607 AEC ou 587 AEC?

 Resumo e Considerações Finais

O lançamento dos artigos sobre cronologia nos números da revista A Sentinela de 1° de outubro e 1° de novembro de 2011 resultou em mais um fracasso no empenho de provar a validade bíblica e histórica da data de 607 AEC. Isso porque os problemas na argumentação contida nessas matérias são os mesmos que os de todas as discussões anteriores sobre este assunto nas publicações da Torre de Vigia:

Na Parte 1 constatou-se que as informações simples e diretas da Bíblia sobre este assunto ainda não estão sendo aceitas. O que os textos dizem sobre os 70 anos de Jeremias, no tocante ao significado deste período histórico e o momento em que ele começou e terminou continua sendo deturpado ou desconsiderado.

Na Parte 2 foi mostrado que ainda se faz todo o esforço para tentar minar a credibilidade da documentação histórica e astronômica que estabelece a cronologia do inteiro período neobabilônico. Toda e qualquer informação presente nesse enorme volume de documentação que contradiga a data 607 AEC é ignorada. Em vez disso, apela-se para possibilidades e conjecturas, que são apresentadas às pessoas como se fossem fatos.

Na Parte 3 foram considerados exemplos, um atrás do outro, de citações fraudulentas de historiadores eruditos. O exame cuidadoso dos escritos deles mostrou que, na maioria dos casos, os eruditos disseram o contrário daquilo que os artigos da revista A Sentinela atribuíram a eles.

A Parte 4 complementou a análise (feita no final da Parte 2) de tudo o que a revista A Sentinela de 1° de novembro de 2011 disse sobre a tabuinha VAT 4956. Os leitores tiveram condições de confirmar visualmente, por si mesmos, quão desastrosa foi a tentativa feita na revista de usar este importante documento astronômico para apoiar a data 607 AEC.

Finalmente, a Parte 5 tratou da verdadeira razão da escrita desses artigos, que em momento algum foi admitida: Atribuir à data de 607 AEC uma força divina não tem o objetivo de defender uma cronologia histórica. O que está por trás de todo esse esforço é a ideia de legitimar uma estrutura hierárquica de autoridade espiritual.

Assim como ocorreu no caso da defesa anterior da cronologia de 607 AEC (a que tinha sido publicada no livro Venha o Teu Reino, de 1981, págs. 186-190), é bem provável que estes dois artigos da revista A Sentinela de 2011 sejam usados por muito tempo pelos apologistas dessa cronologia como a principal ou até única "referência erudita" em apoio dela. Por isso, fizemos aqui um esforço de considerar pelo menos os principais problemas na argumentação destes artigos. Outras informações pertinentes a este assunto podem ser encontradas em todas as demais matérias já publicadas em nosso site. O conteúdo deste folheto fica igualmente à disposição de nossos leitores para consulta, sempre que necessário.

Não se afirma aqui que todos os que defendem essa "cronologia de Deus" no momento sejam necessariamente pessoas mal-intencionadas, que desejam enganar outros deliberadamente. Pelo contrário, cremos que em numerosos casos o problema básico é falta de conhecimento das evidências. É um fato inegável que todos nós, que temos alguma participação em divulgar estas informações hoje, fomos um dia, em maior ou menor grau, defensores destas mesmas idéias que são apresentadas nestes numeros da revista A Sentinela. Muitos eram, inclusive, estudiosos sérios de todas as doutrinas religiosas derivadas da cronologia de 607 AEC, defendiam tudo isso com muita fé e convicção e orientavam sua vida de acordo com essas idéias. Não seria justo dizermos agora que estas pessoas agiam de maneira hipócrita, ensinando isso a outros com intenção de enganá-los. Elas faziam isso por realmente acreditarem que os ensinos eram corretos. E isso era uma decisão pessoal de cada uma delas, com base na informação que tinham à disposição.

O mesmo é verdade agora. Por mais que tenha havido um esforço de apresentar toda a discussão presente neste folheto de maneira imparcial, temos de reconhecer que as decisões que cada leitor tomará em sua própria vida com base nas conclusões apresentadas aqui, são (e devem ser) igualmente decisões pessoais. No máximo, o que podemos fazer é simplesmente apresentar ambos os lados da discussão. A questão de saber o que é que cada pessoa fará com base nessa informação (no caso de aceitá-la) é algo entre essa pessoa e Deus. Quanto a nós, sentimo-nos satisfeitos e gratos pela oportunidade de publicar isso, sempre com a ideia de beneficiar o nosso público leitor. Como sempre, estamos abertos a críticas construtivas e sugestões desse público. E caso haja realmente necessidade de algum esclarecimento adicional destas questões, poderemos publicar algo mais no futuro, em meios de comunicação pública tais como a internet.

Os Editores.

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