Deus Trabalha Por Meio de Uma Organização?

 

Deus Trabalha Por Meio de Indivíduos e Por Meio Duma Organização?

Em vista da sobrepujante evidência de que ao longo da história Deus sempre comunicou sua vontade por meio de indivíduos, alguém poderia perguntar: Será possível que Deus se relacione conosco tanto individualmente como por meio duma organização, transmitindo-nos certas coisas por meio da Bíblia e outras por meio de instruções organizacionais? Esta ideia se baseia na premissa de que uma organização pode agir como se fosse uma pessoa. Uma organização não é uma entidade à parte, com capacidade de pensamentos, sentimentos e opiniões independentes. 

Quando as pessoas desejam canalizar seus esforços para efetuar alguma tarefa ou atingir algum objetivo, ou simplesmente desejam desfrutar duma associação, elas podem se juntar numa organização, com algum grau de união forte ou fraca. Elas podem designar um ou mais líderes ou porta-vozes para o grupo, e designar tarefas a vários membros. Os membros do grupo podem formar uma corporação legal para conduzir o empreendimento. Eles podem também chegar a um acordo sobre regras de conduta e procedimentos operacionais, a serem seguidos para se atingir os objetivos da organização. Porém, embora seja comum falar que uma organização realiza alguma coisa, isso é simplesmente uma figura de linguagem. Nenhuma atividade que seja atribuída a uma organização pode ser feita independentemente dos indivíduos envolvidos, estejam estes atuando em separado ou em conjunto. Todo pensamento ou ação provém de indivíduos. 

À parte dos membros, uma organização se torna absolutamente, incapaz de gerar, transmitir ou executar idéias. Isso quer dizer que qualquer informação que venha “da organização”, está na realidade vindo de uma ou mais pessoas. Isso explica por que às vezes é tão difícil para algumas Testemunhas de Jeová sinceras determinarem qual é, realmente, o “conceito da organização” sobre certos assuntos, uma vez que as orientações escritas ou verbais podem ser contraditórias. Isso ocorre porque essas orientações refletem os diferentes conceitos das diferentes pessoas que originaram as informações. 

Uma organização não tem conceitos próprios, opinião, memória, consciência, amor ou ódio. Ela não pode agir de maneira certa ou errada. Uma organização não pode, de forma alguma, fazer coisas por sua própria vontade. Só pessoas podem fazer isso. A verdade básica sobre a natureza das organizações torna claro que é só numa base pessoal que um indivíduo pode ter uma relação com Deus, ou com qualquer outra pessoa. 

Depois da Segunda Guerra Mundial, o partido nazista nunca foi julgado por seus crimes de guerra. Mas as pessoas que estavam associadas com ele foram. Uma organização não pode cometer crimes e nem ser punida por esses crimes. Não se pode atribuir qualquer culpa a ela. Mas isso pode ser atribuído a pessoas. É por isso que Jesus, ao falar sobre sua vinda em glória, disse que “separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.” Ao prosseguir falando, ele mostrou que pronunciará seu julgamento com base no comportamento da pessoa e não com base na lealdade dessa pessoa a uma organização ou estrutura de crenças. (Mateus 25:31-46). 

Isso não está sendo dito para argumentar que as organizações estão erradas ou que são más em si mesmas. Mas é preciso que entendamos o que as organizações realmente são e o que elas não são. 

Será que Deus Precisa de Uma Organização?

A palavra traduzida nas línguas modernas como “organização” vem da palavra grega organon que significa um implemento, instrumento ou ferramenta. Assim, por definição, uma organização significa mais do que apenas um grupo de pessoas. Assim como as ferramentas ou instrumentos, as organizações são criadas para cumprir algum propósito ou influenciar algum grupo que esteja fora da própria organização. O termo está mais freqüentemente ligado aos negócios, à atividade política e aos movimentos trabalhistas, sendo que todos estes derivam seu poder dos recursos coletivos de muitos indivíduos e usam essa força para atingir algum propósito que seria impossível de ser conseguido por uma única pessoa. 

Uma concordância bíblica mostrará que a palavra organon nunca aparece na Bíblia, e nem o conceito de indivíduos agindo como um instrumento coletivo. As palavras hebraicas traduzidas por “ferramenta” ou “implemento” são literais, e esses termos nunca são aplicados nas Escrituras a um grupo de adoradores aprovados por Deus. A Bíblia fala dos cristãos como uma “congregação”, “igreja” ou “corpo”, cuja razão de existir está dentro do próprio corpo. Embora eles possam influenciar pessoas que estão fora do corpo, os verdadeiros cristãos vivem somente por causa de Jesus Cristo e em função dele, que é a cabeça do corpo. O relacionamento intensamente pessoal entre cada crente e Jesus, o líder, é enfatizado vez após vez nas Escrituras Gregas Cristãs. 

Em contraste com as referências bíblicas a um corpo de crentes, o conceito de uma “organização visível” que Deus usa como se fosse uma ferramenta ou instrumento para pregar, anunciar os julgamentos e outras obras é fortemente enfatizado nas publicações da Torre de Vigia. Nesse contexto está sempre incluída uma característica encontrada no mundo dos negócios, na política e nas organizações trabalhistas: um pequeno grupo de líderes autorizados a dar orientação e tomar decisões em nome dos outros membros do grupo, dos quais se espera que obedeçam sem se queixar ou questionar. E como é também o caso no mundo dos negócios, na política e nos sindicatos, a lealdade à organização torna-se um conceito fundamental. Num ambiente assim, a consciência pessoal e o julgamento individual devem tornar-se menos importantes do que a obediência ou “unidade” (na verdade, uniformidade), pois, a menos que seus líderes sejam obedecidos, a organização não tem poder algum. 

Isso significa que a única autoridade que uma organização tem está nas mentes das pessoas que obedecem às regras e regulamentos organizacionais. (Compare com Romanos 6:16; 2 Pedro 2:19) A obediência às diretrizes estabelecidas pelos representantes de uma organização pode ser entendida como sendo obediência à organização. Mas não é este o caso. Trata-se simplesmente da obediência à vontade dos indivíduos que elaboraram as diretrizes. Uma organização não tem vontade própria. As organizações não são personalidades ou entidades com desejo, intelecto ou capacidade independentes. É fácil perdermos de vista esse simples fato quando somos confrontados com a evidência de enormes consecuções que são possíveis quando as pessoas canalizam seus recursos e esforços. Entretanto, prédios enormes e quaisquer outras consecuções materiais não impressionam a Deus e nem necessariamente indicam seu favor e sua bênção. – Gênesis 11:6. 

Não deveríamos nos deixar intimidar ou ser enganados quando os líderes de uma organização religiosa apontam para as marcas visíveis de “sucesso” como um sinal de que Deus os abençoa ou esteja apoiando seu trabalho. Os recursos e as habilidades de Deus são absolutamente ilimitados. Ele não tem qualquer necessidade de edifícios, parques gráficos, dinheiro ou qualquer tipo de estrutura organizacional para multiplicar seus recursos, como se existissem coisas que Ele mesmo não é capaz de realizar. 

Deus não tem nenhuma das limitações típicas das organizações. Por exemplo, as regras e regulamentos organizacionais que possam parecer as melhores para se governar a conduta das pessoas como grupo podem ser injustas para pessoas que estão dentro do grupo. Deus, por outro lado, pode dar atenção personalizada a cada um. Podemos confiar em que nosso Pai celestial conhece nossas necessidades individuais e nos proverá tais necessidades da melhor maneira possível. – Mateus.6:31-33; 1 João 5:13-15, 20.