito de 607 A.E.C. — 1914 E.C.[9] No entanto, a Sociedade não tem qualquer intenção de abandoná-la, disse ele.  

Tradução da carta:

Prezado Irmão Jonsson:

Temos em mãos sua carta de 12 de dezembro de 1977, e também o tratado que preparou, intitulado “Os Tempos dos Gentios Reconsiderados.”

Ainda não tivemos a oportunidade de examinar este material, pois outros assuntos urgentes estão ocupando nossa atenção. Contudo, analisaremos este material quando tivermos a oportunidade.

Apreciamos sua sinceridade em querer definir seus pontos de vista. Contudo, não importa quão forte possa ser a argumentação em apoio destes pontos de vista, eles devem, por enquanto, ser encarados como sua opinião. Não é algo sobre o qual o irmão deva falar ou tentar divulgar entre outros membros da congregação. Mencionamos isto porque o irmão diz em sua carta que vários irmãos examinaram o seu tratado e que “todos aguardamos ansiosamente vossos comentários.”

Conforme pode reconhecer, o que o irmão declara no seu tratado equivale a um abandono radical do entendimento atual que as Testemunhas de Jeová têm da cronologia. Temos certeza de que compreende que se forem feitas mudanças importantes, deveriam sê-lo de modo ordeiro, exatamente como foi o caso no primeiro século, com orientação proveniente de uma fonte central. (Atos 15:1, 2) Temos também certeza de que compreende que indivíduos promoverem e advogarem essas mudanças teria, não um efeito unificador, e sim divisório, que produziria confusão. Mencionamos-lhe isto pelo fato de o tratado que o irmão enviou conter uma declaração na primeira página descrevendo-o como “preparado por Testemunhas de Jeová, para Testemunhas de Jeová.” Dizer que algo é “preparado por Testemunhas de Jeová” significa que tem a aprovação das Testemunhas de Jeová como um corpo, e temos certeza de que o irmão percebe que este não é o caso do tratado em questão. Isto poderia dar uma falsa impressão e estamos seguros de que este não é o seu desejo. Pode ter certeza de que seus pontos de vista serão examinados por irmãos responsáveis e que se em algum momento tiver de ser feita uma mudança doutrinal, ela virá através dos canais apropriados. Isto é importante para preservar a unidade da organização de Jeová.

Esperamos que o irmão acate o conselho dado acima. Na ocasião apropriada, esperamos analisar o seu tratado e avaliar o que está contido nele.

Enviamos-lhe o nosso amor caloroso e os melhores cumprimentos.

 

Seus irmãos,

 

Sociedade Torre de Vigia de Bíblias & Tratados da Pensilvânia

Comissão de Redação do Corpo Governante

Três semanas depois, em 2 de setembro, fui convocado para uma audiência perante dois representantes da Sociedade Torre de Vigia na Suécia, Rolf Svensson, um dos dois superintendentes de distrito do país, e Hasse Hulth, um superintendente de circuito. Disseram-me que tinham sido encarregados pelo escritório da filial da Sociedade de fazer essa audiência porque “os irmãos” na sede de Brooklyn estavam profundamente preocupados com o meu tratado. Mais uma vez, fui avisado que eu não deveria divulgar a informação que tinha reunido. Rolf Svensson também me disse que a Sociedade não precisava nem queria que Testemunhas de Jeová individuais se envolvessem em pesquisas deste tipo.

Em parte devido a esta reunião, renunciei à minha posição como ancião na congregação local das Testemunhas de Jeová e também a todas as minhas outras tarefas e designações na congregação e no circuito. Fiz isto na forma de uma longa carta, dirigida ao corpo local de anciãos e ao superintendente de circuito, Hasse Hulth, na qual expliquei resumidamente os motivos para a posição que tomei. Logo se tornou amplamente conhecido entre meus irmãos Testemunhas em várias partes da Suécia que eu tinha rejeitado a cronologia da Sociedade.

Nos meses seguintes, eu e outros que tínhamos questionado a cronologia começamos a ser condenados em particular, bem como das tribunas dos Salões do Reino (locais de reuniões congregacionais) e em assembléias ou convenções das Testemunhas. Fomos caracterizados publicamente nos termos mais depreciativos, como “rebeldes”, “presunçosos”, “falsos profetas”, “pequenos profetas que criaram sua própria cronologiazinha” e “hereges”. Fomos chamados de “elementos perigosos nas congregações”, “escravos maus”, “blasfemadores”, bem como “imorais, que são contra a lei”. Em particular, alguns dos nossos irmãos Testemunhas, incluindo vários representantes viajantes da Sociedade Torre de Vigia, também insinuaram que estávamos “possuídos por demônios”, que tínhamos “inundado a Sociedade com críticas” e que “já deveríamos ter sido desassociados há muito tempo”. Estes são apenas alguns exemplos da ampla difamação que tem continuado desde então, embora nunca tenham sido mencionados publicamente nossos nomes, por motivos legais óbvios.

Que essa óbvia difamação não era somente uma ocorrência local, mas tinha a aprovação do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, torna-se evidente pelo fato de que declarações similares foram impressas na revista A Sentinela.[10]

Esta descrição da situação que se desenvolveu não foi feita com o objetivo de criticar as Testemunhas de Jeová como indivíduos. Estas pessoas normalmente são gentis e sinceras nas suas crenças. Em vez disso, a descrição foi feita para ilustrar quão fácil é um indivíduo cair involuntariamente vítima das reações psicológicas irracionais, descritas anteriormente nesta introdução. Numa carta para Albert Schroeder, datada de 6 de dezembro de 1978, descrevi o novo rumo dos eventos, chamando atenção para o triste fato de que embora meu tratado tenha sido elaborado com a maior ponderação e enviado à Sociedade com toda a sinceridade, eu me tornara vítima de calúnia, difamação e atentado moral:

Quão trágico é, pois, observar o desenvolvimento de uma situação na qual a atenção é desviada da questão levantada — a validade da data 607 A.E.C. — e dirigida para a pessoa que a levantou, e ela — não a questão — ser encarada como o problema! Como é possível que uma situação como essa se tenha desenvolvido em nossa organização?
 

A resposta a esta pergunta, à qual a Sociedade nunca respondeu oficialmente, encontra-se no mecanismo psicológico de defesa descrito pelo Dr. H. Dale Baumbach:

Indivíduos inseguros, quando confrontados com um problema que expõe sua insegurança, respondem instintivamente tentando destruir aquilo que atinge sua insegurança ou banindo o problema para o recôndito da mente.[11]
 

Espera-se que a consciência deste mecanismo de defesa ajude aqueles leitores que estão associados com as Testemunhas de Jeová a examinar a evidência apresentada neste trabalho com a devida consideração e mente aberta.

Posteriormente, a Sociedade Torre de Vigia tentou refutar a evidência contra a data 607 A.E.C., mas isto só foi feito depois de um representante especial do Corpo Governante na Suécia ter escrito à Sociedade pedindo-lhes que providenciassem uma resposta ao conteúdo do tratado que lhes fora enviado, dizendo-lhes que o autor ainda estava à espera de uma resposta. Este representante era o coordenador da obra da Sociedade na Suécia, Bengt Hanson.

Hanson veio me visitar em 11 de dezembro de 1979, para discutir a situação que se havia desenvolvido. Durante a nossa conversa, ele pôde perceber que era a evidência contra a data 607 A.E.C. que eu tinha apresentado à Sociedade — não eu, meus motivos ou atitude — que constituía a verdadeira questão. Se a evidência contra a data 607 A.E.C. era válida, então isto era um problema que devia ser de igual preocupação para qualquer Testemunha na organização. Em tais circunstâncias, minha atitude pessoal e motivos eram tão irrelevantes como os de outras Testemunhas.

Em resultado disto, no início de 1980 Hanson escreveu uma carta ao Corpo Governante, explicando a situação, dizendo-lhes que eu ainda estava esperando uma resposta para a evidência que reunira contra a cronologia deles. E assim, finalmente, quase três anos depois de eu ter enviado a eles o material da pesquisa, numa carta datada de 28 de fevereiro de 1980, foi feita uma tentativa de atacar a questão, em vez de o questionador.

Todavia, grande parte da argumentação apresentada limitou-se a uma repetição de argumentos anteriores, encontrados em vários lugares na literatura da Sociedade Torre de Vigia, argumentos esses que já tinham sido demonstrados como insatisfatórios no tratado. Em uma carta datada de 31 de março de 1980, respondi aos argumentos deles e acrescentei duas novas linhas de evidência contra a data 607 A.E.C. Assim, a Sociedade não só falhou em defender eficazmente sua posição, como também a evidência contra ela tornou-se consideravelmente mais forte.

A Sociedade não fez qualquer tentativa adicional de lidar de modo abrangente com o assunto até o verão setentrional de 1981, quando apareceu uma pequena discussão sobre ele no “Apêndice” do livro “Venha o Teu Reino” (páginas 186-190). Esta última discussão não acrescentou qualquer novidade aos argumentos anteriores e, para qualquer um que tenha estudado cuidadosamente o assunto da cronologia antiga, parece ser nada mais que uma débil tentativa de manter uma posição insustentável por esconder fatos. Isto é claramente demonstrado no último capítulo deste livro, intitulado “Tentativas de Neutralizar a Evidência”. O conteúdo do “Apêndice” da Sociedade Torre de Vigia, porém, convenceu-me finalmente de que os líderes desta organização evidentemente não estavam dispostos a deixar os fatos interferirem em doutrinas fundamentais e tradicionais. 

“Esperando em Jeová”

Deve-se notar que enquanto os representantes da Sociedade sentem-se perfeitamente à vontade para publicar qualquer argumento favorável à sua cronologia, eles têm ido a grandes extremos para tentar manter as Testemunhas de Jeová em grande ignorância quanto ao peso enorme da evidência contrária a ela. Desse modo eles não só me avisaram repetidamente para não compartilhar com outros a minha evidência contra a data 607 A.E.C., como também apoiaram a ampla difamação de toda e qualquer Testemunha de Jeová que tenha questionado a cronologia da organização. Esta maneira de proceder não é apenas injusta para com aqueles que questionaram; é também muito injusta para com as Testemunhas de Jeová em geral. Elas têm o direito de ouvir ambos os lados da questão e conhecer todos os fatos. É por isso que decidi publicar Os Tempos dos Gentios Reconsiderados.

É interessante que vários argumentos foram apresentados por representantes da Sociedade Torre de Vigia para justificar a posição segundo a qual fatos e evidência contrários aos seus ensinos não deveriam ser divulgados entre as Testemunhas de Jeová. Uma das linhas de raciocínio é a seguinte: Jeová revela a verdade gradualmente através da sua classe do “escravo fiel e discreto”, a quem Cristo designou “sobre todos os seus bens”. (Mateus 24:47, TNM) Esta classe do “escravo” se expressa através daqueles que supervisionam a publicação e a redação da literatura da Torre de Vigia. Desta forma, nós deveríamos esperar em Jeová — em outras palavras, esperar até que a organização publique “novas verdades”. Qualquer um que “corra à frente” da organização é então presunçoso, pois pensa que sabe mais do que “o escravo fiel e discreto”.

Todavia, esse argumento é inválido se as suposições da Sociedade referentes à cronologia bíblica estiverem erradas. Como assim? Porque o próprio conceito de que é possível identificar hoje uma “classe do escravo fiel e discreto” a quem Cristo, como o “amo” na parábola de Mateus 24:45-47, designou “sobre todos os seus bens”, baseia-se inquestionavelmente no cálculo cronológico segundo o qual o “amo” chegou em 1914 e fez essa designação poucos anos depois, em 1919. Se, conforme se mostrará nesta obra, os tempos dos gentios não terminaram em 1914, então desaparece a base para a afirmação de que Cristo regressou nesse ano, e os líderes da Torre de Vigia não podem reivindicar que foram designados “sobre todos os seus bens” em 1919. Se este é o caso, eles não podem nem mesmo alegar legitimamente que têm o monopólio designado por Deus para publicar “a verdade”.

Deve-se notar também que é o “amo” da parábola quem, ao chegar, decide quem é “o escravo fiel e discreto”, não os escravos por si mesmos. Assim, um grupo de indivíduos alegarem — na ausência do “amo” — que são “o escravo fiel e discreto”, elevando a si mesmos sobre todos os “bens” do amo, é em si mesmo uma presunção extrema. Por outro lado, dificilmente um indivíduo que não atribui a si mesmo qualquer posição elevada poderia ser encarado como presunçoso se publicar informação que contradiz alguns dos ensinos da Sociedade Torre de Vigia.

É claro que “esperar em Jeová” é a obrigação de todo cristão. Infelizmente, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, assim como muitos outros movimentos apocalípticos, tem “anunciado” vez após vez que chegou o tempo para o cumprimento das profecias de Deus, fazendo isto em todos os casos sem levar em conta os “tempos e épocas” do próprio Deus para o seu cumprimento. Este tem sido sempre o caso, desde os primórdios da década de 1870.

Quando os líderes do movimento da Torre de Vigia persistiram em ensinar por aproximadamente 55 anos (1876-1931) que Cristo tinha voltado invisivelmente em 1874, estavam eles estabelecendo um exemplo de “esperar em Jeová”?

Quando ensinaram que o “restante” da igreja de Cristo seria mudado (1 Tessalonicenses 4:17), primeiro em 1878, depois em 1881, depois em 1914, depois em 1915, depois em 1918 e depois novamente em 1925, eles “esperaram em Jeová”? [12]

Quando ensinaram que o fim do atual sistema de coisas viria em 1914, depois em 1918-20, depois em 1925, depois por volta de 1941-42, e depois novamente em 1975, estavam “esperando em Jeová”?[13]

Se 1914 não é o ponto em que terminam os “tempos dos gentios” como a Sociedade Torre de Vigia continua a defender, então as numerosas aplicações “proféticas” atuais advindas disso são provas adicionais de que a Sociedade ainda não está disposta a “esperar em Jeová”. À luz disso, e sob tais circunstâncias, parece um tanto descabido a Sociedade aconselhar outros a “esperar em Jeová”. Aquele que quer genuinamente esperar em Jeová não se pode limitar a esperar até que os líderes da Sociedade Torre de Vigia estejam prontos para fazer isso. Se, depois de cuidadosa consideração da evidência, esta pessoa chegar à conclusão de que a Sociedade Torre de Vigia produziu, dentro da estrutura de sua cronologia, um “cumprimento” claramente arbitrário da profecia bíblica no nosso tempo, então ela precisa parar de tentar impor persistentemente essa posição arbitrária a outros como uma crença obrigatória. Só assim se poderia dizer que ela está devidamente pronta para começar a “esperar em Jeová”.

A expulsão

Por mais de um século, as publicações da Torre de Vigia têm estado repletas de críticas pesadas e contínuas aos erros e males de outras denominações cristãs. Embora muitas vezes estas críticas sejam genéricas e superficiais, não raro são objetivas. A literatura da Torre de Vigia tem denunciado freqüentemente a intolerância mostrada no passado por várias igrejas contra membros dissidentes. “A Cristandade tem tido seus fanáticos — desde pessoas que incendiaram a si mesmas em protesto político até aqueles que agiram de modo intolerante para com os que tinham conceitos religiosos diferentes dos seus.”, observou A Sentinela de 15 de julho de 1987, página 28. Este tipo de intolerância encontrou uma terrível expressão na Inquisição, que foi estabelecida pela Igreja Católica Romana no século 13 e durou mais de seis séculos.

A palavra “Inquisição” é derivada da palavra latina inquisitio, que significa “exame”. É descrita resumidamente como “um tribunal estabelecido pela Igreja Católica Romana para descobrir e punir hereges e apóstatas”.[14] Qual era a situação das pessoas sob este intolerante governo clerical? A Sentinela de 1º de setembro de 1989 explica na página 3:

Ninguém tinha a liberdade de adorar como desejasse, ou de emitir opiniões que conflitassem com as do clero. Tal intolerância clerical gerou um clima de medo em toda a Europa. A igreja instituiu a Inquisição para eliminar indivíduos que ousassem sustentar conceitos diferentes.
 

Estas declarações poderiam dar a impressão de que a Sociedade Torre de Vigia, em contraste com a Igreja Católica Romana na Idade Média, age com tolerância para com membros que “sustentam conceitos religiosos diferentes dos seus” e defende o seu direito de expressarem opiniões conflitantes com os ensinos da organização. Entretanto, a verdade é que esta organização adota exatamente a mesma atitude da Igreja Católica medieval para com membros que sustentam opiniões religiosas diferentes. “Acautele-se dos que procuram apresentar suas próprias opiniões contrárias”, avisou A Sentinela de 15 de março de 1986, página 17. Respondendo à pergunta por que “desassociaram (excomungaram) as Testemunhas de Jeová por apostasia a alguns que ainda professam crer em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo”, a Sociedade Torre de Vigia disse:

Os que expressam tal objeção salientam que muitas organizações religiosas que afirmam ser cristãs permitem conceitos dissidentes. . . . Entretanto, tais exemplos não constituem nenhuma base para nós fazermos o mesmo. . . . Ensinar conceitos dissidentes ou divergentes não é compatível com o verdadeiro cristianismo.[15]
 

A Sociedade Torre de Vigia até mesmo estabeleceu tribunais inquisitoriais similares àqueles organizados pela Igreja Católica Romana na Idade Média, sendo a única diferença essencial que as “comissões judicativas” da Sociedade não têm autoridade legal para torturar fisicamente as suas vítimas. Eu sabia que as conclusões a que chegara resultariam posteriormente em ser julgado e expulso por esse “tribunal da inquisição”, se eu não deixasse a organização por minha própria iniciativa antes disso. Mas eu também sabia que em ambos os casos as conseqüências seriam as mesmas.

Depois de vinte e seis anos como Testemunha de Jeová ativa, eu estava agora, em 1982, disposto a deixar a organização Torre de Vigia. Estava muito claro para mim que isto significaria uma ruptura completa com o inteiro mundo social do qual eu fizera parte durante todos aqueles anos. As regras da Sociedade Torre de Vigia exigem que as Testemunhas de Jeová cortem todos os contatos com aqueles que deixam de pertencer à organização, quer isto aconteça devido à desassociação, quer seja por renúncia voluntária. Eu sabia que não só perderia praticamente todos os meus amigos, como também todos os meus parentes que estavam dentro da organização (três dos quais tinham mais de setenta anos, incluindo um irmão e duas irmãs e suas famílias, primos e suas famílias, etc.). Eu seria encarado e tratado como “morto”, embora minha “execução” física tivesse de esperar até a iminente “batalha do Armagedom”, uma batalha na qual as Testemunhas esperam que Jeová Deus aniquile para sempre todos os que não estão associados com a sua organização.[16]

Já por algum tempo, eu vinha tentando preparar-me emocionalmente para esta ruptura. Meu plano era publicar o meu tratado como uma despedida pública do movimento. Entretanto, não consegui aprontar o material para publicação antes de chegar uma carta do escritório da filial da Sociedade Torre de Vigia na Suécia, datada de 4 de maio de 1982. A carta era uma convocação para um interrogatório perante uma “comissão judicativa” formada por quatro representantes da Sociedade, que tinham sido designados, dizia a carta, para “averiguar qual é a sua atitude em relação à nossa crença e organização.”[17]

Dei-me conta de que meus dias dentro da organização estavam agora contados e que talvez não conseguisse aprontar meu tratado para publicação a tempo. Numa carta ao escritório da filial, tentei adiar a reunião com a comissão judicativa. Indiquei que, como eles sabiam muito bem, a base para a minha “atitude em relação à nossa crença e organização” consistia na evidência que eu apresentara contra a cronologia da Sociedade, e se eles queriam sinceramente mudar minha atitude, tinham de começar pela quantidade de evidência que era a base para minha atitude. Por isso, pedi que se permitisse aos membros da comissão fazer um exame completo do meu tratado. Depois disso, poderíamos razoavelmente ter uma reunião significativa.

Mas nem o escritório da filial nem os quatro membros da comissão judicativa mostraram qualquer interesse no tipo de discussão que eu havia proposto, e nem mesmo comentaram as condições que eu estabelecera para ter uma reunião significativa com eles. Numa breve carta, eles simplesmente repetiram a convocação para o interrogatório com a comissão. Parecia-me óbvio que eu já tinha sido julgado de antemão e que o julgamento para o qual eu tinha sido convocado seria apenas uma farsa macabra e sem sentido. Por isso, optei por não ir ao interrogatório e conseqüentemente fui julgado e desassociado na minha ausência em 9 de junho de 1982.

Tentando ganhar tempo, apelei da decisão. Uma chamada “comissão de apelação” de quatro novos membros foi designada e mais uma vez repeti numa carta as condições que achava razoáveis para ter uma conversa significativa com eles. A carta nem sequer foi respondida. Portanto, em 7 de julho de 1982 a nova comissão reuniu-se para outro julgamento simulado na minha ausência e, como se esperava, ela apenas confirmou a decisão da primeira comissão. Em ambos os casos a única questão “judicativa” considerada foi, obviamente, esta: Eu concordava totalmente ou não com o ensino da Torre de Vigia? A questão de saber se as razões para minha posição eram válidas, foi simplesmente tratada como irrelevante.

São as conclusões destrutivas para a fé?

Conforme indicado anteriormente, as conclusões a que se chega neste trabalho abalam as principais alegações e as interpretações apocalípticas da Sociedade Torre de Vigia. Portanto, tais conclusões poderiam causar alguma agitação entre as Testemunhas de Jeová, e os líderes da Sociedade temiam claramente que sua disseminação romperia a unidade do seu rebanho. Eu estava bem apercebido de que os meus esforços seriam interpretados pelos representantes da Torre de Vigia como uma tentativa de destruir a fé e romper a unidade da “verdadeira congregação cristã”. Mas a fé deveria corretamente estar em harmonia com a verdade, com os fatos, e isto inclui os fatos históricos. Assim, senti-me confiante de que publicar os fatos sobre o assunto em questão não perturbaria a paz e a unidade entre aqueles que são verdadeiramente cristãos. A verdadeira unidade é baseada no amor entre eles, pois o amor é o “perfeito vínculo de união”. — Colossenses 3:14.

Por outro lado, existe também uma falsa unidade, baseada, não no amor, mas no medo. Essa “unidade” é típica das organizações autoritárias, tanto políticas como religiosas. É uma unidade mecanicista, imposta pelos líderes dessas organizações, que querem manter a sua autoridade e controle sobre os indivíduos — uma unidade que não depende da verdade. Nessas organizações, os indivíduos relegam para as autoridades centrais o seu direito e responsabilidade de pensar, falar e agir livremente. Como a evidência e as conclusões que são apresentadas neste trabalho derrubam as pretensões autoritárias da Sociedade Torre de Vigia, é possível que a publicação deste trabalho possa ser uma ameaça à unidade imposta dentro desta organização. Mas a verdadeira unidade baseada no amor entre os indivíduos cristãos, cuja “comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo”, certamente não será afetada por isto. — João 17:21-23; 1 João 1:3, NVI.

Assim, mesmo que as pretensões proféticas e interpretações da Sociedade Torre de Vigia se mostrem sem fundamento, nada de real valor se perderá quando estas coisas se dissolverem e desaparecerem. Um cristão ainda tem a Palavra de Deus, a verdadeira fonte de verdade e esperança. Cristo ainda é seu Senhor, sua única esperança de uma vida futura. E ele ainda continuará a desfrutar de paz e unidade cristã, com seu Pai, com Jesus Cristo e com aqueles indivíduos na terra que se tornarão seus verdadeiros irmãos e irmãs. Mesmo que ele tenha sido expulso de um sistema religioso autoritário por aceitar aquilo que vê claramente como sendo verdade, Cristo não o abandonará, pois ele disse: “... onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles”. (João 9:30, 34-39; Mateus 18:20, NVI) A resposta à pergunta: “Para onde iremos sem a organização?” ainda é a mesma da época dos apóstolos, quando Pedro disse: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna”. (João 6:68) É Cristo, não uma organização, quem tem “declarações de vida eterna”.[18]

Ao longo dos anos que passaram desde que esta pesquisa começou, vim a conhecer pessoalmente ou por carta, um crescente número de Testemunhas de Jeová em diferentes níveis da organização Torre de Vigia, que examinaram profundamente a questão da cronologia e chegaram independentemente às mesmas conclusões que são apresentadas neste livro. Alguns destes homens tentaram muito arduamente defender a cronologia da Sociedade, antes de serem forçados pela evidência bíblica e histórica a abandoná-la. Entre esses estão membros da comissão de pesquisa da Torre de Vigia encarregada de produzir o dicionário bíblico da Sociedade, Ajuda ao Entendimento da Bíblia. A seção sobre cronologia nesta obra, nas páginas 322 a 348 [382-399, no primeiro volume da edição em português] ainda é a abordagem mais hábil e abrangente sobre a cronologia da Torre de Vigia que já foi publicada por essa organização.[19] No entanto, o indivíduo que escreveu o artigo em questão por fim apercebeu-se que a data da Sociedade para a queda de Jerusalém diante dos babilônios, 607 A.E.C., não podia ser defendida, e mais tarde ele a abandonou por completo, junto com todos os cálculos e ensinos baseados nela. Numa carta que me escreveu, ele declarou:

Ao desenvolver o verbete ‘Cronologia’ para Ajuda ao Entendimento da Bíblia, o período neobabilônico, que se estende desde o reinado de Nabopolassar, pai de Nabucodonosor, até o reinado de Nabonido e a queda de Babilônia, apresentou um problema particular. Como Testemunhas de Jeová, estávamos obviamente interessados em encontrar e apresentar alguma evidência, por menor que fosse, em apoio do ano 607 A.E.C. como sendo a data para a destruição de Jerusalém no décimo oitavo ano de Nabucodonosor. Eu estava bem ciente do fato de os historiadores invariavelmente indicarem uma data vinte anos depois, situando o início do reinado de Nabucodonosor em 605 A.E.C. (seu ano de ascensão), em vez de 625 A.E.C., a data usada nas publicações da Torre de Vigia. Eu sabia que a data 607 A.E.C. era crucial para a interpretação da Sociedade a respeito dos ‘sete tempos’ de Daniel capítulo quatro apontarem para o ano 1914 E.C.

Esse esforço exigiu uma grande quantidade de pesquisa. Na época (1968), Charles Ploeger, um membro do pessoal da sede da Torre de Vigia, foi designado como meu assistente. Ele passou muitas semanas procurando nas bibliotecas da cidade de Nova Iorque por quaisquer fontes de informação que pudessem dar alguma validade à data 607 A.E.C. como o momento da destruição de Jerusalém. Fomos também à Universidade Brown entrevistar o Dr. A. J. Sachs, um especialista em textos astronômicos relacionados com os períodos neobabilônico e adjacentes. Nenhum destes esforços produziu qualquer evidência em apoio da data 607 A.E.C.

Devido a isto, quando escrevi o artigo sobre ‘Cronologia’ dediquei uma parte considerável da matéria a esforços para mostrar as incertezas existentes nas fontes históricas antigas, incluindo não só fontes babilônicas, como também egípcias, assírias e medo-persas. Embora eu ainda acredite que alguns dos pontos apresentados quanto a tais incertezas sejam válidos, sei que a argumentação surgiu de um desejo de manter uma data para a qual simplesmente não há evidência histórica. Se a evidência histórica contradissesse realmente alguma declaração clara da Bíblia, eu não hesitaria em considerar o relato bíblico como mais confiável. Mas apercebi-me de que a questão não é uma contradição de uma declaração clara das Escrituras, mas sim contradição de uma interpretação que é atribuída a certas partes das Escrituras, dando-lhes um significado que não está na própria Bíblia. As incertezas que se encontram em tais interpretações humanas são certamente iguais às incertezas que se encontram nos relatos cronológicos da história antiga.[20]

 

Agradecimentos

Antes de concluir esta introdução, eu gostaria de agradecer às muitas pessoas bem informadas, ao redor do mundo, algumas das quais ainda eram Testemunhas de Jeová na época em que este tratado foi escrito, e que, pelo seu encorajamento, sugestões, críticas e perguntas, contribuíram grandemente para este tratado. Entre estes, devo mencionar primeiramente Rud Persson, de Ljungbyhed, Suécia, que participou no trabalho desde uma fase inicial e que, mais do que qualquer outra pessoa, ajudou-me nestes aspectos. Outros amigos com os mesmos antecedentes, especialmente James Penton e Raymond Franz, foram de grande ajuda em preparar o livro para publicação por aprimorarem meu inglês e a gramática.

Com respeito à seção ideo-histórica (capítulo 1), meus contatos com o perito sueco Dr. Ingemar Lindén estimularam meu interesse e iniciaram a minha pesquisa nesta área. Alan Feuerbacher, de Beaverton, Oregon (agora em Fort Collins, Colorado) forneceu documentos importantes para esta seção. Para os capítulos sobre cronologia neobabilônica (capítulos três e quatro), os contatos com autoridades em textos cuneiformes babilônicos foram de incalculável ajuda. Isto se aplica particularmente ao Professor D. J. Wiseman, da Inglaterra, que é um dos principais peritos no período neobabilônico; Sr. C. B. F. Walker, curador adjunto do Departamento de Antiguidades do Oriente Próximo, do Museu Britânico, em Londres, agora aposentado; Professor Abraham J. Sachs, dos EUA; Professor Hermann Hunger, da Áustria, que desde a morte de Abraham Sachs, em 1983, é o principal perito em textos de observações astronômicas de Babilônia; Dr. John M. Steele, de Toronto, Canadá, e Dra. Béatrice André, do Museu do Louvre em Paris. Por fim, nas seções exegéticas (capítulos 5 a 7), diversos competentes lingüistas e hebraístas compartilharam gentilmente comigo seus conhecimentos, especialmente o Dr. Seth Erlandsson, de Västerås, Suécia; Dr, Tor Magnus Amble e Dr. Hans M. Barstad, ambos de Oslo, Noruega, e o Professor Ernst Jenni, de Basiléia, Suíça.

Acima de tudo, porém, meus agradecimentos vão para o Deus da Bíblia, que no Velho Testamento, da época de Moisés em diante, leva o nome pessoal Iavé ou Jeová, mas que encontramos no Novo Testamento e do qual nos podemos aproximar como nosso Pai celestial, pois esta pesquisa foi feita sob a oração constante pela sua ajuda e entendimento. Toda a honra cabe a Ele, pois sua Palavra de verdade é que foi a base deste estudo. Embora certas teorias religiosas e interpretações se tenham provado insustentáveis e tiveram de ser rejeitadas, sua Palavra profética foi confirmada, vez após vez, durante a pesquisa bíblica e histórica relacionada com o assunto em consideração. Esta experiência fortalecedora da fé foi uma bênção real e duradoura para mim. Minha esperança é que o leitor seja abençoado de modo similar.

Carl Olof Jonsson
Göteborg, Suécia, 1982
Revisado em 1998 e 2004



* NOTA DO TRADUTOR: No Brasil, por questões legais, o nome da entidade jurídica é “Associação das Testemunhas Cristãs de Jeová” (ATCJ). As menções que este livro faz à “Sociedade Torre de Vigia” referem-se primariamente à organização matriz, em Nova Iorque, EUA.

[1] As designações “A.E.C.” (Antes da Era Comum) e “E.C.” (Era Comum) costumeiramente usadas pelas Testemunhas de Jeová, correspondem a “A.C.” e “A.D.” São freqüentemente usadas em literatura acadêmica, especialmente por autores judaicos, e foram adotadas pela Sociedade Torre de Vigia, conforme será visto nas citações das publicações da Torre de Vigia subseqüentes. A bem da consistência, estas designações, A.E.C. e E.C., são geralmente usadas neste livro, exceto nos casos em que se cita matéria que usa as designações A.C. e A.D.

[2] Itálico e ênfase acrescentados. O ex-presidente da Sociedade Torre de Vigia, Frederick W. Franz, na consideração matinal da Bíblia com a família da sede, em 17 de novembro de 1979, afirmou de modo ainda mais enérgico a importância da data 1914, dizendo: “O único propósito da nossa existência como Sociedade é anunciar o Reino estabelecido em 1914 e soar o aviso da queda de Babilônia, a Grande. Temos uma mensagem especial a transmitir.” (Em Busca da Liberdade Cristã, Raymond Franz, Atlanta: Commentary Press, 1991, págs. 32 e 33, em inglês).

[3] A Sentinela de 1º de janeiro de 1988, págs. 10 e 11.

[4] A Sentinela de 1º de setembro de 1985, págs. 18 e 19.

[5] A Sentinela de 1º de outubro de 1982, pág. 27. Em A Sentinela de 15 de julho de 1992, página 12, tais dissidentes são descritos como “inimigos de Deus” que “odeiam Jeová intensamente”. Portanto, as Testemunhas são incentivadas a “odiar” essas pessoas “com ódio consumado.” Esta exortação foi repetida em A Sentinela de 1º de outubro de 1993, página 19, onde se afirma que “o mal está tão entranhado” nos “apóstatas” que “se tornou parte inseparável da sua constituição.” Chegou-se a dizer às Testemunhas para pedirem que Deus os mate, em imitação ao salmista Davi, que orou acerca dos seus inimigos: “Oh! que tu, ó Deus, matasses ao iníquo.” Desta maneira as Testemunhas “deixam que Jeová execute a vingança.” Esses ataques rancorosos a ex-membros da organização refletem uma atitude que é diametralmente oposta àquela recomendada por Jesus em seu Sermão do Monte. — Mateus 5:43-48.

[6] A Sentinela de 1º de abril de 1986, págs. 30 e 31.

[7] Nunca se dão os nomes dos autores das cartas escritas pela Sociedade Torre de Vigia. Em vez disso, usam-se símbolos internos. O símbolo “GEA”, no canto superior esquerdo desta carta, mostra que o autor foi Lloyd Barry, um dos membros do Corpo Governante.

[8] O símbolo “EF” mostra que o escritor desta carta foi Fred Rusk, do Departamento de Redação. Para ler a correspondência completa veja:

   http://user.tninet.se/~oof408u/fkf/english/corr.htm

[9] Além do meu tratado, que veio de dentro da organização, Schroeder poderia estar pensando em duas publicações (ambas em inglês), escritas por pessoas que não eram Testemunhas e que atacavam a cronologia da Sociedade: As Testemunhas de Jeová e a Especulação Profética, de Edmund C. Gruss (Nutley, N.J.: Cia. Publicadora Presbiteriana e Reformada, 1972), e 1914 e a Segunda Vinda de Cristo, de William MacCarty (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1975).

[10] Abandonar o cálculo 607 A.E.C. - 1914 E.C. significa abandonar também aquelas interpretações baseadas nele, como a idéia de que o reino de Deus foi estabelecido em 1914 e que a “presença invisível” de Cristo começou naquele ano. Com respeito às Testemunhas de Jeová que não podem aceitar tais idéias, A Sentinela de 1º de março de 1980 declarou na página 13: “Pessoas que são contra a lei até mesmo têm tentado penetrar na verdadeira congregação cristã, argumentando que a ‘prometida presença’ do Senhor não ocorrerá nos dias atuais . . . Os desta espécie estão incluídos no aviso de Jesus, registrado em Mateus 7:15-23: “Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes. . . . [Naqueles dias] eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.”. Em adição, A Sentinela de 1º de fevereiro de 1981 disse na página 19: “Pedro estava também falando sobre o perigo de se ser ‘desviado’ por alguns dentro da congregação cristã, que se tornariam ‘ridicularizadores’, fazendo pouco do cumprimento das profecias a respeito da ‘presença’ de Cristo e adotando uma atitude desafiadora da lei para com o ‘escravo fiel e discreto’, o Corpo Governante da congregação cristã e os anciãos designados.” [Os itálicos são meus.] Veja também o parágrafo 11 na mesma página e o parágrafo 14 na página 20 da mesma edição da revista.

[11] Spectrum, Vol. 11, Nº. 4, 1981, pág. 63, em inglês. (Este periódico foi publicado pelas Associações de Fóruns Adventistas, Box 4330, Takoma Park, Maryland, EUA) A revista Despertai! de 22 de março de 1985 explicou de forma similar que esse comportamento é sinal de “uma mente fechada”, dizendo: “Para exemplificar, se não pudermos defender nossos conceitos religiosos, talvez verifiquemos que atacamos implacavelmente os que questionam nossas crenças, não com argumentos lógicos, mas com termos depreciativos ou com insinuações. Isto sabe a preconceito e a uma mente fechada.” (Página 4; compare também com a Despertai! de 22 de maio de 1990, pág. 12.)

[12] A Torre de Vigia (em inglês) de 1º de fevereiro de 1916, pág. 38; 1º de setembro de 1916, págs. 264 e 265; 1º de julho de 1920, pág. 203.

[13] Está Próximo o Tempo (= Vol. 2 da série Estudos das Escrituras, publicado em inglês em 1889), págs. 76-78; O Mistério Consumado (= Vol. 7 de Estudos das Escrituras, publicado em inglês em 1917), págs. 129, 178, 258, 404, 542; Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão (1923), págs. 52, 53 (edição portuguesa) ou págs. 110-112 (edição brasileira); A Sentinela (em inglês) de 9 de setembro de 1941, pág. 288; Despertai! de 22 de abril de 1967, pág. 20; A Sentinela de 1º de novembro de 1968, págs. 659 e 660.

[14] Enciclopédia sueca Nordisk Familjebok, Vol. 11 (Malmö: Förlagshuset Norden AB, 1953), pág. 35.

[15] A Sentinela de 1º de abril de 1986, págs. 30 e 31.

[16] As regras da desassociação (excomunhão) são abordadas, por exemplo, na Sentinela de 15 de dezembro de 1981, páginas 16-27, e na Sentinela de 15 de abril de 1988, páginas 26-31. Com respeito à destruição pendente do atual sistema mundial, A Sentinela de 1º de setembro de 1989 diz na página 19: “Apenas as Testemunhas de Jeová, os do restante ungido e os da “grande multidão”, qual organização unida sob a proteção do Organizador Supremo, têm esperança bíblica de sobreviver ao iminente fim deste sistema condenado, dominado por Satanás, o Diabo.”. (Compare também com A Sentinela de 15 de setembro de 1988, páginas 14 e 15)

[17] Provavelmente a ação foi tomada a pedido da sede em Brooklyn, Nova Iorque. Conforme Raymond Franz, que foi membro do Corpo Governante até maio de 1980, escreveu-me depois, numa carta datada de 7 de agosto de 1982: “Suponho que havia concluído antecipadamente que a Sociedade tomaria ação em relação a você. No meu próprio caso, senti que era só uma questão de tempo até que eles fizessem algo a meu respeito, não importa quão moderada fosse a postura que eu mantivesse. Eu não duvidaria de que no seu caso o escritório da filial contatou Brooklyn e foi incentivado a tomar ação.”

[18] Nos comentários da Sociedade Torre de Vigia sobre este texto, a “organização” substituiu Cristo como sendo a quem devemos ir para encontrar “vida eterna”. Veja, por exemplo, A Sentinela de 15 de agosto de 1981, pág. 19 e 1º de agosto de 1982, pág. 31.

[19] Ajuda ao Entendimento da Bíblia foi publicado por completo em inglês em 1971 [a edição em português tem 4 volumes. Os primeiros três foram publicados em 1982 e o quarto em 1983]. Uma edição ligeiramente revisada em dois volumes foi publicada em inglês em 1988 [em português são três volumes, publicados entre 1990 e 1992]. A novidade mais importante é a inclusão de ajudas visuais (mapas, imagens, fotografias, etc.), todas em cores. Contudo, o nome do dicionário foi mudado para Estudo Perspicaz das Escrituras evidentemente porque os três principais autores, Raymond Franz, Edward Dunlap e Reinhard Lengtat, deixaram a sede em 1980 e dois deles, Franz e Dunlap, foram desassociados devido às suas opiniões divergentes. Em Estudo Perspicaz das Escrituras, mais da metade do conteúdo do artigo original sobre “Cronologia” foi cortado (veja o Vol. 1, págs. 601-622), sendo a razão provável a informação sobre o assunto, apresentada no tratado enviado à sede em 1977, bem como um reconhecimento da fragilidade das alegações da organização.

[20] Raymond Franz, ex-membro do Corpo Governante, escreveu esta carta, datada de 12 de junho de 1982.