Deus Trabalha Por Meio de Uma Organização?

 

Como o Povo de Israel Foi Organizado?

Moisés era realmente um “canal de comunicação” entre Deus e os israelitas. Faz-se menção dele nas Escrituras como um “mediador”. (Números 12:7; Gálatas 3:19) Nesse papel, ele prefigurou Jesus Cristo. (Deuteronômio 18:18, 19; compare com Atos 3:19-23.) Moisés liderou a nação de Israel e foi um profeta. Seu sucessor, Josué, foi um líder, mas não um mediador ou profeta, nem o foram o irmão de Moisés, Arão, e seus descendentes, os sacerdotes. Tanto eles como os outros membros de sua tribo, os levitas, só eram encarregados de funções religiosas, não de funções executivas ou proféticas. Quem, então, dirigia as coisas em Israel? 

Não havia qualquer necessidade de um governo centralizado, porque a nação de Israel era realmente uma única família. Estava “organizada” em linhagens familiares. Os anciãos e os “chefes de cem e de mil” em Israel não eram eleitos por voto popular, nem eram designados por Deus. Eles eram parentes das pessoas que representavam. Cada tribo era um grupo familiar, descendente de um ancestral comum, e tinha parentesco consangüíneo. 

A Lei Mosaica fornecia diretrizes morais e religiosas para os Israelitas. Ela fornecia extensivas definições de pensamentos ou ações pecaminosas que poderiam ocorrer em qualquer faceta da vida diária, junto com procedimentos específicos para lidar com esses delitos. Ela definiu projetos e procedimentos altamente detalhados para construir o tabernáculo e mudá-lo de lugar em lugar. Mas ela não estabeleceu qualquer forma de governo humano ou corpo administrativo. Sob a Lei, os israelitas deveriam se conduzir por meio de sua consciência, e não por meio de governantes humanos que faziam valer o poder governamental por meio da polícia ou outras forças armadas. As penalidades contra os pecadores ou transgressores da lei eram aplicadas em cada comunidade, pelos próprios habitantes daquela comunidade, sob a supervisão dos anciãos, e os sacerdotes supervisionavam as oferendas acompanhantes e outros procedimentos religiosos. Cada indivíduo era responsável por seu comportamento perante Deus, sua família e a comunidade. Essa era uma forma teocrática de governo em seu verdadeiro sentido: o próprio Deus agia no lugar de qualquer rei humano. Essa forma de governo funcionava? 

Do Monte Sinai ao Profeta Samuel

Depois que entraram na terra prometida, os israelitas continuaram por mais de 350 anos sem qualquer rei humano ou governo centralizado. “Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um costumava fazer o que era direito aos seus próprios olhos.” (Juízes 21:25) Esse arranjo teocrático não resultou em anarquia. A evidência é que esse foi um excelente arranjo.

Conforme necessário, de tempos a tempos, Deus selecionava e designava juízes. Os juízes agiam como líderes, porém, mais num sentido militar do que governamental. Às vezes, mais de um juiz era designado e em certas épocas não havia nenhum juiz em atividade. Eles não tinham qualquer autoridade executiva especial e tampouco agiam como reis sobre Israel, pois o próprio Deus era seu único Governante. Os capítulos concludentes do livro de Juízes contêm um relato interessante e incomum de como a justiça foi administrada sob esse arranjo, no caso de um crime particularmente violento.

O registro bíblico declara que durante mais de dois terços do período dos juízes houve paz em Israel. Depois de algumas ocasiões em que juízes apareceram para livrar Israel dos inimigos, houve três períodos de quarenta anos e um período de oitenta anos em que o país teve “sossego”. (Juízes 3:11, 30; 5:31; 8:28) Nunca mais houve tantos anos de paz como durante o período dos juízes. Na verdade, durante aquele tempo, a Bíblia relata que só um profeta, a mulher Débora, foi enviado a Israel. O que aconteceu que mudou a situação e pôs fim a essas condições de paz em Israel?