Algumas Reflexões Sobre o Nome "Cristão"

Inglês

Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos. E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo. Apóstolo Paulo, em Efésios 4:1-7 (Nova Versão Internacional)

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Um “cristão” (em hebraico: 'messianista') é uma pessoa que tem fé em Jesus como o prometido “Cristo” ou “Messias” (literalmente, “ungido”) e é, por definição, “um seguidor de Cristo”. O Dicionário de Vine diz: “christianos — uma palavra formada após o estilo romano, significando um aderente de Jesus". Segundo outra fonte, os cristãos são definidos como “os que pertencem ou são devotados a Cristo”. [1] A nota de rodapé na Bíblia de Estudo MacArthur diz que o nome cristão era originalmente um “termo de escárnio, significando 'do partido de Cristo'. Porém, nem todos os comentaristas (ou tradutores) da Bíblia concordam que o nome foi dado originalmente como uma palavra de escárnio ou desprezo. Sobre este ponto, o erudito bíblico do século 19, Albert Barnes escreveu: “se os discípulos assumiram o nome por si mesmos, ou se foi dado por indicação divina, tem sido uma questão de debate. Não é provável que tenha sido dado como forma de escárnio, pois no nome “cristão” nada havia de desonroso.” [2] Segundo outra fonte: “A palavra é formada com o sufixo latino que designa “seguidor ou partidário” (compare-se com os “herodianos”, em Marcos 3:6) Não existe razão válida para se pensar que o termo era usado como escárnio. Ele simplesmente significa as pessoas que seguem a Cristo”. [3]

A primeira vez que o nome aparece na Bíblia é no livro de Atos, que diz:

Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos. [grego: chreematísai]. [4]

Uma obra de referência observou:

O primeiro nome, dado pela primeira vez em Antioquia aos seguidores de Cristo. No Novo Testamento, ele só ocorre em 1 Pedro 4:16, Atos 11:26; 26:27,28. O nome entre eles próprios era 'irmãos', 'discípulos', 'os do caminho' (Atos 6:1,3; 9:2), “santos” (Rom. 1:7). Como os judeus negavam que Jesus é o Cristo, nunca deram origem ao nome 'cristãos', mas os chamavam de 'Nazarenos' (Atos 24:5). Os gentios os confundiam com os judeus, e pensavam que eles eram uma seita judaica. Porém, começou uma nova época no desenvolvimento da igreja quando, em Antioquia, os gentios idólatras (não meramente prosélitos judeus dentre os gentios, como o eunuco, um prosélito circuncidado, e Cornélio, um prosélito incircunciso do portão) foram convertidos. Então os gentios precisaram de um novo nome para designar pessoas que não eram judeus, nem pelo nascimento, nem pela religião. E o povo de Antioquia era famoso por sua prontidão em dar nomes: Partidários de Cristo, Christiani, assim como Caesariani significava os partidários de César; e um nome latino, uma vez que Antioquia havia se tornado uma cidade latina. Mas o nome [cristão] foi designado divinamente (como chrematizo sempre exprime, 11:26).” [5]

A definição padrão lexical para chrematizo é “uma resposta ou revelação divina: ‘resposta de Deus’, ‘proferir um oráculo’, ou seja, ‘comunicar divinamente’; por implicação, constituir uma firma comercial, ou seja, (geralmente) ter como título: Versão Rei Jaime – ser chamado, ser admoestado (avisado) por Deus, revelar, falar.” [6] Segundo outra fonte, a palavra significa “dar uma resposta aos que consultam um oráculo, dar uma ordem ou advertência divina, ensinar desde o céu, ‘ser divinamente ordenado, admoestado, instruído’, ‘ser o porta-voz de revelações divinas, promulgar as ordens de Deus’, ‘assumir ou tomar para si um nome dos assuntos públicos de alguém, receber um nome ou título, ser chamado.’” [7]

Um aspecto fundamental do significado lexical do verbo grego usado em Atos 11:26 é o que tem levado muitos eruditos bíblicos a acreditar que o nome foi realmente dado aos seguidores de Cristo por determinação divina. Em seu comentário bíblico de um volume, o eminente erudito bíblico do século 19, Adam Clarke, escreveu o seguinte:

É evidente que eles tinham o nome de cristãos porque Cristo era seu Mestre, como os platonistas e pitagóricos tinham seus nomes devido ao fato de seus mestres serem Platão e Pitágoras. Ora, como esses tiveram seus nomes derivados daqueles grandes mestres porque assistiam seus ensinos e creditavam a eles suas doutrinas, do mesmo modo os discípulos foram chamados de cristãos, porque eles adotaram Cristo como seu Mestre, creditando a ele suas doutrinas e seguindo o modo de vida estabelecido por ele. Surgiu a pergunta: por quem esse nome foi dado aos discípulos? Alguns pensam que eles o assumiram, outros, que os habitantes de Antioquia o deram a eles, e outros, que o nome foi dado por Saulo e Barnabé. A palavra em nosso texto comum, que traduzimos como foram chamados significa, no Novo Testamento, ‘apontar, advertir, ou nomear’, por orientação divina. Neste sentido, a palavra é usada em Mat. ii. 12, Lucas ii. 26, e no capítulo anterior desse livro, v. 22. Se, portanto, o nome foi dado por designação divina, é mais provável que Saulo e Barnabé foram conduzidos a dá-lo, e que, portanto, o nome cristão provém de Deus, assim como a graça e a santidade que são tão essencialmente necessárias e implícitas no termo. Antes disso os judeus convertidos eram chamados entre eles simplesmente de discípulos, ou seja, estudiosos, crentes, santos, a igreja, ou assembléia, e seus inimigos os chamavam de nazarenos, galileus, os homens deste caminho ou seita, e talvez por outros nomes que não chegaram até nós. Consideravam-se como uma família e, portanto, a denominação de irmãos era freqüente entre eles. Um cristão, portanto, é o caráter mais elevado que qualquer ser humano pode atingir sobre a terra, e receber essa condição de Deus, como aquelas pessoas evidentemente receberam – quão glorioso é esse título!” [8]

A maior parte das versões bíblicas não traduz Atos 11:26 de uma forma que evidencie que o nome cristão foi dado por direção divina. A palavra grega chrematizo pode também significar simplesmente “chamar / nomear” (sem o significado de influência divina), como provavelmente é o caso em Romanos 7:3: “ela será chamada [chreematísei] de adúltera." (Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Estando ciente deste fato, Albert Barnes observou em sua obra Notas Sobre o Novo Testamento: “Não se pode negar, porém, que o significado mais usual no Novo Testamento é o de designação ou comunicação divina.” [9]

Por este motivo, várias versões bíblicas modernas traduziram Atos 11:26 dos seguintes modos:

Os discípulos foram também divinamente chamados primeiro em Antioquia de cristãos. – Tradução Literal de Young da Bíblia Sagrada, 1898

Os discípulos foram divinamente chamados de “cristãos” primeiro em Antioquia. – Tradução do Novo Testamento de McCord do Evangelho Eterno

Foi em Antioquia que os discípulos foram, por Providência Divina, primeiro chamados de cristãos. – Uma Bíblia em Inglês Americano, Tradução de 2001

Foi primeiro em Antioquia que os discípulos foram, por providência divina* chamados de cristãos. (* ‘Ao estilo divino’, Tradução Interlinear do Reino). – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas

Em Antioquia, Deus chamou os seguidores de Jesus de ‘cristãos’ pela primeira vez. – A Bíblia em Inglês Simples, Novo Testamento

Todavia, em sua bem conhecida Enciclopédia de Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica, McClintock e Strong sugeriram que o nome não foi dado nem como forma de zombaria, nem por designação divina:

Não há há razão para se pensar, como alguns, que o nome “cristão” foi dado como escárnio absoluto. Quando foi usado por Agripa (Atos xxvi, 28), não há prova alguma de que ele era um termo de reprovação; se ele tivesse a intenção de escarnecer, poderia ter usado o termo Nazareno, que era de uso freqüente entre os judeus, e continuou sendo usado no Oriente, onde a língua árabe é falada até os dias atuais. A adoção logo cedo pelos próprios cristãos, e o modo como eles o usavam é suficiente para dissipar qualquer idéia desta natureza (1 Ped. iv, 16). A única reprovação associada com o nome seria a inevitável que surgiria da profissão de fé implícita nele. Nem é mais provável a opinião de outros, de que o nome foi imposto por determinação divina. O termo chrematizo (traduzido como 'chamados' na primeira passagem bíblica citada), geralmente invocado para sustentar esse conceito, tem outros significados além de uma resposta oracular, e é bem capaz de ter o significado que lhe é atribuído em nossa versão. [10]

Quer alguém esteja convencido de que o nome “cristão” foi dado por designação divina com base na palavra grega usada em Atos 11:26 (conforme o conceito de alguns tradutores), quer acredite que o nome foi dado como forma de escárnio — ou foi dado sem qualquer relação com escárnio ou influência divina — o comentário que segue, de J. W. McGarvey resumiria adequadamente o papel do nome em relação ao povo de Deus, tendo em vista o testemunho geral das Escrituras:

Tem havido muita controvérsia quanto a se este novo nome foi dado por Barnabé e Saulo sob a autoridade divina, ou se foi pelos gentios de Antioquia, ou então adotado pelos próprios discípulos. Não serviria a qualquer propósito prático decidir entre as duas últimas suposições, já que, independentemente do grupo que tenha originado o nome, ele foi aceito posteriormente pelos discípulos em geral... O mundo inteiro tinha ouvido falar alguma coisa sobre Cristo, como o personagem notável que foi submetido à morte sob Pôncio Pilatos, apesar de muitos não terem ouvido nada sobre o início da história da Igreja dele. Tendo em vista este fato, quando estrangeiros vieram a Antioquia, e ouviram sobre o novo grupo que estava atraindo tanta atenção lá, chamados de cristãos, eles os reconheceram imediatamente como seguidores do Cristo, de quem eles já tinham ouvido falar. Isso explica o fato mencionado no texto, de que “os discípulos foram chamados de cristãos primeiro em Antioquia.” O fato de Lucas ter adotado o nome aqui, e de tanto Paulo quanto Pedro o terem reconhecido posteriormente, dá-lhe toda a validade do uso inspirado, e, desta forma, todo o peso da autoridade divina. Que ele é um nome do Novo Testamento é indiscutível, e isso torna sua autoridade divina incontestável. [11]

Apesar da evidência encontrada nas Escrituras, houve numerosos grupos religiosos e líderes religiosos – em momentos diferentes e em meio a variadas circunstâncias – que manifestaram um grau de insatisfação com o nome simples de “cristão” e, essencialmente pelas mesmas razões, expressaram a necessidade de adotar uma etiqueta religiosa suplementar e distintiva. As fontes citadas a seguir, representam dois grupos religiosos bem distintos. Embora difiram bastante em relação à sua interpretação da fé cristã, ambos apelam para uma linha de raciocínio muito similar com relação à sua crença na necessidade de adotar outro nome, em adição ao que foi dado aos seguidores de Cristo na Escrituras Sagradas. O bem conhecido teólogo calvinista, R. C. Sproul, depois de uma breve consideração sobre o contexto e o significado do termo “evangélico” [12] , e falando como evangélico / protestante, apresentou o seguinte argumento em seu livro, Obtendo o Evangelho Correto:

Na nomenclatura religiosa do cristianismo histórico, porém, houve muitos que reivindicam o título cristão mas rejeitam o renascimento pessoal, ou rejeitam o conteúdo do evangelho. Foi necessário que as pessoas adotassem essa linguagem para se distinguirem teologicamente dos que reivindicam o termo cristão para si mesmos, ao mesmo tempo em que negam estes elementos controversos do Cristianismo... É por isso que é extremamente ingênuo as pessoas dizerem: 'Eu sou simplesmente um cristão, não usarei quaisquer outros rótulos.' Isso ignora dois mil anos de luta da igreja para distinguir a heresia da ortodoxia, o verdadeiro cristianismo de falsas formas ou alegações de fé cristã. [13]

Do mesmo modo, num livro escrito sobre a história de sua organização religiosa, o escritor de uma publicação da Torre de Vigia de 1993, debaixo do subtítulo A Necessidade de Um Nome Distintivo, fez os seguintes comentários sobre a história por trás da adoção do nome “Testemunhas de Jeová”:

Com o tempo, tornou-se cada vez mais evidente que além do nome cristão, a congregação dos servos de Jeová precisava realmente de um nome que a distinguisse. O significado do nome cristão deturpara-se na mente do público por causa dos que afirmavam ser cristãos que não raro tinham pouca ou nenhuma idéia sobre quem era Jesus Cristo, o que ele ensinara e o que deviam fazer para serem realmente seus seguidores. Além disso, à medida que nossos irmãos progrediam no seu entendimento da Palavra de Deus, viam claramente a necessidade de estarem separados e de serem diferentes dos sistemas religiosos que fraudulentamente afirmavam ser cristãos... em 1931, adotamos o nome que realmente nos distingue: Testemunhas de Jeová. O escritor Chandler W. Sterling chama isso de “o maior golpe de gênio” da parte de J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA).” [14]

No parágrafo seguinte, o escritor dá a entender que essa medida foi mais do que um “golpe de gênio” por parte do presidente da Torre de Vigia, e que a escolha do nome Testemunhas de Jeová provavelmente foi o resultado de “providência divina”. Embora o escritor evangélico, R. C. Sproul, não tenha dado a entender que o termo evangélico foi o nome escolhido por Deus, ele parece sugerir que os que se consideram simplesmente cristãos estão de alguma forma errados e/ou não muito bem informados a respeito dos dois mil anos que se passaram desde o tempo de Cristo e seus apóstolos. Na opinião dele, não parece haver espaço para aqueles que, precisamente pelo fato de conhecerem a história, a Bíblia, e as atuais circunstâncias no campo da religião, optaram por se identificar com ninguém além de seu líder, o Senhor Jesus Cristo. Ao argumentar como um “evangélico”, a impressão transmitida ao leitor é que, se uma pessoa quiser evitar adotar uma posição que é “extremamente ingênua”, ela deve se identificar com algum movimento pós-bíblico e adotar um rótulo como “evangélico”, ou talvez seguir as doutrinas defendidas pelo Dr. Sproul e o ramo do “evangelismo” que ele advoga. [15] Na mesma linha, a organização Torre de Vigia parece sugerir que se qualquer pessoa do povo de Deus optar por não adotar qualquer outro nome além do indicado nas Escrituras Sagradas, essa pessoa está de alguma maneira ignorando a “providência divina”, ou talvez seja culpada de ignorar os pronunciamentos que lhe foram feitos por Deus por meio de seu alegado “único canal de comunicação”, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

Entretanto, a verdade é que os que estão procurando seguir a Cristo hoje não estão sob obrigação alguma de se identificar como membros de qualquer movimento, seita ou denominação religiosa pós-bíblica. Infelizmente, pertencer ou aderir formalmente a qualquer um desses movimentos muitas vezes traz consigo a implicação e a expectativa de que seus membros adotem um determinado conjunto de crenças doutrinárias exclusivas de cada grupo específico, sendo que muitas dessas crenças surgiram e se desenvolveram depois do primeiro século e da conclusão das inspiradas Escrituras Cristãs.

Estima-se que existem hoje (no momento em que se escreveu isso) mais de 20.000 denominações, seitas e cultos que se enquadram na categoria de “religiões cristãs” [16] (quase todas alegando basear suas crenças na Bíblia). A maioria dos grupos adotou um nome oficial e distintivo que normalmente identifica ou se refere ao seu fundador, ou às suas alegações de autoridade, sua ênfase ou prioridade em doutrina/prática, ou suas interpretações únicas que os distinguem de outros grupos. De uma forma ou de outra, os vários rótulos denominacionais e sectários que foram adotados contribuem em última análise para a divisão que Jesus Cristo não queria entre seus verdadeiros seguidores, pois ele orou para que seus discípulos fossem um, assim como ele e seu Pai são um. (João 17:21). [17] Esses nomes peculiares denominacionais são desnecessários para os cristãos e só parecem refletir um espírito partidário que não é autorizado ou apoiado pelas Escrituras. (1 Coríntios 1:10).

Entre os nomes ou classificações mais gerais que são essencialmente amplos em sua aplicação incluem-se: “Católicos (Romanos)”, “Ortodoxos Gregos/Orientais”, “Anglicanos”, “Protestantes”, “Reformados” [18] , “Evangélicos (Conservadores)” (refere-se a uma família de grupos protestantes), “Liberais”, “Fundamentalistas”, “Pentecostais”, e até “Ortodoxos”. [19] Há grupos que adotaram títulos que atribuem ênfase especial ao nome divino, tais como as “Testemunhas de Jeová” e os movimentos do Nome Sagrado como a “Assembléia da Nova Aliança de Iavé” (sigla em inglês: YNCA) e a “Assembléia do Messias de Iavé”. Alguns dos mais conhecidos títulos denominacionais incluem “Presbiteriano”, “Episcopal” e “Congregacional” (nomes que refletem estilos preferidos de governo eclesiástico). Outros se identificam como “Luteranos”, “Wesleyanos”, “Calvinistas” [20] , “Arminianos”, “Amish” ou “Menonitas”, (fazendo referência ao nome de seu líder / fundador ou defensor mais notável de sua doutrina particular). Outros ainda foram chamados (ou chamaram a si mesmos) de “Apostólicos”, “Batistas” (alguns são ainda mais específicos, identificando-se como ‘Batistas Independentes’, ‘Batistas Reformados’, ‘Batistas Particulares’, e outros) [21] , “Carismáticos”, “Cristadelfianos”, “Cristãos Cientistas”, “Pactuados”, “Ebionitas”, “Quadrangulares”, “Gnósticos”, “Santos”, “Maronitas”, “Metodistas”, “Mileritas”, “Moravianos”, “Mórmons (Santos dos Últimos Dias)”, “Nestorianos”, “Nazarenos”, “Pietistas”, “Irmandade de Plymouth”, “Puritanos”, “Quakers”, “Russelitas” “Adventistas (do Sétimo Dia)”, “Socinianos”, “Universalistas (Unitários)”, e muitos outros...

Não há aqui a intenção de sugerir que qualquer pessoa que faça parte de certos movimentos denominacionais ou não-denominacionais não poderia ser cristã, ou que não existam pessoas entre estes grupos que estejam se esforçando sinceramente em dedicar sua vida a Deus e a Cristo. Há, certamente, muitas que estão, de todo o coração, buscando servir ao Senhor enquanto atuam dentro do quadro das instituições existentes. Da mesma forma, não há nada intrinsecamente errado com a maioria dos títulos denominacionais. A maioria das denominações realmente adotou seus respectivos nomes com base em importantes termos e conceitos bíblicos. Por exemplo, o fato de o povo de Deus ter sido ordenado a se batizar é certamente verdadeiro e bíblico (Batistas). Da mesma forma, cada seguidor de Cristo deveria estar vivendo na expectativa de sua vinda ou advento [22] (Adventistas). Com certeza os cristãos são conclamados ainda a depositar sua fé no Evangelho e anunciá-lo (Evangélicos). Pode-se afirmar também que faz sentido todos os cristãos se oporem e protestarem contra os que procuram impor falsas doutrinas, alegações fraudulentas de autoridade religiosa e deturpações da Palavra de Deus (Protestantes). E, sem dúvida alguma, cada cristão teria de dar testemunho e comprovar o fato de que Jeová (YHWH) é o único Deus verdadeiro da Bíblia e da Criação (Testemunhas de Jeová). No entanto, quando consideradas à luz pura das Escrituras Cristãs, é evidente que nenhum dos nomes acima goza de aprovação apostólica/bíblica explícita (e, portanto, autorização divina) como é o caso do nome CRISTÃO. (Atos 11:26, 1 Pedro 4:16).

Quando o apóstolo Paulo ficou sabendo que os cristãos em Corinto estavam brigando entre si, manifestando um espírito de divisão, ao passo que expressavam lealdade e atribuíam especial destaque a certas pessoas (incluindo o próprio apóstolo), ele disse: “Com isso quero dizer que algum de vocês afirma: “Eu sou de Paulo” [23] ; ou “Eu sou de Apolo”; ou “Eu sou de Pedro”; ou ainda “Eu sou de Cristo”. Acaso Cristo  está dividido? Foi Paulo  crucificado em favor  de vocês? Foram vocês batizados em nome  de Paulo? Dou graças a Deus  por não ter batizado nenhum de vocês, exceto Crispo  e Gaio; de modo que ninguém pode dizer que foi batizado em meu nome.” [24]

De modo semelhante à nossa própria época, alguns homens nos dias do apóstolo evidentemente estavam, em algum grau, professando lealdade para com outras entidades, além de Cristo Jesus ou em lugar dele. Os cristãos, porém, não são, em última análise, leais ou dependentes de qualquer ser humano ou qualquer grupo de seres humanos; nem precisam se sentir pressionados à conformidade com as exigências de uma denominação religiosa criada pelo homem, ou uma hierarquia eclesiástica. Ao longo de toda a sua história, os cristãos reconheceram apenas um Líder e Mestre, o Senhor Jesus Cristo, pois “ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder  por eles.” (Heb. 7:25) O próprio Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6), o “único mediador entre Deus e os homens” (1 Tim. 2:5), e “não há salvação  em nenhum outro, pois, debaixo do céu  não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12, compare com Efe 4:1-6).

O nome Cristão é o que foi dado aos discípulos de Cristo nas Escrituras Sagradas. Neste particular, ele é verdadeiramente apropriado, pois enfatiza o fato de que o povo de Deus está totalmente devotado e fiel aos verdadeiros ensinamentos de seu Filho Jesus Cristo. Isto não significa que todos os que dizem ser cristãos são verdadeiramente discípulos do Filho de Deus; nem ignora o fato de que muitos grupos religiosos e indivíduos, ao longo da história, deturparam seriamente seu verdadeiro espírito e ensinamentos, e eles inevitavelmente continuarão a fazer isso no futuro. Porém, talvez o maior benefício e significado do nome é que ele transmite a idéia de que o povo de Deus é composto por seguidores e promotores de Cristo, não de um líder religioso imperfeito, uma denominação, ou um segmento específico das religiões “cristãs”. Deve-se salientar também  que só adotar o nome em si mesmo não prova nada. [25] Em vez disso, é o tipo de vida que se leva, que acabará por demonstrar a realidade de uma profissão de fé cristã. (Tiago 3:13, NVI) O apóstolo João escreveu: Desta forma sabemos que estamos nele [vivendo unidos, Nova Tradução na Linguagem de Hoje]: aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele [Jesus] andou. (1 João 2:5-6, NVI) E certamente, conforme o apóstolo Paulo escreveu: “Não obstante, o sólido fundamento colocado por Deus permanece, marcado pelo selo  desta palavra: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E ainda: Aparte-se da injustiça todo aquele que pronuncia o nome do Senhor.” (2 Timóteo 2:19, Bíblia de Jerusalém).

Na época em que vivemos, podemos ter certeza de que o povo de Deus não tem qualquer obrigação de professar ou mostrar lealdade integral para com doutrinas, interpretações, credos ou sistemas teológicos originados por homens tais como Martinho Lutero, João Calvino, Tiago Armínio, Joseph Smith, o Papa, ou os homens do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. O povo de Deus ainda pode se dedicar exclusivamente à mensagem pura e não adulterada, que vem do próprio Deus por meio de seu Filho Jesus Cristo, sendo, portanto, cristãos.

Os pensamentos que foram expressos até aqui, com referência ao nome “cristão” não são de modo algum uma tentativa de desrespeitar ou questionar a fé dos cristãos que assumiram nomes religiosos adicionais. Reconhece-se livremente que os cristãos de várias origens e tradições contribuíram muito para a promoção do evangelho cristão, dos princípios cristãos, das traduções da Bíblia, dos atos genuínos de misericórdia e de bondade, e outros aspectos críticos da vontade, dos propósitos e dos ensinamentos do Senhor. A força motriz por trás do que se expressou, em última análise, é a promoção da unidade dos cristãos verdadeiros por lembrar e chamar a atenção para o que é puramente bíblico, e que a adoção de rótulos religiosos suplementares não é necessária, e essa prática nem pode nem deve ser imposta aos cristãos (ou seja, não há autorização bíblica para fazê-lo). Embora muitos achem que o nome “cristão” de alguma forma perdeu o seu significado, devido à existência de tantos cristãos professos com crenças conflitantes e conduta anticristã ao longo da história, isso não nega o fato de que cada seguidor comprometido de Jesus Cristo pode, individualmente, por meio de sua vida e obras piedosas (sua profunda devoção e obediência ao seu Mestre celestial), exemplificar o verdadeiro significado do que é ser um cristão e, desta forma, dar a devida honra ao nome que ele representa.

Alguns Pronunciamentos Dignos de Nota Sobre Ser “Cristão”

“Daí, o procônsul instou com ele, e dizendo: ‘Jure, e eu o ponho em liberdade, rejeite a Cristo’. Policarpo disse: "Oitenta e seis anos eu o tenho servido, e Ele nunca me fez qualquer mal: como, então, eu posso blasfemar contra meu Rei e meu Salvador?”... E quando o procônsul novamente o pressionou, e disse: “Jure pela fortuna de César”, ele respondeu: “Se pensas em vão que jurarei pela fortuna de César, como disseste, e finges não saber quem sou e o que sou, ouça-me dizer claramente, eu sou cristão.” – Policarpo, (pouco antes de seu martírio), 2º século.

“Nenhuma destas coisas está escondida de vós, se mantiverdes perfeitamente a posse dessa fé e amor em Cristo Jesus, que são o começo da vida e seu fim. Pois o começo é a fé e o fim o amor. Ora, estes dois, estando inseparavelmente unidos, são de Deus, enquanto que todas as demais coisas que são requisitos para uma vida piedosa vem após eles... Conhece-se a árvore pelos seus frutos; assim os que professam ser cristãos serão reconhecidos por sua conduta. Pois não há agora uma demanda por mera profissão de fé, e sim que o homem seja encontrado continuamente na prática da fé até o fim [‘Aqueles que a si mesmos professam ser de Cristo são conhecidos não só pelo que dizem, mas pelo que praticam.’ Versão Longa].” – Epístola de Inácio aos Efésios, Capítulo XIV. (Exortações à Fé e ao Amor) Versão Curta, 2º século.

“Peço que os homens não façam qualquer referência ao meu nome, e não se chamem de luteranos, e sim de cristãos. O que é Lutero? Minha doutrina, tenho certeza, não é minha, nem fui crucificado por ninguém. Paulo, em 1 Coríntios 3 não permitiu que os cristãos se chamassem de paulinos ou petrinos mas simplesmente de cristãos. Como é então que eu, pobre carcaça fétida que sou, poderia dar aos filhos de Cristo um nome derivado do meu nome insignificante? Não, não, meus caros amigos; vamos abolir todos os nomes sectários, e chamemo-nos simplesmente de cristãos, levando o nome daquele cuja doutrina temos.” – Martinho Lutero (Século 16). [26]

“Os altos e poderosos deste mundo começaram a perseguir e odiar o ensinamento de Cristo sob a presença do nome de Lutero. Eles chamam tudo do ensino de Cristo de “luterano”, não importa quem na terra o proclame ... Este é agora o meu destino. Eu comecei a pregar o Evangelho de Cristo em 1516, muito antes de alguém em nossa região sequer ter ouvido falar de Lutero... De qualquer forma, Lutero não me ensinou coisa alguma... Os papistas, porém, apelidam maliciosamente a mim e a outros com esses nomes e dizem, “Você é um luterano, pois prega da maneira que Lutero escreve.” Minha resposta é, ‘eu prego da maneira que Paulo escreve. Por que vocês não me chamam também de seguidor de Paulo? Na verdade, eu proclamo a palavra de Cristo. Por que vocês não me chamam de cristão?” – Ulrico Zwinglio, citado em A Reforma na Europa, A Era de Reforma e Revolução, De Lamar Jensen, pág. 102 em inglês.

“E o que mais é ser um discípulo de Cristo, senão ser um cristão? Mas quando eles começaram a ser chamados claramente pelo que eram, o uso do nome serviu muito bem para estabelecer a glória de Cristo, porque deste modo eles se referiam a tudo em sua religião em conexão com Cristo apenas. Esta foi, portanto, a mais excelente adoração para a cidade de Antioquia, pois Cristo estabeleceu seu nome dali como um padrão, pelo qual poderia se dar a conhecer a todo o mundo que havia algumas pessoas cujo capitão era Cristo, e que davam glória em seu nome.” – Comentários de João Calvino, João – Atos, pág. 1120 em inglês.

“Quem quer que se aliste sob a bandeira de Cristo deve, antes de tudo, combater seus próprios vícios, seu próprio orgulho e luxúria; por outro lado, sem santidade da vida, pureza de conduta, benignidade e brandura do espírito, será em vão que almejará a denominação de cristão... Se se acredita no Evangelho e nos apóstolos, ninguém pode ser cristão sem caridade, e sem a fé que age, não pela força, mas pelo amor.” – John Locke, Carta Sobre a Tolerância (1689), págs. 13, 14.

“Uma vez que você saberia por qual nome distinguir-me dos outros, eu lhe digo que eu seria, e espero ser, um Cristão; e escolho, se Deus por acaso tiver-me como merecedor, ser chamado um Cristão, um crente, ou qualquer outro nome que seja aprovado pelo Espírito santo. Quanto àqueles títulos facciosos (ou sectários) como Anabatista, Presbiteriano, Independente, ou coisa parecida, eu concluo que eles não vieram de Antioquia nem de Jerusalém, mas do inferno e de Babilônia, pois eles tendem a divisões; você poderá conhecê-los por seus frutos.” – John Bunyan, O Peregrino.

“É, no entanto, um nome honrado – a mais honrosa denominação que se pode conferir a um mortal. Ele sugere imediatamente a um cristão o nome de seu grande Redentor; a ideia da nossa relação íntima com ele; e o pensamento de que o recebemos como nosso líder escolhido, a fonte de nossas bênçãos, o autor da nossa salvação, a fonte de todas as nossas alegrias. É o nome distintivo de todos os redimidos. Não é que pertencemos a esta ou aquela denominação... não é aos que se postam alto em tribunais, e entre os frívolos, os elegantes, e ricos, que a verdadeira honra é conferida aos homens. Estas não são as coisas que dão distinção e singularidade aos seguidores do Redentor. É que eles são “cristãos” Este é o nome especial deles; e por este eles são conhecidos; isso sugere prontamente seu caráter, seus sentimentos, suas doutrinas, suas esperanças, suas alegrias. Isso os vincula todos juntos, um nome que se eleva acima de todas as outras denominações; que une os habitantes de nações e tribos distantes de homens; que liga os extremos da sociedade, e os coloca em seus aspectos mais importantes num nível comum, e que é um vínculo que une em uma família todos aqueles que amam o Senhor Jesus, embora vivam em climas diferentes, falem línguas diferentes, estejam envolvidos em atividades diferentes na vida, e ocupem sepulturas distantes na morte. Aquele que vive segundo a importância deste nome é o mais abençoado e eminente dos mortais.” – Albert Barnes, Notas Sobre o Novo Testamento de Barnes (Atos 11:26).

“A tentativa combinada dos batistas calvinistas de equiparar o Calvinismo à ortodoxia batista não é compartilhada pelos seus “primos” presbiterianos e reformados. Estes dois grupos são basicamente os mesmos em se tratando de doutrina: o termo Reformado, enfatizando as doutrinas da Reforma, e o termo Presbiteriano, enfatizando sua forma de governo eclesiástico... Assim o Calvinismo deve ser igualado à teologia reformada – não apenas por mera aquiescência, mas por ser um termo completamente cognato. O supracitado D. James Kennedy relata por que ele é um presbiteriano: “Eu sou presbiteriano porque acredito que o Presbiterianismo é a forma mais pura do Calvinismo.”... Ninguém pode ser presbiteriano ou reformado sem ser um calvinista, mas alguém pode certamente ser um batista. Um batista calvinista devia ser um nome impróprio, pois, nas palavras do reformado holandês Herman Hanko: “Um batista é apenas inconsistentemente um calvinista.”... No começo da época de Eduardo, levantou-se um partido na Inglaterra que desejava uma reforma mais completa, embora só foi mais tarde que eles foram chamados de Puritanos... O título Arminiano era agora usado pelos puritanos para impugnar aqueles que rejeitavam o Calvinismo. O Arminianismo (oposição ao Calvinismo) foi chamado de Pelagianismo. Mas como de costume, alguns não colaboravam com o inventado debate calvinista-arminiano. O célebre anti-calvinista Richard Montagu (1577-1641) afirmou que “ele não era nem arminiano, nem calvinista, nem luterano, e sim cristão.” – O Outro Lado do Calvinismo, Laurence M. Vance, págs. 26-28; 169 (em inglês).

“Estou convencido de que qualquer teologia e qualquer concílio – por mais que deva ser entendido em termos de sua época e da anterior – deve, ao ponto em que afirma ser cristão, ser em última análise julgado pelo critério do que é cristão. E o critério do que é cristão – também de acordo com o conceito dos concílios e papas – é a mensagem cristã original, o evangelho, de fato a figura original do cristianismo: o verdadeiro e histórico Jesus de Nazaré, que para os cristãos é o Messias...” – Hans Küng, A Igreja Católica, Uma Breve História, pág. 23 em inglês.

“Somos rigorosamente não-sectários, e conseqüentemente, não reconhecemos qualquer nome sectário, acreditando como Paulo, (leia 1 Cor 3:1-4) que quando alguém diz ‘Eu sou de Paulo, e eu sou de Apolo, ou eu sou um Batista, ou sou um metodista, etc, isso é evidência de carnalidade e, conseqüentemente, está em oposição ao Espírito de Cristo. Será que Paulo ou Apolo morreram por nós? Se assim for, vamos chamar-nos pelos nomes deles. Fomos nós batizados na igreja Metodista, Presbiteriana, Batista, ou outras igrejas denominacionais? Se assim for, somos membros dela, e devemos ser devidamente reconhecidos por esses nomes. Mas se fomos batizados em um só corpo, ou igreja da qual Jesus é o único cabeça, então somos membros, em particular do corpo dele, e o único nome apropriado seria sua, biblicamente chamada “Igreja de Cristo”, “Cristãos”, “Igreja do primogênito”, e nomes gerais desse tipo... Não temos nenhum credo (cerca) para nos unir ou para manter os outros fora de nossa companhia. A Bíblia é o nosso único padrão, e seus ensinamentos nosso único credo... Estamos em comunhão com todos os cristãos, nos quais podemos reconhecer o Espírito de Cristo, e especialmente com aqueles que reconhecem a Bíblia como seu único padrão. Nós não exigimos, portanto, que todos vejam as coisas como nós, para poderem ser chamados de cristãos, reconhecendo que o crescimento na graça e no conhecimento é um processo gradual... Se todos os cristãos se libertassem desse modo dos credos prescritos, para estudar a Palavra de Deus sem preconceitos denominacionais, a verdade, o conhecimento e a verdadeira comunhão e unidade cristãs seriam o resultado. O Espírito do cabeça impregnaria os membros do corpo sem restrições, e o orgulho sectário desapareceria... Sempre nos recusamos a ser chamados por qualquer outro nome a não ser o do nosso Cabeça – Cristãos – afirmando o tempo todo que não pode haver qualquer divisão entre os que são guiados pelo seu Espírito e exemplo, conforme é tornado conhecido pela sua Palavra." (Charles Taze Russell, 1882 – Reimpressões de A Torre de Vigia de Sião).

“Ser um cristão é precisamente o mesmo que ser um Discípulo de Jesus Cristo. Um Discípulo, em termos gerais, é aquele que reconhece alguém como seu mestre, e segue fielmente suas instruções... Para ser um discípulo de Jesus Cristo são necessárias duas coisas: recebê-lo como instrutor, e obedecer a ele como mestre. (1.) Receber a Cristo como instrutor, considerá-lo como instrutor de nossas almas, a cujos pés estamos prontos para nos sentarmos como humildes alunos dóceis, e receber sem questionar, o que quer que ele transmita a respeito de Deus, seu caráter, e seus propósitos divinos. Aquele que está, portanto, ansioso e disposto a aprender de Jesus como Mestre designado por Deus, ou o que é a mesma coisa, extrair sua religião do Novo Testamento, é então um cristão. E ele pode reivindicar perfeitamente esse título, quando (2.) ele põe em prática essas instruções, e se ajusta fielmente a elas de coração, disposição e conduta. Esta fé e confiança nele como Mestre divino e a obediência a ele como Salvador, constituem um cristão. Alguns, no entanto, virão aqui nos dizer que isso não é suficiente. Eles vão enumerar uma determinada lista de doutrinas, que há necessidade de acreditar que Jesus ensinou, e dirão que ninguém é cristão, a menos que abrace certa certa forma e número especificado de artigos religiosos. — A esses eu respondo: Quem disse isso? Quem lhe deu o direito de dizer que há apenas uma seita em toda a cristandade que contém os verdadeiros discípulos? Pois realmente a afirmação chega a esse ponto: — como se não fosse mais agradável ao Senhor, que a pessoa se chegasse a ele para aprender dele, com a disposição correta e o esforço fiel, devendo simplesmente se ater a um conjunto correto de opiniões abstratas. Não há um trecho no Novo Testamento que exija uma fé completamente infalível, antes de uma pessoa poder ser contada como discípulo de Cristo. Eu posso apontar para uma multidão de trechos que exigem uma vida sem erros, mas eu não me lembro de um único que exija uma fé sem erros. — Pelo contrário, recordo que nos é dito para “acolher os fracos na fé”, e não só isso, recebê-los “sem questões subjetivas”. (Rom. 14:1). Lembro-me também que, enquanto os doze sempre foram reconhecidos pelo seu Mestre vivo como seus discípulos, eles tinham muitos grandes erros de fé, mesmo no que diz respeito à natureza do reino dele. Mas, daí, eles foram alunos humildes, sinceros e diligentes — eles o ouviram e seguiram, depositando toda a sua confiança nele; e, portanto, não obstante seus erros, foram acolhidos por ele. — É evidente, portanto, que a nenhum homem deve ser recusado o nome de cristão, unicamente em razão duma suposta imperfeição de sua fé. Os que tiverem elaborado seus artigos e declararem que todos os que não se ajustam a eles não são cristãos, estão julgando os homens por um padrão errado — um padrão que seu próprio Mestre, por sua conduta em relação aos seus discípulos, teria desaprovado... Declarei estes dois casos fortemente, porque é mais fácil para testar o princípio deste modo. Sobre esses casos, e eles não são de modo algum imaginários, não pode haver qualquer diferença de opinião, e eles provam que é perfeitamente absurdo pretender que qualquer determinado conjunto de opiniões, além do reconhecimento da autoridade divina de Jesus Cristo e de seu evangelho, seja essencial para um cristão, ou constitui um cristão. Eles nos provam ainda — que ele é um verdadeiro discípulo, que, tendo paciente e humildemente aprendido de Jesus o que quer que ele ensine, e se introduzido no evangelho dele para a salvação, cultiva fielmente seu espírito, e forma o seu caráter de acordo com seu ensino e exemplo. Esta é uma definição que não pode ser posta de lado. Ela irá se manter adequada em meio a toda a oposição de zelo e fanatismo. Esta, para todos os efeitos práticos, nunca foi e nunca deverá ser objeto de recurso, pelo frio senso comum e julgamento unânime de todo o mundo cristão... Quão importante, então, é que evitemos o erro de fazer de nossas opiniões particulares o padrão para julgar as reivindicações de nossos associados. Não é o padrão correto pelo qual julgar a nós mesmos; muito menos julgar outros. Não podemos ir além de suas características gerais; e se o caráter deles, edificado na caridade, está de acordo com o espírito reto e devoto do evangelho, serio o grau mais extremo de arrogância e erro de nossa parte negar-lhes o nome de cristão. Podemos achar as opiniões deles errôneas, e dizer isso, se quisermos, mas acusá-los de não ser cristãos, por acharmos que as opiniões deles estão erradas — seria um absurdo que linguagem alguma pode expressar.” – Henry Ware (1764-1845).

“... Não encontramos qualquer incentivo nas Escrituras Gregas para identificarmos e nos juntarmos à “associação” certa. Por quê? Porque os primeiros cristãos eram discípulos ou seguidores duma pessoa! Cada indivíduo que se tornava cristão assumia a responsabilidade de seguir os ensinamentos de Jesus, não simplesmente de encontrar e juntar-se à “organização certa”. Seu discipulado e relacionamento com Jesus era definido pela mudança de atitudes e comportamento, e não pela associação com um grupo específico... Os primeiros cristãos concentravam sua atenção em seguir Jesus, vivendo de uma maneira que mostrava que eles eram submissos a Deus e que apreciavam o que Deus tinha feito por eles, através de Jesus, em vez de uma estrutura organizacional, tradição, ritos externos, interpretações únicas ou novas explicações de trechos das Escrituras ... [os primeiros cristãos não] concentravam sua atenção no Pai à parte do representante oficial dele, Jesus Cristo. Uma vez que Jesus representava seu Pai perfeitamente, e fora dado a ele todo o poder no céu e na terra, o foco deles em Jesus não diminuía a importância de seu Pai, pois era a vontade do Pai que todos honrassem o Filho como honram o Pai: ‘Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai  que o enviou.’ (João 5:23) Jesus disse-lhes que eles seriam suas testemunhas até a parte mais distante da terra. (Atos 1:8) É por isso que os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos. Eles eram seus servos, pois Jesus disse: ‘Aquele que me serve, meu Pai o honrará’ – João 12:26 ... Todos os que são do povo de Deus nunca estiveram reunidos numa denominação, igreja ou área geográfica. As Escrituras ensinam de modo claro que aqueles que verdadeiramente seguem a Jesus podem ser identificados principalmente por seu comportamento piedoso. Esta não é apenas uma aparência de atos piedosos motivada pelo egoísmo ou pelo desejo de proeminência pessoal, mas algo genuíno, motivado pelo profundo amor a Deus, o que resulta em obediência aos seus mandamentos. Estes verdadeiros cristãos estão onde quer que você os encontre. Jesus foi e continuará a ser absoluta e completamente bem sucedido em encontrar todas as suas ovelhas. Cada uma delas ouve a sua voz, e ele não perderá nenhuma delas. (João 6:39; 10:14) – Onde Está o Corpo de Cristo?, Thomas W. Cabeen.

“A chamada [de Cristo] foi "vinde a mim", não a uma organização, igreja ou denominação. (Mateus 11:28)... Devido à mentalidade tradicional que tem sido perpetuada ao longo dos séculos, muitos não são capazes de aceitar outra pessoa que não seja identificada e aprovada pelo padrão de seus grupos religiosos particulares. Assim, seu objetivo será sempre que os outros se tornem membros de seu movimento — denominacional ou não-denominacional. Infelizmente, esse espírito sectário torna difícil que eles aceitem como filhos de Deus pessoas que não pertencem ao seu movimento religioso, restringindo muito sua associação, estreitando seu amor e tolhendo seu crescimento espiritual... Independentemente da forma que um espírito sectário possa ter, ele é prejudicial em sentido espiritual e todos os que procuram ser fiéis discípulos de Jesus Cristo devem resistir a esse espírito... Muitas pessoas conseguem se libertar das manifestações extremas do espírito sectário, mas ainda são influenciadas negativamente pelos conceitos teológicos que se desenvolveram depois do primeiro século. A orientação doutrinária condicionada pode interferir na capacidade delas de desenvolver uma apreciação profunda do papel de Cristo, em conduzi-las ao Pai. (1 Pedro 3:18)... Um reconhecimento apropriado do que somos pode nos ajudar a impedir que elevemos qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos a uma posição imprópria, atribuindo-lhes o tipo de autoridade de ensino que pertence exclusivamente a Jesus Cristo. Nenhum humano tem o direito de reivindicar para si esta preeminência, porque Cristo apenas é “o primogênito entre muitos irmãos”. (Romanos 8:29)... Individualmente, somos co-irmãos, ouvindo o ensino de nosso irmão mais velho. Enquanto alguns de nós podemos compreender determinada instrução um pouco melhor, podendo ser capazes de ensinar isso a outros crentes, trazendo à atenção deles o que ele ensinou, continuamos como seguidores aprendizes. Qualquer relacionamento entre os membros da família dos filhos de Deus deve se harmonizar com as palavras de Jesus: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.” — Mateus 23:8-12” (Dos artigos “O Que Posso Fazer, Se Não Estou Numa Organização Religiosa?” e “A Importância de Um Relacionamento Pessoal Com Deus e Seu Filho”, publicados originalmente em inglês. N.T.: As traduções de ambos estão disponíveis no Mentes Bereanas).

“Que nem todos os que posteriormente adotaram o nome “cristãos” realmente o eram é evidente. Cristo Jesus avisou sobre a apostasia em sua parábola do trigo e do joio. O apóstolo Paulo, que era conhecido como “cristão”, ressoava esse aviso em seus escritos.  Em Revelação, o apóstolo João expôs a condição adúltera já existente em algumas congregações de sua época.  Reconhecia-se claramente que haveria falsos cristãos, muitos deles. Mas nem Cristo, nem Paulo, nem João, nem qualquer dos escritores bíblicos indicaram que uma mudança de nome de algum modo remediaria a situação. Não seria pela adoção de um nome diferente, uma nova etiqueta, mas por meio do proceder de vida exemplificado pelo genuíno cristianismo e por meio do apego à verdade conforme se encontra nos ensinos do Filho de Deus e de seus apóstolos e discípulos é que se faria a única distinção significativa. Quando os anjos de Deus levarem a cabo a parte final da parábola, efetuando a colheita que separa o trigo do joio, os rótulos em forma de nomes denominacionais com certeza não terão importância alguma. (Raymond Franz, Em Busca da Liberdade Cristã, capítulo 14 [2ª edição em português]).

“... O Filho de Deus deu a garantia de que teria verdadeiros seguidores, não apenas no primeiro século ou no século XXI, mas em todos os séculos intermediários, pois ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”  Embora entremisturados com todas as “ervas daninhas” que estavam destinadas a surgir, ele saberia quem eram estes discípulos genuínos, não por pertencerem a alguma organização mas pelo que eram como pessoas. Onde quer que estivessem, por mais imperceptível que possa ter sido do ponto de vista humano a participação deles em sua congregação, ele os tem conhecido e guiado através dos séculos como seu Cabeça e Amo... A Palavra de Deus mostra que não compete a homens — não é nem mesmo possível para homens — separar as pessoas de modo que digam que agora ajuntaram todo o “trigo” nitidamente num só cercado. As Escrituras deixam claro que só quando o Filho de Deus tornar conhecido seus julgamentos, tornar-se-á manifesta essa identificação... [Antes de encerrar a associação com uma organização religiosa que durou quase uma vida inteira] faz-se a pergunta: “Para onde vou, então? O que passo a ser?” Não sinto necessidade de “ir” a parte alguma, pois conheço Aquele que tem as “declarações de vida eterna.”  Aprecio o companheirismo fortalecedor daqueles com quem me associo (quer pessoalmente quer por correspondência) e espero que o futuro acrescente a meu relacionamento outras pessoas sinceras cujo interesse seja pela verdade, não simplesmente em doutrinas, em palavras, mas como um modo de vida. (1 João 3:18) Estou, portanto, simplesmente procurando ser um cristão, um discípulo do Filho de Deus. Não posso entender por que alguém iria querer ser algo diferente. Não posso compreender como alguém pode esperar ser algo mais.” (Crise de Consciência, Raymond V. Franz, capítulo 13 [2ª edição em português]).

“O nome cristão engloba dentro de si mesmo, de uma forma mais genérica, todas as obrigações expressas especificamente pelos outros nomes [‘santo’, ‘discípulo’, ‘irmão’, ‘filho de Deus’]. Sendo derivado do nome daquele que é “o cabeça sobre todas as coisas para a Igreja”, cujo nome está acima de todo nome, é um título de honra e glória peculiar. Ele convida o homem que o usa a desempenhar uma parte em consonância com as memórias históricas que giram em torno dela, e o encoraja com a reflexão de que ele usa uma alta dignidade, mesmo quando desprezado e pisoteado pelos poderes da terra. Assim pensou Pedro, quando este nome era o mais desprezado ... Para não multiplicar as palavras sobre este ponto, é suficientemente evidente, a partir das considerações acima, que os partidos e os nomes partidários entre os cristãos deveriam ser eliminados. Se dissermos que é impossível eliminá-los, estamos simplesmente dizendo que é impossível levar os cristãos de volta ao modelo do Novo Testamento, pois, no período do Novo Testamento não havia essas divisões e, portanto, a restauração dessa condição da Igreja seria a destruição de partidos e nomes partidários. Se isso for impossível, só pode ser por uma causa, e esta é, que os homens que professam tomar a palavra de Deus como seu guia são tão hipócritas nesta profissão, que eles, com todos os riscos, persistirão em desprezar a autoridade dela em referência a um destacado item do dever. Quão vergonhoso é que os homens defenderão partidos e nomes partidários, que eles sabem perfeitamente que uma estrita conformidade com o Novo Testamento destruiria completamente!... Aqueles que amam a Deus devem libertar-se de uma vez, como indivíduos, da escravidão ao partido, e tomar uma posição onde eles não defendam partido algum, e não usem qualquer nome partidário. Todos os que agirem assim, encontrar-se-ão firmados conjuntamente sobre a palavra clara das Escrituras, como sua única regra de fé e prática.” – Comentário do Livro de Atos de W. McGarvey.

“Se vocês são insultados por causa do nome  de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso, ou como quem se intromete em negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.” – 1 Pedro 4:14-16, Nova Versão Internacional.

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[1]   Anchor Bible Dictionary, Volume I (Nova York: Doubleday, 1992) pág. 925. (O grifo é nosso).

[2] Notas sobre o Novo Testamento, Explicativas e Práticas, Albert Barnes, editado por Robert Frew DD, Atos (Grand Rapids: Baker Book House, 1967) pág. 185 em inglês.

[3] Wycliffe Bible Commentary (Chicago: Moody Press, 1962) pág. 1144 em inglês.

[4] Atos 11:26

[5] Dicionário Bíblico Fausset, A. R. Fausset (Grand Rapids: Zondervan, 1963) pág. 126 em inglês. Seria mais correto dizer “como chrematizo quase sempre exprime”, ou “normalmente exprime” no Novo Testamento.

[6] Biblesoft’s New Exhaustive Strong’s Numbers and Concordance with Expanded Greek-Hebrew Dictionary.Copyright (c) 1994, Biblesoft e Tradutores Internacionais da Bíblia, Inc.

[7] Léxico Grego de Thayer e Léxico Hebraico de Brown Driver & Briggs, Copyright(c)1993

[8] Comentário de Adam Clarke Sobre a Bíblia Sagrada, Edição em volume único, condensado, com base na obra original em seis volumes. Ralph Earle, Th.D. (Grand Rapids: Baker Book House, 1967) pág. 987 em inglês (os grifos são nossos).

[9] O conceito de Barnes foi expresso em seu comentário (pág. 186 em inglês), da seguinte forma: “Estou inclinado a crer, porém, que foi dado a eles pelos gentios que estavam lá simplesmente como um título, sem intenção de usá-lo como um nome de reprovação, e que foi prontamente adotado pelos discípulos como um nome que poderia apropriadamente designá-los.”

[10] Enciclopédia de McClintock e Strong de Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica, Volume II (Grand Rapids: Baker Book House, publicada entre 1867-1887, Reimpressão de 1981) pág. 269. “Nossa versão” aqui é, provavelmente, uma referência à Versão Rei Jaime (1611) ou Versão Revisada (1881).

[11] Comentário original de J.W. McGarvey sobre Atos. Garvey também observa: “Este nome, tenha ele sido dado por autoridade divina ou humana, não foi concebido como um título exclusivo, visto que os outros continuaram em uso após a sua introdução. Ele simplesmente tomou seu lugar entre outros nomes, para atender sua própria finalidade especial”.

[12] O termo ‘evangélico’ significa “pertencente a, ou característico do Evangelho.” Tecnicamente, um evangélico pode significar simplesmente alguém que acredita no evangelho ou boas novas. Mas muitos podem apreciar os sentimentos expressos pelo conhecido erudito bíblico F. F. Bruce, que certa vez disse: “Ele se deleitava em ser chamado de evangélico, mas não se isso significasse uma divisão dentro da grande comunidade da fé. Para ele, ser evangélico era estar comprometido com o Evangelho da graça de Deus revelada em seu Filho.” (Artigo da revista Christianity Today). O rótulo evangélico, porém, tomado em seu significado estrito e tradicional, refere-se a um dos muitos subgrupos cristãos que mantêm seu próprio conjunto de interpretações únicas, credos pós-bíblicos, dogmas extra-bíblicos e tradições eclesiásticas. Conforme apontado pelo Dr. Sproul: “No uso popular, evangélico significa uma espécie dentro do gênero cristão. Por isso, muitas vezes ouvimos o termo cristão evangélico, no qual a palavra evangélico designa um tipo particular de cristão... os reformadores chamavam a si próprios de evangélicos para se distinguir dos católicos romanos. Neste contexto, o termo evangélico funcionava como um sinônimo para protestantes”. – Obtendo o Evangelho Correto, O Laço Que Une os Evangélicos (Grand Rapids: Baker Books, 1999), págs. 32, 34 em inglês.

[13] Sproul, Obtendo o Evangelho Correto, pág. 32. (O grifo é nosso.)

[14] Livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus (Brooklyn, Nova Iorque, EUA: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1993), págs. 150-152 – o grifo é nosso.

[15] Em uma correspondência F. F. Bruce observou certa vez: “As pessoas que aderem à crença na Bíblia apenas (conforme acreditam), muitas vezes aderem de fato a uma escola tradicional de interpretação da sola scriptura. Os evangélicos podem ser servos da tradição tanto quanto os católicos romanos ou os ortodoxos gregos, só que eles não percebem que é tradição.” (Correspondência de 13 de junho de 1981). Revista Foco no Reino (em inglês)

[16] Enciclopédia Mundo Cristão, Segunda Edição, Um Levantamento Comparativo das Igrejas e Religiões no Mundo Moderno (Editora da Universidade de Oxford, 1981). A pág. vii, editada por David B. Barrett (editor) observou: “Esperava-se que a tarefa de compilar esta enciclopédia levaria cerca de três anos; no caso, levou 12 anos. A razão para este longo período foi que todos os originalmente envolvidos, incluindo o editor, subestimaram seriamente o imenso tamanho e complexidade do mundo cristão. Descobriu-se que o número de denominações é quatro vezes maior do que a estimativa feita em 1968.” No mesmo prefácio Barrett fala especificamente sobre a “proliferação de 20.800 denominações”.

[17] Isto não quer dizer que as Escrituras apoiariam uma unificação de todas as denominações, independentemente de seus sistemas de crenças. Em muitos casos, há diferenças muito sérias e envolventes quanto aos ensinos / dogmas e as alegações de autoridade entre as várias igrejas. A unidade entre os cristãos deve ser uma unidade baseada na verdade, a verdade da palavra de Deus conforme encontrada nas Escrituras Sagradas. A verdade fundamental que deveria e faz unir todos os cristãos, diz respeito à verdadeira identidade de Jesus de Nazaré; e é a aceitação e fé em Jesus como o “Cristo” ou “Messias”, “o Filho do Deus vivo”. (Mateus 16:13-18; compare com 1 João 4:15, 5:1, Efésios 4:13-14)

[18] Segundo um respeitado erudito da tradição “reformada”: “Todos os cristãos reformados reconhecem especialmente João Calvino como seu pai. Mas Calvino pode ser entendido de maneiras diferentes, e, como é o caso em qualquer família, seus filhos sentem diferentes graus de dependência dele... Além disso, não há nenhuma declaração oficial de fé para que todas as igrejas reformadas subscrevam. Há muitas declarações diferentes. Todas elas têm uma semelhança de família comum, mas diferem entre si na ênfase, no espírito em que foram escritas, e às vezes no conteúdo teológico... Em outras palavras, na família reformada há muita margem para as diferenças individuais e liberdade de movimento... estritamente falando, ‘reformado’ é um título teológico, não um título denominacional. É um erro limitá-lo a alguma denominação.” – Shirley C. Guthrie, Doutrina Cristã, Edição Revisada, págs. 16, 17 em inglês.

[19] Um autor observa: “O termo [ortodoxo] em si é excelente, vindo das palavras gregas ortho e doxa, que significam simplesmente “ensino correto”. Na verdade, este passou a representar o conjunto de crenças que foram definidas e instituídas em resultado dos diversos concílios realizados nos primeiros séculos. Algumas destas crenças são simples reafirmações das Escrituras e são obviamente “ensino correto”. Outras são fruto de interpretações, argumentações e debates, e foram proclamadas “ortodoxas” por homens em autoridade. Como certa fonte descreve: “o cristianismo ortodoxo é algo puramente descritivo, referindo-se simplesmente à opinião da maioria.” (Dr. Bruce Shelley, História da Igreja em Linguagem Clara, pág. 62 em inglês)” – Citado do livro Em Busca da Liberdade Cristã, Raymond Franz, págs. 704, 705 em inglês.

[20] Alguns se identificam (ou são identificados por outros) como “calvinistas dos quatro pontos”, “calvinistas moderados”, e até mesmo, “hiper-calvinistas”.

[21] Já em 1960, observou-se: “Há cerca de 300 denominações distintas na América de hoje, incluindo mais de 25 grupos de batistas, alguns dos quais continuam a se fragmentar.” (William Adams, em sua Introdução à obra Vida no Filho, de Robert Shank) Em 2002, Robert Kimball, um ministro batista escreveu: “O número de denominações é incompreensível. Só os Batistas nos Estados Unidos, têm hoje mais de 80 grupos oficialmente reconhecidos. Estes variam em tamanho desde a Convenção Batista do Sul, a maior denominação protestante do país, chegando a mais de 16 milhões de membros, passando pelas Convenções Nacionais Batista e Batista Progressista até as comunhões pequenas, tais como a Batista Primitiva, Batistas do Livre Arbítrio, e Batistas do Sétimo Dia”. – Charles Kimball, Quando a Religião se Torna Má, (Harper San Fransisco: First HarperCollins Paperback Edition, 2002). pág. 218 (nota de rodapé)

[22] Também traduzido como vinda ou presença (grego: parousia).

[23] Lit., “Eu sou de Paulo... eu sou de Apolo...”

[24] 1 Coríntios 1:12-15, NVI

[25] Afirma-se que um cristão do início do segundo século escreveu: “É justo, pois, não só sermos chamados cristãos, mas sê-lo na realidade. Pois não é ser chamado assim, mas ser realmente assim, que faz um homem abençoado... Provemo-nos, portanto, dignos desse nome que recebemos [‘portanto, tendo nos tornado seus discípulos, aprendamos a viver segundo os princípios do Cristianismo’, Versão Curta].” – Epístola de Inácio aos Magnésios, Os Pais Antenicenos, págs. 61, 63 em inglês.

[26] N.T.: Não só Lutero, como também outros expoentes de organizações religiosas seguidas por milhões hoje se pronunciaram desta mesma maneira. Eis aqui dois exemplos adicionais: “Quisera Deus que todos os nomes sectários, e frases e formas não bíblicas que dividiram o mundo Cristão, fossem esquecidos e que o próprio nome [Metodista] nunca mais fosse mencionado, e sim enterrado no esquecimento eterno.” – John Wesley, Conhecimento Universal, Um Dicionário e Enciclopédia de Arte, Ciência, História, Biografia, Lei, Literatura, Religiões, Nações, Raças, Costumes e Instituições, Vol. 9, Editado por Edward A. Pace (Nova Iorque: Universal Knowledge Foundation, 1927, pág. 540). “Eu digo sobre o nome Batista, que pereça, mas que o nome de Cristo permaneça para sempre. Aguardo com satisfação o dia em que não haverá um só batista vivo. Espero que eles desapareçam logo. Espero que o nome Batista pereça logo, mas que o nome de Cristo dure para sempre.” – Charles Spurgeon, Spurgeon Memorial Library, Vol. I., pág. 168 em inglês.

Patrick C. Navas