Adventistas e Testemunhas de Jeová

OS ADVENTISTAS E AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ podem ser enquadrados dentro da tradição milenarista. Várias seitas1 dessa tradição têm se caracterizado por sua oposição ao desenvolvimento e institucionalização das Igrejas cristãs que se comprometem e se acomodam às realidades políticas e econômicas da situação vigente.

Enquanto para a Igreja tradicional a salvação é concebida como algo essencialmente individual e independente da situação político-econômica – a Igreja ensina que o prêmio para a virtude será concedido no céu, após a morte – para a seita milenarista o conceito de salvação é exatamente o oposto. Ela ensina que a recompensa aos justos será dada ainda na Terra. Entretanto, o mundo será radicalmente reorganizado, governado não por poderes políticos e econômicos, mas por princípios de justiça e verdade eternos, formalizados na pessoa e nos ensinamentos de Cristo, designado por Deus para governar o mundo renovado.

Todo o milenarismo representa um protesto real, ainda que indireto, contra o estado de coisas que se observa no mundo – contra um sistema cujos defeitos são realçados por alguns princípios da ordem a ser instaurada. O Novo Mundo é basicamente uma ordem moral – e a moralidade que se corporifica nele não é, de maneira alguma, aquela que é própria das ações do proprietário, do comerciante ou do industrial, pois o milenarismo é, basicamente, a religião dos oprimidos.

Afirmar que o milenarismo é uma forma de protesto não requer, entretanto, a necessidade de classificá-lo como um protesto abertamente político. Apesar disso, durante a Idade Média na Europa e, até certo ponto nas colônias americanas, os movimentos milenaristas forneceram, em diversas épocas, um ponto de apoio para os movimentos revolucionários políticos e econômicos a que haviam sido negadas outras possibilidades de organização e de expressão. Os grupos milenaristas que optam pelo ativismo – aqueles que planejam desempenhar um papel positivo e real na purificação e reorganização do mundo – são, em certo sentido, pré-políticos. Mas somente nesse sentido: quando não foi deixada em aberto qualquer possibilidade de organização política mais ampla, devido ao controle exercido pela classe dominante opressora.

O núcleo de qualquer grupo ou movimento milenarista sempre consiste naqueles que – interpretando os fenômenos contemporâneos em termos das profecias bíblicas – acreditam ser iminente a segunda vinda de Cristo e a consequente destruição do “velho” mundo. Não são grupos “políticos” no sentido convencional do termo, pois seu protesto é passivo e genérico. Entretanto, excluir a motivação política dos que participam desses grupos de forma alguma significa excluir as possíveis implicações não religiosas: uma Igreja é, ao mesmo tempo, uma entidade norteada por certo conjunto de crenças e de ritos, assim como é uma associação de homens. Nem sempre é possível descobrir qual aspecto é o motivo mais forte para que alguém decida ingressar num desses grupos religiosos.

A FONTE DA VERDADE

A salvação pela fé e o desenvolvimento da santidade pessoal são elementos importantes na tradição protestante. Permanecem como elementos críticos na medida em que se opõem às orientações da Igreja estabelecida – que se proclama a única com poder para guiar os fiéis à salvação, como mediadora entre o homem e Deus. Mesmo na Inglaterra do século 17 existiam numerosas sociedades laicas preocupadas com a busca de uma vida santificada. Essas atividades, porém, não levavam seus membros a deixar suas respectivas Igrejas. A busca individual da salvação, entretanto, floresceu na instável sociedade de fronteira dos Estados Unidos, onde os metodistas desempenharam inicialmente um importante papel com seus encontros de reavivamento espiritual. Não eram novos nos Estados Unidos e mesmo assim encontravam a oposição das sóbrias assembleias de ministros e de respeitáveis leigos. Apesar disso, as assembleias ao ar livre, os pregadores mais ou menos ocasionais e o entusiasmo religioso popular logo integraram o panorama americano, em especial nas áreas mais novas e socialmente menos organizadas.

O estilo teológico predominante dessas campanhas era o fundamentalismo; a Bíblia era tratada como fundamento de toda verdade religiosa, ponto de referência irremovível numa sociedade cujas normas de conduta se reformulavam devido às mudanças rápidas e aparentemente desordenadas que a realidade apresentava.

Desconfiada da autoridade estabelecida e das sutilezas intelectuais, que associavam à classe dos comerciantes “desumanos” e “parasitas” das grandes cidades da costa leste, a população rural queria provas indiscutíveis e acessíveis a todos. Na religião, a única prova capaz de satisfazer a esses crentes era a palavra da Bíblia, já culturalmente definida como palavra de Deus. Mais do que isso, confiava-se na palavra da Bíblia sem as interpretações ministeriais. Essa atitude não era simplesmente anticlerical, e sim uma rejeição da antiga autoridade que deveria ainda provar seu valor para ser aceita. Entretanto, se a Bíblia aparecia como a fonte mais autorizada das verdades religiosas, era em si cheia de promessas e profecias obscuras que necessitavam de interpretação, necessidade para a qual se voltou a especulação dos adventistas em escala internacional, durante e depois das guerras napoleônicas (fim do século 18 – início do século 19).

Esse Adventismo assumia mais frequentemente a forma de especulação sobre o destino das nações do que atuava como veículo para a expressão do conflito de classes. Espalhou-se e se enraizou rapidamente pelos Estados Unidos, de modo particular e mais dramático nas áreas cultural e economicamente mais atrasadas.

O Adventismo reavivou também o interesse pelo estudo dos livros proféticos da Bíblia (especialmente o Livro de Daniel), aproveitando os estudos de grandes matemáticos ingleses sobre o advento final de Cristo. Esse movimento não era apenas de caráter internacional. Congregava também pessoas dos mais variados credos: “católicos, batistas, anglicanos, metodistas, presbiterianos, luteranos e outros se dedicaram com afinco ao estudo do Livro de Daniel, capítulo 8, versículo 14 – ao estudo do Santuário”. Estudavam, sob a orientação de Miller, a profecia dos 2.300 anos: o fim desse período marcaria a purificação do Santuário, que, para a opinião geral, significaria a purificação da Terra por meio da segunda vinda de Cristo, que se daria na quinta década do século 19.

Em 1818, Guilherme Miller, fazendeiro e ex-oficial do Exército americano, convenceu-se de que o Segundo Advento poderia ser deduzido com precisão a partir das Escrituras: deveria ocorrer entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. Entretanto, Miller não divulgou sua previsão até 1831, quando sua pregação foi calorosamente recebida no Estado de Nova Iorque. Dentro em pouco ele passou a receber convites para pregar em igrejas batistas, presbiterianas e outras. Em consequência, Miller assumiu, aos poucos, a liderança de um movimento adventista que crescia rapidamente, sustentado por mais de duzentos teólogos de todas as Igrejas cristãs. Esse movimento conseguiu unir cerca de 15.000 pessoas em reuniões religiosas – número este bastante expressivo, considerando-se que as cidades de Filadélfia e Boston tinham 25.000 habitantes cada uma e Nova Iorque, 40.000.
 

Interpretando os fenômenos contemporâneos em termos de profecia bíblica, os Adventistas e as Testemunhas de Jeová consideram iminente a segunda vinda de Cristo e a consequente destruição deste mundo de pecado.

 

Missão adventista em Reserva dos Navajos, Vale do Monumento, Utah, EUA, no início da década de 1970.

 

Filial das Testemunhas de Jeová, em Tatuí - São Paulo, Brasil (1997).

Quando a data marcada para a Vinda tornou-se próxima, as atividades evangélicas se aceleraram. Joshua Himes, ministro de uma igreja batista, promoveu conferências; várias centenas de pregadores itinerantes foram contratados, e lançaram-se dois periódicos especiais. O próprio Miller proferiu trezentas conferências no intervalo de três meses. Nesse ponto, até mesmo os cristãos ortodoxos estavam em condições de aceitar as interpretações dos adventistas sobre os acontecimentos como sinais da mudança cataclísmica iminente. Entretanto, mais excepcional do que os fatos, parece ter sido a maneira como todos estavam dispostos a interpretá-los. Uma chuva de meteoritos, em 1833, por exemplo, constituiu um evento incomum, mas sua significação na época só pôde ser entendida no contexto cultural do fundamentalismo e da situação mais imediata de muitas pessoas sustentando crenças que, por si próprias, provavelmente jamais teriam levado a sério.2 Excitados pela aproximação do tempo designado e pelo prodigioso aparecimento dos meteoritos, os crentes tornaram a atmosfera nos encontros das tendas ainda mais excitante.

 

 

A chuva de meteoritos em 1833, conforme representada no livro O Novo Mundo (Igreja Adventista do Sétimo Dia - Movimento da Reforma)

 

A tabela cronológica usada pelos expositores das datas "proféticas" milleristas. Destaque para os anos de 1798 e 1843, ao pé da tabela.

O fim de 1833 chegou e foi grande o desapontamento. A nova data, fixada para 1844, passou a ser esperada.3 Mas, repetiu-se a desilusão dos crentes no Advento: nenhuma mudança visível ocorreu.

Na verdade, fora Y. Ynow, conferencista do Adventismo, que fixara a data da segunda vinda de Cristo em 22 de outubro de 1844 – correspondente ao dia da Expiação do antigo Judaísmo.

Durante esses acontecimentos, os adeptos de Miller não chegaram a se constituir numa seita distinta, pois eram membros de várias denominações e encontravam pouca hostilidade por parte de seus correligionários. Paradoxalmente, foi depois do desapontamento de 1833, que os adventistas se constituíram numa organização distinta, designada como Adventistas do Sétimo Dia. Esse desenvolvimento foi, porém, bastante vagaroso e não ocorreu somente com base na fé adventista comum. Novos profetas e novas revelações haveriam de surgir para dissipar as trevas. O desdém público havia crescido por causa da enganosa crença de que 1833/44 seria o encerramento da porta da graça. Isso acabou por gerar um retorno à Bíblia, pois “o erro deveria estar neles e não na Bíblia”: apesar do não-cumprimento material e da variedade de explicações, “todas as profecias se cumpriram ipsis litteris”.4

Alguns continuaram a aceitar um breve adiamento, outros, entretanto, deixaram de acreditar nas palavras proféticas de Miller. O próprio Miller perdeu efetivamente toda a iniciativa. Não conseguiu mais tomar qualquer medida inovadora, apegando-se à idéia de que o retorno do Senhor estava próximo. Sua posição, porém, não bastou para manter os adventistas num grupo unido e coeso.

A primeira posição dos adventistas – de que a Verdade seria acessível a todos – foi modificada pela idéia de que a revelação profética seria dada a alguns cujos pronunciamentos deveriam ser aceitos como verdadeiros. Duas visões foram então particularmente bem recebidas: a de Hiram Edson e a de Ellen Harmon (mais tarde Ellen Gould White). Entretanto, foram as visões de Ellen que acabaram por fundamentar as posições do grupo mais organizado que se formaria a partir das bases dispersas do “Millerismo”.

Edson explicou a não-concretização da Segunda Vinda devido à responsabilidade de Cristo em completar sua obra no segundo compartimento do Santuário no céu. Até 1844, Cristo estivera ocupado com o serviço diário de Sumo Sacerdote, procurando alcançar o perdão para os pecados dos homens; depois de 1844 ele se dedicaria a apagar o pecado da face da Terra. Estaria agora em andamento um Juízo Investigativo para descobrir quem, dentre os mortos, mereceria a ressurreição e quem, dentre os vivos, mereceria a transladação. Todo pecado seria finalmente atribuído a Satanás – o bode expiatório – até que ocorresse sua destruição final. Proclamando-se com o dom da profecia, Ellen Gould White conquistou adeptos entre os adventistas, através de escritos que são divulgados até os tempos atuais. Suas visões transformaram-se em cânon do Adventismo, sendo suas revelações escritas consideradas como “o dom da profecia”. Suas visões serviram para confirmar e identificar a igreja nascente dos adventistas como a “última Igreja” de que fala a profecia bíblica.

Não surgiu, porém, imediatamente a esses acontecimentos, uma seita definida, como indica um relato dos próprios adventistas: “Adventistas de várias igrejas reuniam-se constantemente para o estudo das Escrituras, e outras verdades que haviam sido esquecidas pelo Cristianismo foram descobertas e explicadas”.5 Uma doutrina e um movimento consolidados só apareceram umas duas décadas depois do fracasso da profecia inicial de Miller. A doutrina de que a “purificação do Santuário” – tema das especulações e cálculos de Miller – “seria o início do Juízo Investigativo e não o Juízo Executivo, o fim do mundo”, passou a explicar a não-concretização da Segunda Vinda.6


 

Uma das primeiras igrejas adventistas nos EUA (século 19)

 

Ellen White discutindo sobre o texto bíblico

Apesar disso, sob a liderança de James White e Ellen Gould White, cresceu a importância doutrinária do Sétimo Dia como Dia do Senhor. A observância rigorosa desse dia por parte dos adeptos do Adventismo impôs-se como condição necessária para a salvação.

A vigorosa liderança dos White inspirava cada vez mais a confiança na formação de uma base para o desenvolvimento de um conjunto distinto de crenças. No evangelismo, o zelo dos adventistas observadores do sábado foi orientado em direção à disseminação da mensagem do Terceiro Anjo a respeito do Sábado (Sabbath) ou Dia do Senhor (Apocalipse 14:6-11). A propagação da mensagem foi vista como tarefa imperativa: os homens deveriam ouvir a verdade sobre o Sabbath antes que ocorresse o Advento. Apesar de não estar formalmente organizado como Igreja Adventista do Sétimo Dia até o ano de 1860, o movimento se expandiu vigorosamente, vindo a desempenhar um papel realmente ativo em missões nos Estados Unidos durante os anos 60 do século 19 e em áreas estrangeiras, nos anos 70 daquele mesmo século.7

 

Imagem: A primeira edição do jornal "A Verdade Atual", publicado por James White. Neste, ele defendia a idéia de que o Sábado semanal foi instituído por Deus no momento da Criação, e não na Lei Mosaica, transmitida no Monte Sinai.

Charles Taze Russell envolveu-se inicialmente com o Adventismo nos Estados Unidos. Entretanto, seguindo um caminho próprio, chegou a conclusões diferentes daquelas dos Adventistas do Sétimo Dia. Foi o fundador de um grupo religioso que viria a ser conhecido como Testemunhas de Jeová.

AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

Nascido em 1852 em Allegheny, Pensilvânia, Russell foi educado no Presbiterianismo. Mais tarde renunciou a ele por causa da doutrina “mesquinha” da predestinação e do tormento eterno.8 Reunindo um grupo para sessões semanais de estudo, Russell aprofundou sua inspiração e desenvolveu, finalmente, uma profecia própria: a Segunda Vinda ocorreria em 1914.

Empenhando-se cada vez mais no evangelismo em geral e divulgando a própria mensagem, Russell encerrou suas atividades comerciais, que lhe renderam grande capital. E, em 1876, tornou-se o apoiador financeiro e co-autor do “Arauto da Aurora”, um jornal adventista escrito e publicado em Rochester, Nova York, por N. H. Barbour. O grupo de estudantes de Russell uniu-se ao de Barbour. Essa aliança, porém, durou apenas três anos. As relações entre os dois líderes deterioraram-se devido a um artigo escrito por Barbour e publicado no “Arauto da Aurora”. Nele o autor negava que a morte de Cristo foi o preço do Resgate para Adão e sua raça. Russell criticou fortemente essa tese no mesmo jornal. Em conseqüência disso, o relacionamento entre ambos jamais voltou a ser o mesmo e Russell deu por encerrada a sociedade com Barbour.9

Em julho de 1879 ele lançou o primeiro número de “A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo”, com uma tiragem de 6.000 exemplares. Sob o nome de “A Sentinela”, essa revista alcança ainda enorme circulação. Em paralelo com seu lançamento, Russell iniciou uma intensa campanha evangelística pelos Estados Unidos. Prenunciando o desenvolvimento de um aspecto da existência do grupo que deveria se tornar praticamente a razão de ser da organização religiosa, em especial depois de sua morte, Russell incentivou seus seguidores a se espalharem pelo mundo, distribuindo seus tratados evangélicos. A literatura produzida por Russell criou tanto interesse que em 1881 dois militantes foram enviados à Grã-Bretanha para distribuir suas obras.10 No mesmo ano, Russell fundou a Sociedade Torre de Vigia de Tratados. Assim estava estruturada uma organização para garantir as atividades de publicações. Quando foi estabelecida na Pensilvânia, em 1884, a entidade declarou seus objetivos, que se estendiam, além da organização encarregada das publicações, aos próprios grupos de estudos bíblicos. Nesse ponto inicial os fundos eram voluntariamente doados pelos estudantes da Bíblia para que se lançassem novos trabalhos.

A partir dessa base relativamente restrita, a Sociedade se ampliou: em 1889 mudava-se para local próprio e era proprietária exclusiva do equipamento impressor. Estabeleceu-se também um programa de reorganização do trabalho missionário numa base diferente das velhas técnicas de reavivamento que produziam muitos convertidos, mas fracassavam em mantê-los unidos num só grupo. Até os membros dos grupos de estudos bíblicos foram incentivados a desempenhar a função de missionários nas áreas vizinhas a suas residências.

Mesmo nesse estágio de reorganização, o efeito do trabalho não se limitava aos Estados Unidos e Grã-Bretanha: em 1880 já se mantinha correspondência com estudantes da Bíblia na China, Turquia, Índia e África. Para fortalecer a influência internacional das publicações da Sociedade e de sua própria doutrina, Russell realizou sua primeira viagem missionária ao exterior, em 1891. Depois disso, as publicações da Torre de Vigia passaram a ser editadas em várias línguas.

Nessa época, a Sociedade assumia uma identidade mais claramente definida: Russell escreveu uma série de seis volumes (um volume adicional foi publicado postumamente) – a Aurora do Milênio – que reuniu suas profecias e interpretações de textos bíblicos e dos acontecimentos dos últimos milênios da história humana11; em nível organizacional, as congregações de Estudantes da Bíblia, de início quase independentes da Sociedade – que se limitava a distribuir livros para o estudo da doutrina de Russell – passaram a receber visitas regulares de representantes (“peregrinos”) da Sociedade. Esse crescimento logo chamou a atenção das Igrejas estabelecidas, que não reagiram de forma amigável. Adotando uma posição comum à maioria dos movimentos milenários, a Sociedade fazia severas criticas às Igrejas estabelecidas. Além disso, outro fator contribuiu para aumentar o sentimento de hostilidade: a prática, introduzida pela Sociedade em 1900, de distribuir “Cartas de Retirada”, com o timbre da Sociedade Torre de Vigia. Eram cartas enviadas pelos convertidos e membros da seita fundada por Russell às Igrejas a que pertenciam anteriormente. Essa prática foi mantida durante trinta anos.12

O ano de 1914 aproximava-se e a campanha de evangelização se acelerou e se expandiu, utilizando todos os meios de comunicação disponíveis.13 Além de seu departamento de publicações, a Torre de Vigia aventurou-se ainda pelo campo cinematográfico.14 Em 1912, juntamente com alguns auxiliares, Russell realizou uma viagem missionária pelo mundo.

O ano de 1914 chegou e passou. Com ele veio o início da Grande Guerra na Europa, mas não a evidência de que todos os governos humanos tivessem chegado ao fim. Era difícil ver nessa guerra uma espécie de Batalha do Armagedom prenunciando que todas as iniqüidades seriam extintas.

Desencadeou-se, então, uma crise semelhante à vivida pelos seguidores de Miller em 1833/44. Havia apenas uma diferença: a Sociedade Torre de Vigia já se transformara num corpo organizado, cuja preservação englobava interesses não apenas religiosos. Assim, a Sociedade fendeu-se pelo desapontamento, pelo conflito e pela apatia. Nos dois anos seguintes as publicações caíram em mais de 50%. Durante essa crise, Charles Taze Russell morreu num trem quando se dirigia ao Texas em viagem missionária.15 Não era, pois, invejável a posição da Sociedade Torre de Vigia em 1916: a predição de seu líder e fundador se provara falsa e ele próprio estava morto.

A MISSÃO DE PROPAGAR A PALAVRA DE DEUS

Com a perda de Russell tornou-se mais fácil racionalizar o fracasso: o erro tinha sido humano e não divino.16 Mas era ainda preciso provar o que a corrente histórica da Torre de Vigia afirmara sobre si mesma: “A maioria dos estudantes da Bíblia sabia que sua obra não dependia de um único homem. Era a obra de Jeová, dirigida pelo Espírito Santo”.17

Seguiu-se uma luta acirrada pelo poder no interior da Sociedade. Uma luta que, analisada atualmente pelas testemunhas de Jeová, travou-se entre os homens “corretos” e seus “ambiciosos oponentes”.18 A liderança da Sociedade foi finalmente assumida pelo juiz Rutherford.

Russell foi frequentemente acusado de irregularidades em sua vida pessoal, e Rutherford sofreu críticas de seus subordinados devido à aspereza de suas atitudes. Talvez as características pessoais de Rutherford tenham sido a maior causa da ruptura que, de qualquer forma, acabou ocorrendo.19 Após um primeiro momento de contestação, vários grupos dos Estados Unidos e do exterior rebelaram-se. Nos Estados Unidos, os quatros diretores dissidentes formaram grupos separados e, mais tarde, membros de todo o mundo foram se juntando a eles. Esses grupos, que se subdividiram ainda mais desde 1918, existem atualmente e respeitam as obras de Russell, mas sem dar crédito a qualquer obra publicada após a morte dele.20

Um dos mais interessantes produtos europeus dessa divisão foi a “Eglise du Royaume de Dieu” ou “Les Amis de I'Homme” (“Igreja do Reino de Deus” ou “Os Amigos do Homem”), que se formou quando F. L. Alexander Freytag, chefe do movimento europeu da Sociedade Torre de Vigia, rompeu com ela em 1918. Esse grupo abandonou a concepção do Milênio como um período de punição aos maus e recompensa aos justos por Deus. Em sua substituição, Freytag declarou a existência da lei do “mérito justo”, onde os homens geram o próprio sofrimento ao se desviarem da lei do amor de Deus.21

Charles Taze Russell foi o fundador do grupo religioso que mais tarde viria a ser conhecido como Testemunhas de Jeová. Apesar de suas profecias sobre a segunda vinda de Cristo não se terem concretizado, Russell exerceu grande influência entre os milenaristas através de seus tratados evangélicos. Após sua morte, o Juiz Rutherford assumiu a liderança do movimento. Suas atitudes ásperas, porém, geraram o descontentamento entre seus subordinados, levando-os a uma ruptura.

Imagens: Charles Taze Russell, primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (à esquerda) e Joseph Franklin Rutherford (à direita), seu sucessor na liderança da organização.

O desapontamento e as divisões internas não foram os únicos problemas que Rutherford teve de enfrentar ao assumir a liderança da Sociedade. Em 1918 os Estados Unidos estavam em guerra com a Alemanha. E os patriotas americanos não estavam dispostos a ouvir calados os ataques de Rutherford ao “Satânico Poder Anglo-Saxão sobre o Mundo”, ao serviço militar obrigatório e ao caminho da apostasia pelo qual as Igrejas ortodoxas americanas enveredavam.22 Seus pronunciamentos provocaram uma reação rápida e violenta: um julgamento que não primou pela moderação e imparcialidade da justiça acusou de subversão Rutherford e sete co-diretores da Sociedade – a Rutherford coube uma sentença de oitenta anos de prisão.

Com o fim da guerra, Rutherford e seus associados foram libertos e suas sentenças anuladas. Entretanto o efeito dessa discriminação não poderia ser apagado. Assim, Rutherford voltou a liderar o movimento: ressurgia como um servo do Senhor que fora perseguido pelos aliados do anticristo e os havia vencido.

Plenamente convencidos de que constituíam a “Igreja perseguida dos últimos tempos” e dispondo de uma explicação para o fracasso da profecia, os membros da Sociedade confirmavam que o reinado de Deus estava agora no céu23 e deveria substituir os reinados da Terra após decorrer uma geração. Assim, continuava a ser válida a profecia de Russell, que propunha o ano de 1914 como o início desse reinado de Deus.

A Sociedade Torre de Vigia entrou numa fase de reconsolidação, reorganização e reorientação. No congresso realizado em Cedar Point em 1919, onde predominou o clima emocional, Rutherford interpretou os reveses da Sociedade como sinais da ira de Deus em relação a Seu povo: a causa dessa ira estava na tolerância dos fiéis em relação às manchas de pecado dos ensinamentos e práticas pagãs que tinham raízes na antiga Babilônia.24 Para combater essas tendências, Rutherford lançou uma nova publicação – “A Idade de Ouro” – “uma revista que expunha o erro religioso e trazia à atenção a esperança e o consolo encontrados nas Escrituras Sagradas”.25 Esse processo desenvolveu-se no encontro dos Estudantes da Bíblia em 1922: Rutherford lançou as bases complementares de sua política de obra missionária total, sob esta orientação: “Eis que o Rei reina! São os seus agentes de publicidade. Portanto, anunciem, anunciem, anunciem o Rei e seu Reino!”.26 Em consequência dessa política, a Sociedade e suas congregações de Estudantes da Bíblia transformaram-se em partes de uma grande organização de publicidade sob o controle progressivo do presidente. Mais e mais as energias foram canalizadas na propagação da mensagem de Cristo, conforme Rutherford a interpretava.

Em 1931 a organização adotou o nome de Testemunhas de Jeová. Com o desenvolvimento e organização eficientes das atividades missionárias, o movimento expandiu-se de maneira regular. As perseguições, porém, ainda que esporádicas, continuavam nos Estados Unidos. Durante a Segunda Grande Guerra as Testemunhas foram novamente criticadas por se recusarem a cumprir o serviço militar. Sua recusa não era motivada por uma ideologia pacifista, e sim pelo repúdio ao direito que o Estado se assegurava de pedir a vida que Jeová concedera.27 As testemunhas também sofreram desagradáveis incidentes por sua recusa sistemática em saudar a bandeira americana: viam nela um símbolo de veneração e submissão ao reino terrestre, em vez de veneração e de submissão ao Reino de Deus. Foi, porém, na Alemanha que tiveram de pagar o maior preço por sua fé: ficaram confinados em campos de concentração devido ao seu princípio de não-envolvimento no esforço nacional de guerra.

Desde o início, tanto os Adventistas como as Testemunhas de Jeová caracterizam-se pelo esforço em propagar a palavra de Deus segundo a interpretação de seus líderes. As missões de ambas as igrejas já abrangem muitos países, assim como suas publicações são vendidas aos milhões de exemplares no mundo inteiro. Imagens: À esquerda: Publicações das Testemunhas de Jeová, com destaque para as revistas A Sentinela e Despertai! Até o momento em que se escreve isso, elas são as duas revistas oficiais da Torre de Vigia.

Imagens: À direita: Publicação adventista, Evangelismo, um entre as dezenas de livros escritos por Ellen G. White.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o movimento sofreu nova mudança de orientação. Em 1942 morreu o juiz Rutherford e foi sucedido por N. H. Knorr.28 Knorr era o homem de confiança de Rutherford e foi eleito por unanimidade. Poucas mudanças radicais realizaram-se. No entanto, logo se tornou evidente que Knorr daria grande importância à preparação de missionários, tanto dos que trabalham de porta em porta como os que trabalham em países estrangeiros.29

Além disso, no ano de 1942 a Sociedade abandonou por completo sua orientação de travar uma batalha permanente contra as “forcas de Satã”, adotando uma política de construção de uma nova e melhorada sociedade. Seus membros estariam assim se preparando para o dia em que fossem senhores do mundo.30

Assembléia Internacional das Testemunhas de Jeová em São Paulo - SP, Brasil, 26-30 de dezembro de 1973.

A DOUTRINA MILENARISTA

Como preveem o fim do atual sistema de coisas num futuro próximo, os adventistas e as testemunhas de Jeová compõem Igrejas ou movimentos considerados milenaristas. Ambas acreditam que os verdadeiros crentes viverão contentes e em harmonia numa terra transformada e governada pela justiça divina. Essa visão da história e da relação entre os homens e Deus baseia-se em profecias bíblicas que retratam o fim da perversidade e o estabelecimento do Reino de Deus na Terra. A localização dos “últimos tempos” no presente justifica-se pela relação entre os fatos contemporâneos e as profecias. Essa tentativa de ajustar acontecimentos presentes às afirmações vagas, e muitas vezes lúgubres, das profecias, não pode ser considerada como uma característica nova. Poucos momentos existiram em toda a história da Europa em que não se houvessem identificado os “últimos dias”, indicando até mesmo o lugar e a data do acontecimento com o próprio “aqui e agora”.31

Embora o atual movimento das Testemunhas de Jeová não seja anterior a 1872, considera-se o grupo mais antigo de adoradores do verdadeiro Deus. Seriam as testemunhas de Jeová o povo cuja história antecede qualquer denominação religiosa do Cristianismo ou mesmo do Judaísmo.32

Essa reivindicação pode ser compreendida no contexto da concepção das testemunhas de Jeová sobre a história do mundo e da maneira como entendem a si mesmos a partir dessas concepções. Segundo as Escrituras, o céu foi criado muito antes da Terra e, assim, os habitantes do céu existem muitos antes da criação do homem. Esses habitantes do céu – os anjos ou criaturas espirituais – foram designados para cuidar das diferentes formas de vida criadas por Jeová.

Entre eles, Jesus ocupa uma posição proeminente: Ele existia no céu como um espírito, muito antes de vir à Terra como homem. Foi o primeiro dos espíritos porque foi o primeiro a ser criado por Deus. Todos os espíritos criados depois tiveram Jesus como coautor – daí sua designação de “único Filho gerado diretamente por Deus”. Há, pois, uma hierarquia na criação: Jeová – o Criador onipotente – ocupa a primeira posição do poder. Após ele, está Jesus – seu filho –, seguido pelas hostes angélicas. O homem situa-se pouco abaixo dos anjos e, portanto, em quarto lugar. Ele é o chefe da mulher, que ocupa a quinta posição. Os animais inferiores estão sujeitos ao homem e são os ocupantes do sexto lugar.33

Ao criar a Terra e toda a vida, Deus designou um de seus anjos para zelar por ela e assegurar que todos os seres viventes agissem de acordo com Seus propósitos ao criá-los. O anjo deveria vigiar as ações do homem no Paraíso, para garantir que todas as manifestações de adoração e de glorificação fossem dirigidas a Jeová como seu Criador. No desempenho dessa tarefa, o anjo contaria com o auxílio de vários espíritos.

Mas o anjo que liderava os espíritos vigilantes cobiçou as oferendas e glorificações que Adão e Eva dirigiam a Jeová. Então se esforçou para seduzir primeiro a mulher e depois o homem e afastá-los da verdadeira obediência e adoração ao Criador. Essa tentativa foi coroada de êxito e contou com a aquiescência de outros anjos que vigiavam a Terra quando viram o fato consumado: a queda em tentação do homem e da mulher.

Assim Lúcifer34, o grande anjo, passou a receber a glorificação antes prestada a Jeová. Recebendo o nome de Satanás – “Opositor” ou “Oponente” –, ele assumiu o controle dos céus e da Terra, que inicialmente integravam o mundo perfeito. Os anjos que aceitaram a liderança de Satanás foram chamados de “demônios”; o Paraíso terrestre perdeu-se quando Adão e Eva foram expulsos do Éden pelos querubins leais a Jeová. Essa foi a origem do mal no mundo: o pecado passou a dominar e ainda estaria dominando.

Jeová considerou como um desafio a rebelião de Satanás. Um desafio que aceitou com a seguinte condição: Satanás deveria transformar os adoradores do verdadeiro Deus em seus adoradores no prazo de 6.000 anos. Mas, apesar dos esforços de Satanás para estimular todas as formas de imoralidade, crime, violência e egoísmos em geral, sempre houve alguns homens na Terra fieis a Jeová. Essas pessoas seriam “testemunhas de Jeová”, independente do ramo de Cristianismo em que militavam.35

O fim do período de 6.000 anos (fixado em outubro de 1975)36 e a esperada derrota de Satanás deverão ser marcados pela criação de um novo céu e de uma nova Terra em substituição a este mundo de pecado que, inevitavelmente, será destruído. Em lugar dos espíritos rebeldes, Deus colocará seu único Filho como chefe da humanidade: Cristo será auxiliado por uma nova corte celestial e dela farão parte os 144.000 eleitos. Por um merecimento espiritual, estes deverão ressuscitar da morte física e despertar para a vida espiritual no céu. A nova Terra será habitada por todo o resto da humanidade obediente a Jeová: tanto as pessoas vivas como as já mortas. As almas que formarão a nova corte celestial serão, porém, escolhidas só entre os que nasceram após a primeira vinda de Cristo. A razão de Jeová em permitir a batalha entre as forças da luz e das trevas é uma solução bastante singular para o problema da teodiceia: como justificar a existência do mal e do sofrimento num mundo guardado por um Deus onipotente? Diz-se que Deus consentiu nessa disputa motivado por dois desejos: o de vindicar o seu nome e o de dar ao homem uma oportunidade de salvação.37

De acordo com a crença das testemunhas de Jeová, os homens serão salvos se observarem a lei de Deus, conforme foi revelada na Bíblia, Principalmente a lei revelada por Jesus Cristo, cujas exortações são consideradas mais importantes que as dos Dez Mandamentos do Velho Testamento. As testemunhas de Jeová afirmam que não regulam sua conduta pelos Dez Mandamentos, pois Cristo trouxe uma nova orientação. A antiga ordem mosaica morreu com Jesus no Calvário e foi substituída por uma nova ordem, baseada em dois princípios: primeiro amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças – e, segundo – amar ao próximo como a si mesmo.

Este último mandamento é mais genérico. A partir dele foram “deduzidas” outras recomendações, como, por exemplo, a de se evitar o adultério. Essa ênfase sobre a observância das prescrições bíblicas como guia para a salvação levou à crítica radical das traduções na Bíblia já existentes. Como consequência disso, a Sociedade Torre de Vigia elaborou sua própria Tradução do Novo Mundo a partir da versão “original” do grego.

Dentre os que escrevem os tratados das testemunhas de Jeová, alguns veem a história do Cristianismo e das Igrejas cristãs como um registro de apostasia crescente. Ou seja, um distanciamento cada vez maior dos ensinamentos de Cristo, adulterados pelo paganismo e pelas fantasias filosóficas dos homens. O ensinamento básico da falsa religião seria a imortalidade da alma humana. A origem dessa doutrina parece ser a primeira mentira de Satanás, ao negar que Eva morreria – como Deus havia dito – se comesse o fruto proibido. Eva realmente morreu e esse fato refuta a promessa. Mas Satanás apressou-se a justificar sua morte, estabelecendo o primeiro princípio da falsa religião: a morte seria apenas aparente e a vida continuaria numa esfera sobrenatural.38

Segundo as testemunhas de Jeová, a verdade dessa questão é que, ao morrer, o homem apenas expira. Cai em completa inconsciência, num sono sem sonhos, e assim fica aguardando o dia da Ressurreição. Nesse dia, segundo a fé e a vida do indivíduo, Jeová decidirá sua volta ou não à vida no Novo Mundo. Essa não é uma promessa de vida eterna no céu para o verdadeiro crente. É a promessa de eternidade em um paraíso situado na Terra, segundo uma concepção mais acessível.39

As testemunhas de Jeová admitem que erraram, no passado, em sua interpretação da Bíblia.40 Isso seria inevitável porque a profecia de Russell não se concretizou. Mas os acontecimentos de 1914 são agora interpretados como grandes sinais do Fim: os “Últimos Dias” estarão terminados quando morrer o último representante da geração que viu o princípio desses “Últimos Dias”.41

Para os Adventistas e as Testemunhas, adorar a Deus significa obedecer Sua lei e propagar Sua palavra. Por isso dão grande importância à pregação e à formação teológica de seus ministros.

   

Ordenação ao ministério adventista; Igreja Adventista de Moema, São Paulo, no início da década de 1970.

 

 

Curso para treinamento de anciãos (pastores) das Testemunhas de Jeová em São Paulo, Brasil (1975)

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE AS SEITAS

Em alguns aspectos de suas crenças, as adventistas assemelham-se às testemunhas de Jeová. Também eles acreditam na iminência da segunda vinda de Cristo, na derrota de Satanás e na purificação da Terra. Creem na vida eterna na Terra aos que obedecerem a Deus e na revelação da falsidade da doutrina da imortalidade da alma.42 Há, porém, diferenças entre os credos das duas seitas.

Os adventistas são trinitários: acreditam que a Santíssima Trindade consiste no Pai, no Filho e no Espírito Santo; creem na salvação pela fé, mas por uma fé demonstrada através de obras, principalmente se os fiéis ordenarem suas vidas segundo a vontade de Deus, expressa nas Sagradas Escrituras. A vontade de Deus é a lei de Jesus Cristo e dos profetas.

De maneira oposta às testemunhas de Jeová, os adventistas consideram válidos os Dez Mandamentos. Apesar disso, acreditam que, por sua morte na cruz, Cristo tenha liberado o homem dos sacrifícios expiatórios hebraicos. E, em vez de anular o Decálogo na cruz, honrou-o demonstrando que era mais fácil ele morrer na cruz do que a lei sagrada alterar-se.

Entre os Dez Mandamentos, os adventistas enfatizam a observação do Sabbath no Sétimo Dia – sábado. A sua observância no domingo é considerada como outro sinal de erro humano e de afastamento de Deus. Observar o Sabbath no sábado seria uma obrigação de toda a humanidade, como sinal de santidade e de fidelidade a Deus.

A religião adventista sustenta que a santidade do indivíduo é expressa no todo, formado por sua vida e sua conduta. Expressa-se, pois, no altruísmo, na participação em projetos que aliviem o sofrimento humano e que promovam a perfeição do mundo de Deus. Desse ponto de vista provém uma das mais notáveis diferenças entre as testemunhas de Jeová e os adventistas: as primeiras não se dedicam a obras que visem à melhora material – particular ou coletiva – porque Deus teria decidido destruir o mundo. Os adventistas, ao contrário, desenvolveram programas extensivos de educação, de assistência médica e social em escala internacional. Esses programas não se destinam a prestar serviços apenas aos membros de sua seita.

De modo geral, pode-se dizer que os adventistas preocupam-se com as coisas terrenas muito mais que as testemunhas de Jeová. Encontra-se em suas teorias e atitudes uma ênfase sobre o bem-estar e a saúde física, legitimada no sentido de que o corpo seria o templo da alma. Além disso, não são muito radicais em sua recusa de cooperar com os governos humanos para o desenvolvimento das nações. Dedicam também menos atenção às maldades e vícios do mundo como sinais da iminente destruição dos pecadores, nos mil anos de caos que precederiam o estabelecimento do paraíso na Terra. Os adventistas diferenciam-se das testemunhas de Jeová por se arrogarem menos direito de posse da verdade.43 A partir desse fato, não consideram “escravos de Lúcifer” aqueles que não pertencem à sua Igreja. (Esse termo é utilizado pelos líderes da Sociedade Torre de Vigia em relação aos que não integram sua comunidade.).44

Entre os adventistas e as testemunhas de Jeová, a comunicação mais direta e a glorificação a Deus realizam-se nas reuniões, através de preces e hinos.

 

Igreja adventista em Brasília – DF, Brasil – década de 1970.

 

Conjunto de “Salões de Assembléias” das Testemunhas de Jeová em Mairiporã, São Paulo, Brasil. (Foto aérea de fins do século 20. A capacidade conjunta de acomodação dos edifícios é de umas 10.000 pessoas).

Para ambas as seitas, adorar a Deus significa obedecer Sua lei e propagar Sua palavra. Os ritos dessas Igrejas são considerados apenas como ocasião de demonstrar simbolicamente a fé.  Os ritos de iniciação estão presentes nas duas Igrejas: as cerimônias de batismo de adulto por imersão total. O batismo simboliza para elas a experiência de vida-morte-vida de Cristo. Nenhuma das duas Igrejas considera-o um Sacramento.

Ambas celebram também a Santa Comunhão, que comemora a morte de Cristo. As testemunhas de Jeová celebram a comunhão anualmente e dela participa um número limitado de fiéis: apenas os que compõem a classe dos “ungidos”: aqueles que teriam adquirido o status de membros dos 144.000 escolhidos para a nova milícia celeste no novo céu.45

As Testemunhas de Jeová e os Adventistas reúnem-se regularmente em congressos. Entre as Testemunhas de Jeová, os grandes congressos em locais públicos (principalmente estádios esportivos) foram uma ocorrência muito comum ao longo de todo o século 20. Porém, ainda naquele século a liderança da organização passou a preferir realizar congressos em locais próprios (os chamados “Salões de Assembléias”, como os mostrados acima.)

 

Assembléia internacional das Testemunhas de Jeová em Nuremberg, Alemanha, agosto de 1969.

 

Congresso Internacional dos Adventistas em Miami, Flórida, EUA, início da década de 1970.

Finalmente, só os adventistas celebram um rito que simboliza a ética do amor fraterno e humildade pessoal: procuram igualar-se a Cristo no ato de lavar os pés dos discípulos, lembrando que o orgulho provocou a queda de Satanás e do homem. A comunicação individual e direta e a glorificação a Deus realizam-se através de preces e hinos. Estes são, porém, relativamente insignificantes nas reuniões das testemunhas de Jeová, onde a principal atividade coletiva é o estudo dos tratados distribuídos pela Sociedade Torre de Vigia.46

Adventistas e Testemunhas de Jeová organizam suas Igrejas de maneira diferente: os Adventistas sempre mantiveram um alto nível democrático. Seus dirigentes são eleitos pelos membros da seita e sua estrutura e o desempenho profissional do ministério da Igreja são sustentados por um sistema de cobrança de dízimos.

 

Se a propagação da palavra de Deus é a tarefa principal de uma Testemunha de Jeová, o batismo simboliza para ela a experiência de vida-morte-vida de Cristo, segundo sua interpretação bíblica.

Imagem: Batismo por imersão em água. Antiga pintura da Sociedade Torre de Vigia (EUA)

Em contraste com o “centralismo democrático” dos adventistas do Sétimo Dia, a Sociedade Torre de Vigia caracteriza-se por um governo autocrático altamente centralizado que se iniciou quando Rutherford assumiu a liderança do movimento. Nessa organização, os dirigentes são nomeados pela Sociedade com base nas recomendações de seus superiores imediatos.47 O modelo de organização interna das testemunhas de Jeová é teocrático. A verdade é um monopólio dos líderes do movimento, que se afirmam representantes de Cristo na Terra.

Embora geralmente impressos por organizações nacionais, os tratados das testemunhas de Jeová apresentam grande homogeneidade interna, que reflete o controle centralizado das atividades e do pensamento de seus membros. Existem entre as testemunhas de Jeová aqueles que dedicam tempo integral à obra missionária: são sustentados pela Sociedade ou vivem do pequeno desconto no preço dos livros que vendem ao público.48 A organização das testemunhas de Jeová é mantida pela venda de suas publicações49; não utiliza coletas ou dízimos.

Uma testemunha de Jeová deve dedicar todos os seus dias à propagação da palavra de Deus; deve, pois, dedicar todos os seus dias a Deus.50 Por isso, não escolhe dias especiais para o Senhor, não observa algum sábado.

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Este artigo é uma reedição do verbete “Adventistas e Testemunhas de Jeová”, que integra a enciclopédia As Grandes Religiões (Editora Abril Cultural, 1973, Vol. 4, páginas 753-768). As atualizações, retificações históricas, notas, imagens adicionais e outros detalhes foram acrescentados.

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NOTAS:


1 - Classificar determinadas organizações religiosas como “seitas” é problemático, devido à relativa imprecisão deste termo, bem como ao seu valor depreciativo. É muito comum algumas pessoas aplicarem indiscriminadamente essa classificação a qualquer religião da qual não gostam. Declaramos que, embora discordemos de muitos ensinos das igrejas existentes hoje, não nutrimos animosidade contra qualquer organização ou liderança religiosa, e não aprovamos o uso genérico da palavra “seita” para classificar certas organizações (em contraposição a outras que muitos classificariam como “Igrejas” oficiais). Algumas ocorrências das palavras “seita(s)” e “Igreja(s)” foram mantidas neste artigo apenas porque constam no artigo original, que lhe serviu de base.

2 - Este evento foi apresentado por Ellen White como um ‘cumprimento surpreendente e impressionante da profecia.’ [referindo-se a Apocalipse 6:13] (Veja O Grande Conflito, págs. 332-334.) Foi mencionado também por Charles Russell em Estudos das Escrituras IV – (A Batalha do Armagedom), págs. 588-590. Russell escreveu, entre outras coisas: “Meio século se passou antes de aparecer o próximo sinal, a queda das estrelas do céu, como quando a figueira lança de si os seus frutos verdes quando abalada por um vento forte. As palavras de Nosso Senhor encontraram um cumprimento (embora não seu cumprimento completo e único, conforme veremos mais tarde) nas maravilhosas chuvas meteóricas da madrugada de 13 de novembro de 1833. Os que são inclinados a tergiversar, insistindo que ‘as estrelas fixas não caíram’ são lembrados de que nosso Senhor não disse nada sobre estrelas fixas caindo, e que estrelas fixas não poderiam cair: a queda delas provaria que não estavam fixas. O evento de 1833 parece ter cumprido o objetivo do sinal; e de fato, em conexão com o sinal anterior, ele evidentemente teve muito que ver com o primeiro despertar das Virgens para encontrar o Noivo, profetizado no capítulo seguinte – Mat. 25:1-5... estes sinais literais serviram ao seu propósito designado de chamar a atenção geral para o Tempo do Fim.”

3 - Para detalhes acerca de como os Adventistas chegaram a essa data, veja O Grande Conflito, capítulo 18 (intitulado “Uma Profecia Muito Significativa”). Há uma tabela esquemática neste capítulo (páginas 328 e 329 da edição citada na nota anterior) que sintetiza a maneira como eles vêem a história humana.

4 - O mesmo afirmaram os Estudantes da Bíblia (predecessores das Testemunhas de Jeová de hoje) com respeito às profecias relativas a 1914. Segundo um relato, aconteceu o seguinte na sede mundial da Torre de Vigia, na manhã de 2 de outubro de 1914: “Todo mundo já estava sentado quando o irmão Russell entrou... Ao invés de ir de imediato para seu lugar, bateu palmas e anunciou jubilosamente: “‘Terminaram os tempos dos Gentios; seus reis já tiveram seus dias’... Depois de breve pausa, ele [Russell] disse: ‘Alguém se sente desapontado? Eu não. Tudo está correndo dentro do horário!’” É difícil imaginar o que Russell quis dizer com “tudo está correndo dentro do horário” se for examinado o que ele havia predito para 1914. Ele havia escrito que 1914 veria – entre outras coisas – o fim de todos os reinos humanos, com o Reino de Deus assumindo pleno domínio universal. Embora Russell tenha afirmado que ele próprio ‘não ficou desapontado’, é inegável que a não concretização dessas previsões trouxe profundo desapontamento para os Estudantes da Bíblia que viviam na época. No entanto, apesar do fracasso completo, a data de 1914 continuou sendo vista como “marcada” profeticamente, e é encarada desta forma pela organização das Testemunhas de Jeová até hoje. (Veja o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, página 73)

5 - As Testemunhas de Jeová afirmam a mesma coisa: Então, como entendeu Russell o papel que ele e seus associados desempenharam em divulgar a verdade bíblica? Ele explicou: ‘Nosso trabalho... tem sido de ajuntar estes fragmentos da verdade há muito espalhados e apresentá-los ao povo do Senhor — não como novos, não como nossos, mas como do Senhor. . . . Precisamos rejeitar qualquer mérito até mesmo de termos encontrado e reagrupado as jóias da verdade.’ Ele disse mais: ‘A obra em que o Senhor se agradou em usar nossos humildes talentos tem sido menos uma obra de originação do que de reconstrução, reajuste, harmonização.’” (Livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, página 49).

6 - É desta maneira que os Adventistas explicam até hoje o fracasso das profecias originais quanto à data de 1844. Para mais detalhes, veja O Grande Conflito, de Ellen G. White, capítulos 23 e 24. Da mesma maneira que Rutherford fez algumas décadas depois com 1914, os líderes adventistas “espiritualizaram” o cumprimento das profecias. Ou seja, segundo esta explicação, 1844 marcou a ocorrência de eventos de importância profética, mas não na Terra e sim nos céus invisíveis. Ellen White escreveu: “E como a profecia de Daniel capítulo 8, verso 14, se cumpre nesta dispensação, o santuário a que ela se refere deve ser o santuário do novo concerto. Ao terminarem os 2.300 dias em 1844, já por muitos séculos não havia santuário sobre a Terra. Destarte, a profecia – ‘Até duas mil e trezentas tardes e manhãs, e o santuário será purificado,’ aponta inquestionavelmente para o santuário do Céu.” (O Grande Conflito, Ellen G. White, 35ª Edição, 1988, págs. 416, 417)

7 - Para informações detalhadas sobre o desenvolvimento histórico da Igreja Adventista do Sétimo Dia e de suas doutrinas, recomenda-se a leitura da obra O Grande Conflito, de Ellen Gould White.

8 - Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, pág. 35; também o livro da Torre de Vigia O Homem em Busca de Deus (1990), págs. 350 e 351

9 - Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, págs. 37 e 38.

10 - Anuário das Testemunhas de Jeová de 1974, pág. 88.

11 - Posteriormente estes 6 volumes vieram a ser conhecidos como Estudos das Escrituras. Os títulos eram: Volume I - “O Plano das Eras” (mais tarde, “O Plano Divino das Eras”, 1886), Volume II, “O Tempo Está Próximo” (1889), Volume III, “Venha o Teu Reino” (1891), Volume IV, “O Dia de Vingança” (mais tarde “A Batalha do Armagedom”, 1897), Volume V, “A Expiação Entre Deus e o Homem” (1899) e Volume VI, “A Nova Criação” (1904).

12 - A Sentinela de 15 de fevereiro de 1955 (em inglês), pág 106: “Em 1900, ‘Cartas de Retirada’, impressas especificamente em papel de carta da Sociedade Torre de Vigia, começaram a ser enviadas às respectivas igrejas de sua antiga associação por aqueles que se retiravam delas. Os recém-interessados eram incentivados a fazer isso à medida que eles ficavam firmemente convencidos da verdade. Esta prática continuou por 30 anos suscitando muita ira entre os clérigos.” Esta revista remete a uma edição de A Torre de Vigia de Sião do ano de 1900 e outra de 1908. A edição de 1900 dizia: “‘CARTAS DE RETIRADA’ – Toda pessoa que se libertou de "Babilônia" deve enviar remessa a quantos for necessário com tratados e envelopes acompanhando uma destas cartas para cada membro da igreja com quem ela se associava em “Babilônia”. Isso será bom para eles e garantirá que você não seja entendido mal ou representado falsamente de modo involuntário. Senão é quase certeza que sua retirada será mal apresentada como “Infidelidade” – como se você tivesse deixado a verdadeira igreja e não simplesmente uma organização humana que jamais foi reconhecida pelo Senhor nem instituída por ele, e sim por homens falíveis.” (A Torre de Vigia de Sião de 15 de fevereiro de 1900, pág. 2578 das Reimpressões.)

Embora a Torre de Vigia não mais ‘assine’ esse tipo de documento hoje em dia, a organização continuou incentivando seus novos membros a notificarem que estavam deixando as igrejas a que pertenciam antes de se associarem com as Testemunhas de Jeová. O livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra (que foi usado como compêndio básico de “estudo” para as prospectivas Testemunhas entre os anos de 1982 e 1995), por exemplo, dá a seguinte instrução na página 202: “Que significa ‘sair do meio deles’? Ora, não estaríamos obedecendo a tal mandamento se continuássemos pertencendo ou dando apoio a uma organização religiosa que não fosse a que Jeová Deus usa. Portanto, se qualquer de nós ainda pertence a uma organização religiosa assim, deve notificar a esta que se está retirando dela.” (Grifo acrescentado.)

13 - O Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, página 85 diz: “... desde 1870 a 1913, distribuíram 228.255.719 tratados e panfletos e 6.950.292 livros encadernados. No ano momentoso de 1914 apenas, os servos de Jeová distribuíram 71.285.037 tratados e panfletos, e 992.845 livros encadernados. Compare-se a proporção de publicações distribuídas em um único ano, com o que foi distribuído nos 44 anos anteriores! Esse tremendo esforço evangelístico feito em 1914 demonstra o alto grau de expectativa que os Estudantes da Bíblia nutriam com respeito àquele “ano momentoso”.

14 - O autor refere-se aqui ao “Fotodrama da Criação”.

15 - Veja Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, pág. 63.

16 - A mesma explicação já havia sido dada pelos Adventistas. Veja O Grande Conflito, Ellen G. White, capítulo 23, parágrafos 1 a 5.

17 - A Sentinela de 1º de janeiro de 1974, pág. 14.

18 - Livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, capítulo 6.

19 - Essa postura autocrática de Rutherford era tão notória que às vezes as próprias publicações da Torre de Vigia dão alguma informação sobre isso. O Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, por exemplo, diz (eufemísticamente) que Rutherford “era direto e franco e não escondia seus sentimentos.” (página 84). No livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, páginas 625 e 626, apresenta-se a carta de um estudante da Bíblia canadense e, pela comparação que ele faz, torna-se evidente o enorme contraste entre a personalidade de Russell e a de Rutherford. Na Despertai! de 22 de setembro de 1987, um falecido membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová conta que levou uma “ríspida censura” de Rutherford, ao ponto de sentir-se “ferido” intimamente. Outro membro do Corpo Governante, também já falecido, relatou na revista A Sentinela de 1º de março de 1988, página 14, que certa vez Rutherford o repreendeu com tal severidade perante muitos espectadores que ele chegou a “derramar lágrimas” e precisou ser consolado por outro membro veterano da organização. Embora em todos esses casos as publicações da Torre de Vigia estavam  fazendo apologias à personalidade dele, a menção breve destes incidentes dá uma indicação da atitude dele para com os sentimentos de outros.

20 - Veja Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, página 624, onde a Torre de Vigia chama a tais de “grupos apóstatas”.

21 - O Anuário das Testemunhas de Jeová de 1981, págs. 42-51, apresenta a versão da Torre de Vigia sobre essa dissidência. Como em outros casos que envolvem pessoas que deixaram a organização, Freytag é chamado de “escravo mau” e se fazem diversos ataques à personalidade dele, incluindo até mesmo seu caráter moral. Não há como confirmar até que ponto estas acusações são verdadeiras, já que a pessoa em questão faleceu há décadas. Procedimento semelhante foi seguido no caso de Paul Balzereit, ex-supervisor da obra da Torre de Vigia na Alemanha. Depois de ele ter deixado a organização, esta o classificou como “violento opositor da verdade” e lançou contra ele várias acusações difamatórias, até finalmente ser forçada a admitir que a acusação principal era falsa. Compare a informação apresentada no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975, págs. 107, 110, 111, 131, 148-150 com o que diz a revista Despertai! de 8 de julho de 1998, pág. 14.

22 - Além da já mencionada rispidez para com seus subordinados, outra característica que notabilizou o presidente Rutherford foi o dogmatismo expresso em seus pronunciamentos, tanto verbais como escritos. Uma simples verificação do conteúdo dos artigos da autoria dele, em livros e revistas lançados nas décadas de 1920 e 1930, mostra isso.

23 - Isto faz lembrar a mudança ocorrida no ensino dos Adventistas. Foi só depois do “Grande Desapontamento” de 1844 que surgiu a idéia de que Cristo teria na realidade entrado no Santíssimo celestial, dando início ao “Juízo Investigativo” da Terra (Veja A Sentinela de 15 de julho de 1997, págs. 25-29, onde a Torre de Vigia questiona essa doutrina adventista). De modo similar, foi só alguns anos depois do fracasso das profecias referentes a 1914 que a Torre de Vigia passou a explicar o reinado de Cristo como tendo se iniciado nos céus invisíveis. Em ambos os casos, o objetivo dessa ‘espiritualização’ dos eventos foi o mesmo: manter válidas as “datas proféticas” de 1844 e 1914.

24 - Uma vez que as Testemunhas de Jeová entendem a expressão “Babilônia, a Grande” (encontrada no Apocalipse capítulo 17) como constituindo “o império mundial da religião falsa”, elas consideram que todas as organizações religiosas (exceto a delas) fazem parte desse império. (Veja o livro da Torre de Vigia intitulado Revelação – Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, 1988, capítulo 33). Todavia, esta é também uma idéia antiga, que não se originou com a liderança das Testemunhas. O livro adventista O Grande Conflito declara: “Muitas das igrejas protestantes estão seguindo o exemplo de Roma na iníqua aliança com os ‘reis da Terra’: igrejas do Estado, mediante suas relações com os governos seculares; e outras denominações, pela procura do favor do mundo. E o termo ‘Babilônia’ – confusão – pode apropriadamente aplicar-se a estas corporações; todas professam derivar suas doutrinas da Escritura Sagrada, e, no entanto, estão divididas em quase inúmeras seitas, com credos e teorias grandemente contraditórios.” (Trecho do capítulo 21, intitulado “A Causa da Degradação Atual”). Ou seja, desde o século 19 os líderes adventistas afirmavam a mesma coisa sobre as demais organizações religiosas, com exceção da deles.

25 - Esta revista é conhecida atualmente como Despertai!

26 - Até hoje a Torre de Vigia faz referências a este discurso de Rutherford em 1922, tanto em publicações impressas como em vídeos. O problema é que só se dá ênfase a um pequeno trecho deste, dando a impressão de que os ensinos sobre 1914 e outras datas nunca mudaram. Poucas Testemunhas de Jeová de hoje conhecem o conteúdo completo deste discurso. Assim, a maioria delas não está ciente das demais declarações que Rutherford fez naquela ocasião, referentes a profecias relativas a datas que foram posteriormente abandonadas por não terem se cumprido.

27 - Nessa época os líderes das Testemunhas ensinavam que as “autoridades superiores”, mencionadas na Bíblia, referem-se a Jeová Deus e Jesus Cristo. Não aceitavam a aplicação deste termo às autoridades humanas. Como está amplamente documentado, a Torre de Vigia já mudou várias vezes o seu entendimento sobre isto.

28 - Quando este artigo foi escrito, Nathan Homer Knorr ainda era o presidente mundial da Torre de Vigia. Ele faleceu em 1977, sendo sucedido por Frederick William Franz. Além disso, na parte final da presidência de Knorr entrou no cenário um grupo de homens conhecido como Corpo Governante, grupo este que vem desempenhando já por várias décadas o papel de liderança entre as Testemunhas de Jeová.

29 - Apesar de antes de sua morte Rutherford ter dito a Knorr que “não havia tempo suficiente” para enviar missionários a outros países, uma das primeiras coisas que Knorr fez após assumir a presidência foi organizar uma escola de missionários. Esta escola da Torre de Vigia (a “Escola de Gileade”) foi fundada em 1943 e treina missionários até hoje. (Veja o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1973, págs. 113 e 114).

30 - Isso foi um dos principais reflexos da mudança administrativa. Rutherford dava grande ênfase à “guerra espiritual”, principalmente contra a “religião falsa”, como se pode ver em livros que escreveu, tais como Inimigos (1937), Religião (1940) e outros. Já Knorr sempre foi visto por seus associados mais próximos como um “homem de organização”, um “executivo eficiente”. Veja a Despertai! de 22 de abril de 1987, pág. 20.

31 - Para exemplos disso, veja o livro Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, capítulo 1.

32 - A Sentinela de 1º de abril de 1994, pág. 13 afirma: “Embora Satanás, desde o tempo do Éden, tenha inundado a Terra com ensinos de demônios, sempre houve alguns que buscaram o ensino divino. Atualmente, estes somam milhões. Incluem os remanescentes cristãos ungidos, que têm a esperança certa de reinar com Jesus no Seu Reino celestial, e a crescente grande multidão de ‘outras ovelhas’, cuja esperança é herdar o domínio terrestre deste Reino.” (referindo-se às duas classes que compõem as Testemunhas de Jeová, segundo a doutrina da Torre de Vigia). As organizações religiosas que não possuem um registro histórico de vários séculos costumam utilizar este argumento. Outros grupos religiosos que se originaram nos Estados Unidos da América durante o século 19 afirmam a mesma coisa sobre sua própria história. A publicação adventista O Grande Conflito, por exemplo, apresenta a idéia de que os grupos adventistas (que surgiram apenas algumas décadas antes das Testemunhas de Jeová), são o ‘capítulo final’ da corrente histórica dos servos de Deus na terra. O problema é que não há evidência alguma da ligação desses grupos com seus supostos predecessores espirituais do século 18 para trás.

33 - Essa maneira de apresentar os ‘níveis de autoridade teocrática’ era comum na década de 1970, principalmente nos “cursos para anciãos” das Testemunhas de Jeová.

34 - A aplicação do nome “Lúcifer” a Satanás esteve em voga entre as Testemunhas de Jeová por muitos anos. Nas publicações da Torre de Vigia durante a presidência de Rutherford há muitos exemplos disso. Posteriormente esta aplicação foi abandonada e hoje em dia a organização entende essa palavra apenas pelo seu significado básico em hebraico (“brilhante”). Veja A Sentinela de 1º de outubro de 1973, págs. 592 e 593 e A Sentinela de 15 de setembro de 2002, seção “Perguntas dos Leitores”.

35 - Veja A Sentinela de 1º de setembro de 1995, pág. 13. Em diversas publicações a Torre de Vigia apresenta o próprio Cristo como sendo “a maior Testemunha de Jeová”. O objetivo de declarações como essa é promover a idéia de que as Testemunhas de Jeová – e somente elas – são os imitadores de Cristo, constituindo os protagonistas atuais da história dos servos de Deus na terra, excluindo-se todos os demais grupos e indivíduos que também advogam o cristianismo.

36 - O artigo original foi escrito antes de 1975. As publicações da Torre de Vigia produzidas na década anterior àquele ano fomentaram muita expectativa entre as Testemunhas de Jeová, quanto ao início do Reinado Milenar de Cristo em 1975. O livro Vida Eterna – Na Liberdade dos Filhos de Deus (publicado em 1966) e o folheto A Paz de Mil Anos Que Se Avizinha (1969) são exemplos de publicações que continham tais pronunciamentos empolgantes. A não concretização dessas expectativas em 1975 levou à evasão de dezenas de milhares de membros da organização durante os anos seguintes.

37 - A idéia da “vindicação do nome de Jeová” foi abandonada e substituída pela idéia da “vindicação da soberania de Jeová”, ou seja, de seu “direito de governar” sobre sua criação. Veja a Sentinela de 15 de maio de 1995, pág. 25. Embora muitas Testemunhas acreditem que foi Rutherford quem “esclareceu” essa questão em 1941 (conforme diz, por exemplo, o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, págs. 191 e 192), o fato é que essa explicação para a existência do mal e do sofrimento humano já havia sido dada por outros escritores religiosos do século 19, incluindo a adventista Ellen G. White. (Veja O Grande Conflito, capítulo 29). Portanto, esta também já era uma idéia antiga no tempo de Rutherford.

38 - A posição dos adventistas neste particular é idêntica. No capítulo 33 de O Grande Conflito (intitulado “É o Homem Imortal”), encontra-se a seguinte declaração: “O único que prometeu a Adão vida em desobediência foi o grande enganador. E a declaração da serpente a Eva no Éden – ‘Certamente não morrereis’ – foi o primeiro sermão pregado acerca da imortalidade da alma. Todavia essa assertiva, repousando apenas na autoridade de Satanás, ecoa dos púlpitos da cristandade e é recebida pela maior parte da humanidade tão facilmente como o foi pelos nossos primeiros pais.”

39 - Assim como as testemunhas de Jeová, os adventistas também crêem num futuro paraíso terrestre, onde habitarão os justos. A diferença entre as duas igrejas é com respeito ao período de “mil anos” (mencionados no Apocalipse capítulo 20). Ambas as igrejas entendem esta expressão como sendo mil anos literais. Mas, enquanto as Testemunhas ensinam que os mil anos são um período de restauração da terra às condições que existiam no Éden, os adventistas os entendem como um período de desolação completa, com a restauração do paraíso terrestre só ocorrendo depois desse prazo. (Para detalhes veja O Grande Conflito, capítulos 41 e 42).

40 - Nem sempre esse reconhecimento é claro. Com freqüência omitem-se informações importantes que permitiriam a um pesquisador imparcial ter uma visão plena de quão grandes foram esses erros passados. O fator crucial é que tais admissões são sempre feitas em relação a ensinos passados. A liderança da organização jamais admitiria que pode estar errada agora, em doutrinas importantes ensinadas atualmente. Os ensinos atuais nunca são apresentados como opiniões dos líderes e sim sempre como verdades divinas, bíblicas, e qualquer estudo independente (com o uso de outras fontes que não sejam as publicações oficiais da organização) é fortemente desencorajado. O questionamento aberto é passível de punição disciplinar por parte da organização. Isso explica por que é comum que ex-Testemunhas de Jeová conheçam a doutrina e a história da Torre de Vigia melhor do que as Testemunhas que obedecem escrupulosamente aos ditames de sua liderança.

41 - Este ensino com o tempo se tornou insustentável e foi mudado em fins de 1995. A maioria das Testemunhas de Jeová de hoje desconhece que no começo o ano de 1914 era entendido como o FIM dos últimos dias, momento em que ocorreria a eliminação de todos os governos humanos e o estabelecimento do Reino de Deus. Foi só alguns anos depois do fracasso desta predição que 1914 passou a ser entendido como o INÍCIO dos últimos dias. Este é o ensino que se mantém até hoje. O que mudou em 1995 foi o ensino de que estes “últimos dias” abrangem apenas uma “geração”. A partir daquele ano, a expressão “geração de 1914” desapareceu das publicações da Torre de Vigia. Para uma refutação da idéia de que os “últimos dias” começaram em 1914, veja o livro O Sinal dos Últimos Dias – Quando?, de Carl Olof Jonsson e Rud Persson.

42 - Outra semelhança notória que poderia ser mencionada aqui é a enorme ênfase que ambas as igrejas sempre deram ao estudo da “cronologia bíblica”. Isso marcou profundamente a doutrina e a história das duas organizações, sendo responsável pelos fracassos nas predições relativas a datas que ambas fizeram.

43 - Embora o grau desse exclusivismo varie, isso não altera o fato de que ambas as igrejas consideram-se detentoras absolutas da posição de “única igreja verdadeira” nos dias de hoje. Após alistar os nove pontos que identificariam a “verdadeira Igreja de Cristo do tempo do fim”, a publicação adventista As Revelações do Apocalipse diz numa nota debaixo do subtópico “A Identificação da Igreja de Deus” (Estudo 17): “Apesar do profundo respeito que merecem as pessoas sinceras que existem em todos os grupos religiosos, temos que reconhecer que a única Igreja que cumpre estes nove pontos básicos é a Igreja Adventista do Sétimo Dia.” De maneira similar, o já citado livro da Torre de Vigia, Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, após alistar os cinco “frutos excelentes” que identificariam os “verdadeiros adoradores de Deus” no tempo atual, apresenta a seguinte conclusão, na página 190: “Quem, então, são os que formam o corpo de verdadeiros adoradores hoje? Não hesitamos em dizer que são as Testemunhas de Jeová.” (Grifos acrescentados.)

44 - Conforme já observado, a Torre de Vigia não mais aplica o termo “Lúcifer” a Satanás, de modo que não é possível encontrar esta expressão “escravos de Lúcifer” nas atuais publicações da organização. Ela era comum na época de Rutherford. Mas isso não quer dizer, de maneira alguma, que os atuais líderes da Torre de Vigia tenham mudado de idéia com relação aos demais da humanidade. Embora isso não seja admitido abertamente, a liderança delas ensina o que sempre ensinou: que todos os que não são Testemunhas de Jeová e pertencem a outras religiões estão sob o controle de Satanás e não estão “na verdade”. Como apenas um exemplo dentre muitos, A Sentinela de 1º de dezembro de 1991, página 13 afirmou que “as igrejas católica, ortodoxa e, mais tarde, as protestantes, adotaram, todas elas, esses dogmas falsos e, assim, tornaram-se parte de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, do Diabo.” Numa linha de raciocínio similar, A Sentinela de 15 de março de 2006, disse na página 23: “O que dizer da companhia achegada com os que talvez sejam moralmente puros, mas que não têm fé no Deus verdadeiro? As Escrituras nos dizem: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) Entendemos que as más companhias não se limitam a pessoas que são permissivas ou moralmente corrompidas. Por essa razão, é prudente cultivar amizades apenas com quem ama a Jeová.” Isto significa que qualquer pessoa que não seja Testemunha é considerada uma “má companhia”, mesmo que essa pessoa seja honesta e de boa moral. Portanto, a idéia de que todos os demais da humanidade estão sob o controle de Satanás domina fortemente o pensamento das Testemunhas de Jeová, uma vez que as publicações da organização ensinam isso com freqüência e de maneira clara.

45 - O folheto As Testemunhas de Jeová e a Comemoração da Morte de Cristo analisa o ensino da liderança da Torre de Vigia que leva a maioria das Testemunhas de Jeová a não participarem no pão e no vinho da celebração. O folheto Onde a Grande Multidão Serve a Deus? questiona o ensino da Torre de Vigia, segundo o qual a “grande multidão” (as demais Testemunhas que não são do grupo dos 144.000) constitui uma “classe terrestre”. Ambas as publicações estão disponíveis no Mentes Bereanas.

46 - Em qualquer ano típico, as Testemunhas devem ler ou estudar algo entre 1.500 e 2.000 páginas de publicações produzidas pela Torre de Vigia em suas reuniões nos Salões do Reino, em seus lares particulares e até em outras ocasiões, tais como no transporte público. Qualquer observador pode perceber imediatamente que as Testemunhas usam ou citam muito mais as publicações de sua organização do que a própria Bíblia e é muito raro elas analisarem criticamente o conteúdo das publicações fazendo uso da Bíblia. Todo o entendimento da Bíblia e a própria visão de mundo das Testemunhas é inquestionavelmente baseado nas interpretações e idéias de seus líderes, que se encontram em publicações tais como A Sentinela, Despertai!, Nosso Ministério do Reino e diversos livros, folhetos e outros escritos que são lançados todos os anos. Ensina-se às Testemunhas que toda essa literatura é “inteiramente baseada na Bíblia”. Todavia, embora essas publicações sejam muito bem escritas, com freqüência apresentam idéias e crenças que, apesar de altamente prezadas pelas Testemunhas, não têm base alguma na Bíblia e por vezes até a contradizem.

47 - Muitas Testemunhas de Jeová objetariam à aplicação dos termos “superiores” e “subordinados” à situação existente em sua organização. Dentro dela, porém, existem realmente diversos níveis de autoridade hierárquica (“servos ministeriais”, “anciãos”, “superintendentes de circuito”, “superintendentes de distrito”, “superintendentes de filial” e, no topo, o “Corpo Governante das Testemunhas de Jeová”). E as Testemunhas são lembradas disso nas publicações ou nas palestras dadas nos Salões do Reino, embora jamais se afirme abertamente que haja uma diferença no “grau de importância” dessas posições. Geralmente isso só é afirmado de maneira indireta. A Sentinela de 1º de março de 1982, por exemplo, disse na pág. 23: “Na organização cristã, na maior parte, os servos ministeriais não têm nenhuma dificuldade de se comportarem como menores em relação aos anciãos, nem os anciãos em relação ao superintendente de circuito, nem os superintendentes de circuito em relação aos superintendentes de distrito, e assim por diante.” Isto sugere que, segundo entende a Torre de Vigia, há níveis ‘maiores’ ou ‘menores’, dependendo da posição organizacional que as pessoas em questão ocupem. O parágrafo sugere que ‘não deve haver qualquer dificuldade’ em as Testemunhas se comportarem de acordo com essa diferença de nível.

48 - Na época em que se escreveu este artigo na enciclopédia havia mesmo uma diferença no valor da contribuição monetária solicitada pelas publicações. Os “pioneiros” (evangelistas de tempo integral das Testemunhas) ofereciam as revistas e livros ao público por um valor maior do que haviam contribuído no Salão do Reino e podiam ficar com a diferença para gastos pessoais.

49 - Hoje as Testemunhas de Jeová não mais estabelecem um valor específico para as publicações que oferecem ao público. Porém, as pessoas que as atendem às portas ainda são incentivadas a “contribuir” com algum valor pelas publicações que adquirem (o montante é deixado a critério delas, devendo ser colocado dentro dum envelope fornecido pelas Testemunhas para este fim). Ao mesmo tempo, as próprias Testemunhas são incentivadas a “contribuírem” por essas publicações que adquirem em seus Salões do Reino (e o valor da contribuição é também deixado a critério das Testemunhas). Todo o dinheiro arrecadado por esses meios é enviado à Torre de Vigia. O objetivo desses procedimentos é descaracterizar qualquer idéia de “venda”, o que geraria obrigações tributárias.

50 - Na realidade, muitas das chamadas obrigações “teocráticas” às quais as Testemunhas se dedicam – mensalmente, semanalmente, ou até diariamente – nada mais são que serviços em prol da organização Torre de Vigia, uma vez que a própria Bíblia não estabelece qualquer obrigatoriedade para esses procedimentos. É o caso, por exemplo, da pregação sistemática que elas realizam de porta em porta.