As Boas Novas do Reino de Deus

"E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim." (Mateus 24:14, Tradução do Novo Mundo)

________________

Na época do exílio babilônico, Deus fez um milagre em conexão com o rei de Babilônia. Mostrou-se aos judeus que Deus está sempre no comando de tudo, mesmo quando as pessoas não se submetem voluntariamente ao seu governo, e que Ele pode designar a quem quiser como governante (Dan 4:32, 34, 35). Os judeus acreditavam que o Messias receberia esse reino. Mas, além de ser Rei, Jesus seria também um Salvador e Redentor. Por meio dele, a completa reconciliação com Deus foi anunciada pela primeira vez. A mensagem sobre como se daria isso foi chamada de “boas novas do reino de Deus”. Jesus “foi por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo.” (Mat. 4:23)

Pedro explicou as boas notícias para os judeus curiosos que testemunharam o comportamento incomum dos discípulos de Jesus no dia de Pentecostes (Atos 2:14-36):

'Os “últimos dias” estão aqui (vers. 14-20). Todo aquele que invocar o nome do Senhor pode ser salvo (vers. 21). Jesus era o Messias prometido. As obras poderosas que ele fez provaram isso (vers. 22). Sua execução como um criminoso fora predita por Deus e realizou o propósito dele (vers. 23). Deus ressuscitou Jesus à vida, como predito pelos profetas judaicos (vers. 24-32). Exaltado à mão direita de Deus, ele recebeu o Espírito Santo do Pai e o derramou, conforme eles testemunharam (vers. 33-35). Deus fez o ressuscitado Jesus tanto Senhor como Cristo. (vers. 36)'. [1]

Pedro não usou especificamente a palavra "reino" neste trecho, mas suas referências concludentes ao Salmo 110 (vers. 33-36) mostram que a mensagem estava intimamente associada com o governo de Cristo. Ele sabia o que Gabriel tinha anunciado a Maria: "[Jesus] será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim." (Lucas 1:32, 33) Ele ouviu Jesus dizer, pouco antes de ir a uma montanha com Tiago e João, onde viu Jesus transfigurado: "Garanto-lhes que alguns dos que aqui se acham não experimentarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo em seu Reino." (Mat. 16:28) Depois da ressurreição, ele ouviu Jesus anunciar: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra." – Mat. 28:18

Os judeus que o ouviram entenderam a mensagem. Há muito tempo eles esperavam seu Messias ou Ungido. Para eles, foi uma boa notícia saber que ele tinha chegado e, embora seu próprio povo o tenha condenado à morte, Deus ressuscitou Jesus e o exaltou à Sua própria direita, onde ele governou como rei. Nessa posição, ele era capaz de fazer a paz entre eles e Deus. Estas foram notícias maravilhosas!

O Salmo 110 é citado freqüentemente pelos escritores cristãos inspirados. Os primeiros cristãos acreditavam universalmente que este Salmo se cumpriria, e eles entenderam isso como significando que Jesus estava ativamente governando como rei. (Col. 2:9, 10; Efé. 1:18-23; Col. 1, 12-14; 1 Ped. 3:21, 22) Quando Paulo o citou em uma carta aos Coríntios, ele mesmo substituiu a expressão "sentar-se à direita de Deus" pelo termo “reinar”:

“A seguir, o fim, quando ele entregar o reino ao seu Deus e Pai, tendo reduzido a nada todo governo, e toda autoridade e poder. Pois ele tem de reinar até que [Deus] lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. Como último inimigo, a morte há de ser reduzida a nada.” – 1 Coríntios 15:24-26 (Tradução do Novo Mundo)

Não havia autoridade adicional alguma para ser dada a Jesus em algum momento futuro. Ele já tinha toda a autoridade! Assim, as boas novas são, e sempre foram, a mensagem sobre a reconciliação com Deus por meio de Jesus Cristo, o Filho de Deus; sobre sua obra e ensinamentos, o significado de sua morte sacrificial e ressurreição e sua atividade contínua como sumo sacerdote e rei. (Marcos 1:1) A “salvação por meio de Jesus Cristo” constituiu as boas novas pregadas em todo o Império Romano pelos apóstolos e por outros cristãos primitivos.

 

Nota:


[1] Em vez de se referir à época final dentro de um período mais longo, este trecho reflete a perspectiva judaica de que o tempo se divide em duas grandes eras, uma que termina e outra que começa com a vinda do Messias. O mesmo conceito é apresentado nas palavras iniciais da Carta aos Hebreus, onde o tempo dos profetas é chamado de "outrora", "antigamente" ou "tempos passados", e o tempo do Filho é chamado de "últimos dias".

 

[Extraído do artigo Onde Está o Corpo de Cristo?, de Thomas W. Cabeen. As citações bíblicas são da Nova Versão Internacional, a menos que haja outra indicação.]