Deus Trabalha Por Meio de Uma Organização?

 Uma Má ideia Cria Raízes

Nos dias dos profeta Samuel, os israelitas começaram a querer ter um rei. Eles queriam um governo visível centralizado. Por quê? Seria porque a forma teocrática de governo que trouxera paz e prosperidade por gerações não estava funcionando? Não. Seria para protegê-los da apostasia? Não. Por que, então? Eles disseram: “... teremos de tornar-nos iguais a todas as nações, e o nosso rei terá de julgar-nos, e terá de sair na nossa frente e travar as nossas batalhas.” (1 Samuel 8:20) O caso era que eles queriam ser exatamente iguais às nações pagãs ao redor deles. A ideia era egoísta, mundana e anti-teocrática. E foi exatamente isso o que Deus disse. Samuel pensou que Israel tinha rejeitado a ele como profeta, mas Jeová o corrigiu. Deus disse que esse pedido dos israelitas era uma rejeição dele como seu Rei invisível. Deus advertiu a nação de Israel que um governo centralizado os levaria a muitas dificuldades, mas eles continuaram insistindo que Deus desse a eles um rei humano. (1 Samuel, capítulos 8 a 10).

Deus concedeu o pedido deles. Escolheu um homem bom e capacitado, Saul, como seu primeiro rei. Com o passar do tempo, as boas qualidades que haviam levado Saul a ser escolhido se corromperam. Deus rejeitou Saul e escolheu outro rei para Israel, o jovem Davi, que veio a se tornar um homem “agradável ao coração [de Deus].” (1 Samuel 13:14) Mesmo um homem com essa recomendação maravilhosa não estava isento de sérias transgressões. O reino de Davi foi marcado por escândalos pessoais e tragédias familiares.

Salomão, o filho de Davi, e também selecionado por Deus, foi chamado de “o mais sábio de todos os homens”. Seu reinado de 40 anos foi caracterizado por paz, prosperidade e felicidade, mas, ao atingir mais idade, Salomão também se tornou infiel a Deus. (1 Reis 11:4-6) Em resultado disso, quando o filho de Salomão, Roboão, assumiu o trono, Jeová dividiu a nação, para sempre, em dois reinos: dez tribos ao norte (Israel) e duas tribos ao sul (Judá). – 1 Reis 11:9-13 

O governo centralizado sobre todo o Israel fracassou miseravelmente. Só durou três gerações, apesar do fato de que era o próprio Deus quem escolhia seus reis. A partir desse ponto na história dos judeus, qualquer tentativa de comparar os israelitas com as Testemunhas de Jeová de hoje se torna muito mais complicada. 

Dois Reinos, Uma Organização?

Depois da divisão em dois reinos, as coisas nunca foram as mesmas para os judeus. O reino de Judá continuou a ter descendentes de Davi em seu trono, ao passo que o reino de Israel teve dinastias múltiplas, às vezes sendo substituídas por meio de guerras sangrentas. Os dois reinados lutaram contra inimigos externos e entre si. Cada um tinha sua própria linhagem de reis. O reino setentrional estabeleceu um centro de adoração em Samaria, em vez de em Jerusalém, que estava no território do reino das duas tribos, ao mesmo tempo em que substituiu quase que totalmente os sacerdotes levitas por sacerdotes não-levitas, e gradualmente passou a praticar a adoração falsa. 

É difícil imaginar como a situação governamental entre os judeus poderia ser comparada de alguma maneira a uma única e harmoniosa organização com uma estrutura administrativa central. Não era o caso de um dos reinos ser fiel e o outro infiel. Tanto em um quanto no outro reino houve reis bons e maus. Deus não se refreou de ter tratos, quer com um, quer com o outro reino. Ele enviou profetas a ambos os reinos. Em qualquer um dos reinos, assim que um rei injusto tomava posse, a maldade imperava. Porem, sob o reinado de reis com inclinações justas, geralmente havia um retorno a uma forma mais pura de adoração, o que resultava em bênçãos. 

O reino setentrional de Israel caiu definitivamente nas mãos do rei assírio, Salmaneser, em meados do oitavo século antes de Cristo. Com o tempo, alguns de seus descendentes voltaram à sua capital anterior, Samaria, ao norte da Palestina. Nos dias de Jesus, eram conhecidos como samaritanos, e seus primos judaicos os odiavam. 

Depois da queda do reino setentrional, o reino meridional, Judá, continuou a ter bons e maus reis. Devido à sua infidelidade, no sexto século antes de Cristo, Deus finalmente permitiu que eles fossem levados ao cativeiro pelo rei babilônico Nabucodonosor. Depois do cativeiro, um grupo relativamente pequeno de judeus retornou a Jerusalém, para reconstruir o templo e se restabelecer em sua pátria judaica. Mas, a maioria deles nunca retornou à Palestina. 

Quase vinte séculos se passaram, entre a promessa feita por Deus a Abraão, seu amigo, de que sua descendência haveria de se tornar uma nação e a vinda de Cristo. Os israelitas adoraram fielmente a Deus de forma unida, especialmente nos séculos anteriores ao período monárquico. Contudo, eles nunca tiveram qualquer corpo administrativo central que lembrasse remotamente a organização Torre de Vigia de hoje, seja na forma, seja na função. E durante todo aquele período, eles ainda eram o povo escolhido de Deus. Como sabemos isso?