A Proibição das Transfusões de Sangue - Uma Diretriz do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová

 

Há um detalhe que chama a atenção quando examinamos uma das últimas considerações que a organização Torre de Vigia fez sobre o assunto do sangue. A Sentinela de 15 de junho de 2004, no artigo “Aceite a Orientação do Deus Vivente” (páginas 19 a 23) tenta persistentemente impor a idéia de que no caso dos primitivos cristãos, a proibição se originava do “Corpo Governante”, enquanto que no caso das atuais Testemunhas de Jeová é a “consciência” de cada uma delas que faz com que se recusem a aceitar o sangue ou seus componentes primários. Transmite-se a impressão de que o “Corpo Governante” da era moderna não tem qualquer responsabilidade nisso.

Quando trata da situação dos primitivos cristãos, esta Sentinela se expressa assim:

Página 20:

“Em 49 EC, o Corpo Governante cristão cuidou do assunto.”

“Numa carta às congregações, o Corpo Governante escreveu: “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos ...”

“É evidente que o Corpo Governante considerou a ‘abstenção do sangue’ tão moralmente vital quanto a da imoralidade sexual ou da idolatria.”

O Corpo Governante chegou à conclusão de que os cristãos têm de ‘abster-se de sangue’”

Página 21:

“Alguns talvez imaginem que o Corpo Governante simplesmente queria dizer que os cristãos não deviam comer ou beber sangue diretamente, nem comer carne que não havia sido sangrada ou alimento misturado com sangue.”


Ao tratar da situação atual, o artigo contém as seguintes declarações;

Página 21:

Ele [isto é, o cristão] tomou a firme decisão de nunca aceitar uma transfusão de sangue,

Como o servo de Deus pode decidir questões assim, lembrando-se de que o sangue é sagrado e que o sangue de Cristo salva a vida no sentido mais amplo?

Há décadas, as Testemunhas de Jeová deixaram clara a sua posição.

Página 22:

... as Testemunhas consideram que proíbem a administração de transfusão de sangue total,

as Testemunhas recusam a transfusão de sangue total ou de qualquer dos seus quatro componentes primários.

O entendimento religioso das Testemunhas de Jeová não proíbe de modo absoluto...

Página 23:

As Testemunhas de Jeová, ..., não aceitam...


E assim por diante. Os parágrafos 13 a 19 desse artigo tecem muitos comentários sobre o papel da “consciência” nas questões referentes ao sangue, tomando sempre o cuidado de atribuí-la às Testemunhas, sem qualquer referência ao “Corpo Governante”. Ou seja, para todos os efeitos, o Corpo Governante atual nada tem que ver com essa proibição.

Será verdade que foi algum “Corpo Governante” do primeiro século que ensinou isso aos cristãos daquela época?

De modo algum! A respeito de quem partiu a diretriz no caso do primeiro século, o texto de Atos 15:22 é bem claro:

"Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, junto com toda a congregação, enviar a Antioquia. . . [a carta que continha as decisões, registrada nos versículos 23 a 29]."

O texto não faz qualquer referência a um “Corpo Governante” decidindo tudo.

E no caso de hoje?  Será que o Corpo Governante atual das Testemunhas de Jeová não tem qualquer influência nisso?

O fato é que antigamente a organização tinha mais disposição de assumir a responsabilidade por essa doutrina. Nos últimos anos, a preocupação com questões legais tem feito a liderança da Torre de Vigia adotar a postura de nunca se apresentar claramente como sendo a verdadeira fonte das sempre mutantes normas relativas ao sangue. É por isso que qualquer documentação que ligue o Corpo Governante diretamente com a proibição do sangue só pode ser encontrada em décadas passadas.

Apresentamos neste artigo um desses documentos. Ele foi distribuído à classe médica em 1977, como parte da campanha do folheto As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue. Este tratado é útil para esclarecer ao leitor quem é a verdadeira fonte da proibição que as Testemunhas de Jeová seguem.

A Transfusão de Sangue – Por Que Não é Aceita pelas Testemunhas de Jeová?

 

CONCLUSÃO

Ambas as idéias que a Sentinela de 15 de junho de 2004 tenta a todo custo apresentar são demonstravelmente falsas. Os cristãos do primeiro século não foram instruídos por um “Corpo Governante” em questões relativas ao sangue. Eles foram apenas instruídos a deixarem de comer sangue, e tal decisão partiu da congregação inteira de Jerusalém, e não apenas de alguns homens.

E hoje, a recusa das Testemunhas de transfundir sangue ou componentes primários não é de modo algum uma decisão baseada na consciência individual. Elas fazem isso porque o Corpo Governante assim determinou.