Provérbios 18:1

“Quem se isola, procurará o seu próprio desejo egoísta, estourará contra toda a sabedoria prática” (TNM)

É muito freqüente esse provérbio ser mal aplicado por certos representantes da Torre de Vigia. Como em muitos outros casos, é dada ao texto uma aplicação “organizacional”, como se estas palavras de Salomão estivessem sendo dirigidas primariamente àqueles que deixam a organização ou não mais apóiam ativamente seus ensinos e procedimentos. Num caso assim os líderes da organização ou seus representantes locais não perdem tempo em afirmar que tais pessoas estão “se isolando da congregação” e por isso irão colher as 'amargas consequências' de tal isolamento na forma de “solidão”, “perda da alegria” e outros sentimentos negativos. Do ponto de vista deles, isso seria o 'estouro contra toda a sabedoria prática', referido no texto. E infelizmente, pelo que se nota, até mesmo algumas pessoas que deixam a organização parecem inclinadas a aceitar esse tipo de argumentação!

Segue-se um trecho de uma resposta que um dos membros do Mentes Bereanas enviou a um leitor que mencionou este problema. Cremos que tal resposta pode contribuir para lançar um pouco de luz sobre o sentido deste texto:

“Mas esta solidão não é resultante de um 'isolamento' como o mencionado em Prov. 18:1 (isso, aliás, é o que a organização gostaria que pensássemos...). Esse texto não tem nada que ver com algum 'isolamento da congregação' (como certo ancião comentou uma vez indevidamente num "estudo de A Sentinela", e outro ancião disse numa conversação em grupo, ambos jogando uma indireta para mim [o membro do MB referido aqui]). Não, o texto é amplo, ele está falando da pessoa que se isola de todos, do resto da humanidade, e tenta virar uma espécie de 'ilha'. Num caso assim, eu concordo plenamente que isso é 'procurar o próprio desejo egoísta e estourar contra toda a sabedoria prática', como diz o texto.

A nossa situação, como dissidentes da Torre de Vigia é muito diferente disso. Nenhum dissidente que se preza escolheu 'se isolar' dos irmãos de qualquer maneira. Quem provoca esse isolamento é a liderança da Torre de Vigia, por causa de suas políticas tais como 'tomar nota', 'desassociar', controlar a informação e manipular os irmãos, levando-os a encarar automaticamente qualquer pessoa que discorda de alguma coisa que eles ensinam como um 'apóstata', um 'elemento perigoso' e daí criar um clima de suspeita em torno dessa pessoa dentro da organização.

E nenhum dissidente se isola do resto da humanidade. Pelo contrário, quando estamos fora da organização, nosso potencial de sociabilidade e de auto-estima pode até aumentar, pois, para começar, paramos de nos ver como os 'superiores' e 'donos da verdade bíblica' e os 'sabichões', que 'profetizam' o que vai acontecer no futuro. E podemos encarar todas as pessoas de igual para igual, pelos que elas são como indivíduos e não por coisas tais como filiação a alguma religião. É claro que o efeito disso nos relacionamentos do cotidiano pode ser ótimo, se soubermos fazer as coisas com calma e sem precipitação.”

Uma simples consideração da maneira como outras versões bíblicas expressam este texto também pode ser de ajuda para compreendermos o sentido dele. Seguem-se 4 exemplos:

1. Aquele que vive isolado busca seu próprio desejo; insurge-se contra a verdadeira sabedoria. (Almeida Atualizada)

2. Busca satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria. (Almeida Corrigida Fiel)

3. Uma pessoa egoísta luta diretamente contra Deus quando procura fazer a sua própria vontade e acaba se tornando solitária. (Bíblia Viva)

4. Quem não gosta de estar na companhia dos outros só está interessado em si mesmo e rejeita todos os bons conselhos. (Bíblia na Linguagem de Hoje)

Estas versões apresentam as palavras do sábio rei Salomão sobre o “isolamento” (algo realmente prejudicial, como é aceito universalmente) em termos bem amplos. Ele não poderia estar se referindo a alguém que deixa de seguir ou apoiar alguma organização religiosa moderna (ou mesmo é expulso dela contra a vontade) pelo fato de discordar de certos ensinos.